Associação de Críticos de Cinema do Pará elege melhores filmes de 2020

Lista destaca importância do streaming

Caio Oliveira

Mais uma vez, a Associação de Críticos de Cinema (ACCPA) encerrou um ano com sua já tradicional eleição dos Melhores do Cinema, realizada todo mês de dezembro com a escolha dos destaques na produção audiovisual daquele ano. A Associação tem a tradição de realizar a escolha dos melhores do cinema desde 1962, sempre com a proposta de indicar filmes para que os amantes da sétima arte não apenas apreciem uma boa película, mas também debatam sobre as produções. Em 2020, não foi diferente, e nesse ano atípico, escolher bons filmes foi uma tarefa especialmente desafiadora, segundo Marco Antônio Moreira, presidente da ACCPA.

Em 2020, a votação foi por e-mail e o filme “Retrato de uma jovem em Chamas” de Céline Sciama ficou em primeiro lugar como melhor filme do ano, com 39 pontos, seguido de “Destacamento Blood”, de Spike Lee (29 pontos), a animação “Soul”, de Peter Docter (26 pontos) e Mank, de David Fincher (23 pontos). Além de Marco Antônio, a eleição contou com a participação dos críticos Pedro Veriano, Luzia Álvares, Francisco Cardoso, Ismaelino Pinto, Dedé Mesquita e Lorenna Montenegro. Cada associado escolhe dez filmes como seus preferidos, e com a soma das pontuações, o ranking dos melhores é organizado.

O presidente da associação destaca que a lista tem como objetivo indicar obras de qualidade para aqueles que ainda não tiveram a chance de assisti-las, além de promover um debate saudável sobre as produções do ano que passou. “Algumas pessoas ficam nervosas, às vezes, dizendo que o filme preferido delas não entrou na lista, e isso vai acontecer. É uma lista com indicação de bons filmes, e pode até acontecer de alguém assistir a uma indicação dela e não gostar. O importante é ter essa indicação, e esse ano, não poderia deixar de ter essa lista, esse compartilhamento da ‘cinemania’”, explica Marco Antônio Moreira.

Outro ponto que chama a atenção é a presença de várias produções que estrearam em plataformas de streaming, em contraponto aos meios tradicionais de exibição cinematográfica – as salas de cinema -, fechados por causa da pandemia. Soul e Mank estrearam no Disney + e Netflix, respectivamente, assim como “Amarelo: É tudo para ontem”, que estreou no fim do ano e ficou nos destaques como melhor documentário. Para Marco Antônio, a limitação de funcionamento das atividades das salas de cinema por longo período originou esse crescimento dos canais streaming, com a intensa ampliação de um mercado que já estava em ascensão.

“Existe uma tendência há pelo menos cinco anos de filmes irem logo pro streaming, e isso vinha sendo adiado por causa da qualidade da internet em muitos países, onde a conexão não era boa. Hoje, isso vem sendo cada vez mais possível. Essa tendência se acelerou e agora, é inevitável, irreversível. Eu sou de uma geração que ainda prefere ver filmes no cinema, mas, por outro lado, a tecnologia está aí pra isso”, conta o crítico, membro-fundador da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (ABRACCINE) e membro da Academia Paraense de Ciências (APC).

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