Atriz do movimento 'Boca do Lixo' participa de bate papo na UFPA

Além da conversa com Sandra Graffi também haverá a exibição do filme 'O Galante rei da boca'

O maior período de produção cinematográfica do Brasil será tema de um bate-papo entre estudantes e professores do curso de Cinema da Universidade Federal do Pará (UFPA) com a atriz paulistana Sandra Graffi, uma das musas do chamado movimento “Boca do Lixo”, nesta sexta-feira, 10 de maio, às 14h30, na sala de projeção do prédio anexo, que fica na Faculdade de Artes Visuais (FAV), no campus do Guamá.

A programação do evento “O cinema da Boca do Lixo por Sandra Graffi” também prevê a exibição do documentário “O Galante rei da boca”, em referência ao maior produtor do movimento, Antonio Polo Galante, com quem a atriz trabalhou e que mais tarde se tornou seu sogro. Sandra casou com Roberto Galante, filho de Antonio, e também produtor da “Boca do Lixo”.

Ela atuou em 17 filmes da pornochanchada brasileira, alguns deles considerados clássicos do período, e viveu o apogeu e o declínio do movimento, que tinha como endereço a rua Triunfo, no coração do boêmio e caótico centro de São Paulo. “Grande parte dos filmes não tinha patrocínio e dependíamos do sucesso das bilheterias”, relembra.

A atriz atuou ao lado de Xuxa no polêmico filme “Amor, estranho amor”, de Walter Hugo Khouri, e cuja batalha judicial dura até hoje. Xuxa, à época, tinha começado uma promissora carreira como apresentadora de programa infanto juvenil e o roteiro do longa comprometia esse futuro para a loira.

Longe das telas, hoje Sandra Graffi se dedica a recontar detalhes do que foi a “Boca”, engrossando o time de atores, produtores, diretores que tenta resgatar a memória desses quase 30 anos de cinema nacional.

O roteirista e diretor Alfredo Sternheim, amigo pessoal e padrinho de casamento de Sandra, encabeçava com outros grandes nomes do período a maior de todas as produções – o filme que contaria em detalhes o que foi a Boca do Lixo no coração do Brasil. Sternheim faleceu há dois meses e o projeto será retomado em breve.

Ela está produzindo ainda um livro que não vai somente contar sua passagem pelo movimento, mas também fazer uma análise sobre o papel da mulher nos filmes de pornochanchada. “Mesmo que pensem o contrário, as mulheres que atuaram na Boca do Lixo foram mulheres fortes e empoderadas”, avalia.

Empreendedora e morando atualmente em Volta Redonda, no sul fluminense, a atriz está pela primeira vez em Belém e ja se sente amazônida. “Descobri uma cidade surpreendente na gastronomia, belezas naturais e, o mais importante, com o povo mais acolhedor e feliz do país”, descreve.

O Movimento

A “Boca do Lixo” foi um polo do cinema brasileiro. Entre os anos 1920 e 1930, empresas internacionais, como a Fox e a Paramount, se instalaram na região. Com o tempo, outras empresas se juntaram formando estúdios independentes, incentivando a vinda de lojas de manutenção técnica, fábricas de equipamentos para o setor e distribuidoras. Nos anos 60 e 70, a Boca do Lixo chegou ao auge, fazendo um cinema para o povo, que adorava os filmes e formava filas gigantescas.

O tema principal das produções da Boca do Lixo eram as pornochanchadas. Gênero influenciado pelas comédias italianas, principalmente as de teor erótico. A nudez era parte principal dos filmes, assim como as piadas sexuais e a malícia. Além das comédias, os filmes de gênero específico também foram feitos, como terror, filmes de kung-fu, suspense e faroestes.

O polo cinematográfico foi responsável pelo surgimento e ascensão à fama de diversos artistas. Vera Fischer, Helena Ramos, Sandra Bréa, Vanessa Alves, Patrícia Scalvi, Nicole Puzzi e Zilda Mayo participaram das formações. Entre os diretores, destacam-se Ody Fraga, Ozualdo Candeias, Tony Vieira e José Mojica Marins (o Zé do Caixão).

Cinema
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