Documentário brasileiro corre por fora na disputa pela estatueta

'Democracia em Vertigem', distribuído pela Netflix, está entre os cinco indicados na categoria

Enize Vidigal

Na disputa pelo Oscar de Melhor Documentário, o Brasil sonha com a primeira estatueta dourada da indústria do cinema americano com "Democracia em Vertigem", de Petra Costa. Os críticos paraenses ouvidos pela reportagem apontam uma concorrência difícil diante da qualidade dos demais indicados: "The Cave", de Firas Fayyad; "For Sama", de Waad al-Kateab e Edward Watts; "Honeyland", de Ljubomir Stefanov e Tamara Kotevska; e "Indústria americana", de Steven Bognar e Julia Reichert.

"A categoria está muito forte este ano, os melhores documentários dessa safra estão indicados. Seria um recado político muito forte da academia premiar o Democracia em Vertigem", afirma Lorenna Montenegro.

"A categoria está muito disputada. Para Petra estar ali, não é apenas pela qualidade do filme, mas é uma foma da academia dizer: 'estamos de olho no que está acontecendo no Brasil. Essa categoria é uma das mais respeitadas e disputadas da premiação. A inclusão de um filme brasileiro como esse, contemporâneo e atual, é muito importante", completa Ismaelino Pinto.

"O documentário é o gênero mais interessante, normalmente todos os indicados são bons, de alta qualidade. O Democracia em Vertigem foi muito bem visto por uma boa parte da crítica estrangeira, particularmente a americana. É um dos favoritos", ressalta Marco Moreira, da Associação de Críticos de Cinema do Pará.

O documentário sobre o impeachment de Dilma Rousseff desperta reações díspares - de concordância e discordância - em relação à abordagem do filme, num reflexo direto da divisão política que afeta os brasileiros da atualidade. Lorenna observa que o documentário sempre vai trazer a visão do cineasta, sem imparcialidade. Enquanto Ismaelino destaca o crescimento do número de cineastas mulheres.

Apesar do documentário brasileiro ser o favorito de Ismaelino ao Oscar, Marco Antônio e Lorenna apontam as fortes concorrências de "The Cave" (A Caverna) e "For Sama" (Para Sama), que retratam a guerra na Síria.

"São excelentes, principalmente 'The Cave', que fala sobre um hospital subterrâneo construído para resistir aos ataques e que salva a vida de muitas pessoas, principalmente de crianças, e que é coordenado por uma médica", diz ele. Firas Fvyad concorreu ao Oscar na mesma categoria em 2018, com "Últimos Homens em Aleppo".

"O meu documentário preferido é 'For Sama', pela abordagem poética. O filme conta a vivência de uma mulher em Aleppo, que engravida e tem uma filha chamada Sama. O documentário é uma espécie de diário de bordo com ela mostrando para a filha a realidade distroçada do lugar, num relato duro, mas cheio de amor e de esperança por dias melhores".

Outro concorrente é "Honeyland", que fala sobre o desequilíbrio ambiental causado pelo extermínio das abelhas e a tentativa de salvá-las. "É um documentário sobre uma apicultora da Macedônia do Norte, que também está indicado na categoria de filme estrangeiro. É a primeira vez que o país consegue uma indicação ao Oscar. O filme foi premiado no Festival de Sundance e na Mostra de São Paulo, é muito poético, excelente", conta Lorenna.

Enquanto "Indústria Americana" "é muito bem comentado, discute a economia americana em crise a partir da chegada de um chinês que cria uma empresa gerando 2 mil empregos, mas é um filme com menos chance", diz Marco.

"O filme fala da chegada dos chineses à indústria americana e da expansão do setor, mas tem uma visão complicada em relação ao que é trabalho na China comunista e imperialista, pois não respeita a liberdade e a legislação trabalhista".

Cinema
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