SEX · 02 OUT 2026Assine

PROGRAMAÇÃO

Cinema espanhol, cultura baiana e lenda amazônica chegam à tela do Cine Líbero Luxardo; confira

Programação reúne Mostra de Cinema Espanhol, “3 Obás de Xangô” e a exibição especial de “Boiuna”

O LIberal

11 de setembro de 2025 às 22:24

Modificado em 11 de setembro de 2025 às 22:29

3 Obás de Xangô

3 Obás de Xangô ( Foto: Divulgação )

O Cine Líbero Luxardo, em Belém, inicia sua nova programação neste quinta-feira (11), às 16h, com uma seleção diversificada de filmes. Destaque para a Mostra de Cinema Espanhol; a estreia do documentário “3 Obás de Xangô”; a pré-estreia de “Malês”, filme protagonizado por Camila e Antônio Pitanga; e uma sessão especial com debate após a exibição de “Boiuna”, curta paraense destaque no festival de Gramado. 

VEJA MAIS

Stephen King elege os 10 melhores filmes de todos os tempos; veja a lista e onde assistir Veja quais são os 10 filmes escolhidos por King e onde assistir a cada um deles.

Dwayne Johnson interpretará homem de 70 anos cujo melhor amigo é uma galinha

VÍDEO: Fã se fantasia como freira de 'Invocação do Mal' e é barrada de circular em shopping Mulher foi impedida de ir ao cinema do estabelecimento por questões de segurança interna do shopping e desabafou em redes sociais

O aguardado documentário “3 Obás de Xangô”, dirigido por Sérgio Machado, aborda a amizade entre três ícones da cultura baiana: Jorge Amado, Dorival Caymmi e Carybé. O filme é uma homenagem ao trio que, nos anos 1940, ajudou a moldar o imaginário da Bahia e do Brasil com suas obras que mesclam realismo e a vivência das ruas. 

Segundo o diretor Sérgio Machado, trata-se de sua obra mais íntima. “Esse filme é certamente o mais pessoal que já fiz. Ele remonta à minha infância, quando acompanhava minha mãe, militante contra a intolerância religiosa, nos terreiros de candomblé. Muitos personagens que aparecem aqui fizeram parte da minha vida. É um filme sobre afetos, sobre resistência e sobre o afeto como forma de existência”, explicou o diretor. 

Com a narração de Lázaro Ramos, e participação de amigos e familiares dos artistas em destaque, o filme carrega em seu currículo o Grande Otelo de Melhor Longa-Metragem Documentário. Em 2024, também foi eleito melhor filme, pelo Júri Popular, na Mostra de Cinema de Tiradentes, além de ganhar o Redentor de Melhor Documentário no Festival do Rio e, na Mostra de São Paulo, o Prêmio do Público de Melhor Documentário Brasileiro. 

Jorge Amado, Dorival Caymmi e Carybé, os grandes ‘tradutores’ da identidade baiana, como diz o diretor Sérgio Machado, se tornaram grandes parceiros e dividiram a paixão pela Bahia, além de uma forte conexão com o candomblé. O título honorífico de Obá de Xangô foi criado em 1936, por Mãe Aninha, a fundadora do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá (“Casa da Força Sustentada por Xangô”), em Salvador. 

O “cargo” é concedido aos chamados protetores do templo. Os livros de Jorge, as canções de Caymmi e as pinturas e esculturas de Carybé consolidaram ‘um modo de estar no mundo’ dos baianos e influenciaram as gerações de artistas que vieram a partir deles.

ESPANHA

Além disso, o cinema ainda abre as suas portas para uma Mostra de Cinema Espanhol, até 15 de setembro, com uma seleção de filmes premiados e aclamados pela crítica europeia, com sessões sempre às 17h45 (exceto hoje, 11, quando será a estreia, às 19h20 e do sábado, 13, que terá exibição às 17h35). 
Nessa mostra, o público poderá conferir produções como “El 47”, de Marcel Barrena, “Vantagens de Viajar de Trem”, de Aritz Moreno, e “A Estrela Azul”, de Javier Macipe. 

“A Mostra de Cinema Espanhol 2025, este ano, está sendo realizada em 17 cidades brasileiras, e traz a Belém o melhor do cinema espanhol atual. A mostra conta com a parceria da Fundação Cultural do Pará e do Governo do Estado, importantes colaboradores da Embaixada da Espanha no Brasil”, destaca Hansi Escobar, ministro conselheiro da Embaixada da Espanha, que estará presente na abertura do festival na próxima quinta-feira, 11. 

“El 47”, dirigido por Marcel Barrena, abre a mostra com uma poderosa história ambientada entre os anos 1960 e 1970, nas periferias de Barcelona. O filme retrata a realidade de comunidades formadas por imigrantes da Extremadura e da Andaluzia que, mesmo tendo construído seus bairros com as próprias mãos, viviam à margem da cidade, sem acesso a serviços básicos como água encanada ou eletricidade.

BOIUNA

Boiuna de Adriana de Faria foi premiado no Festival de Gramado 2025.
Boiuna de Adriana de Faria foi premiado no Festival de Gramado 2025. (Reprodução)

A programação também inclui a exibição do curta-metragem “Boiuna”, grande vencedor no Festival de Cinema de Gramado 2025. O filme, que revisita a lenda da Cobra Grande sob uma perspectiva contemporânea, conquistou três prêmios importantes, incluindo Melhor Direção para Adriana de Faria, Melhor Atriz (dividido entre Naieme e Jhanyffer Santos) e Melhor Fotografia para Thiago Pelaes. 

Produzido no Pará e com uma equipe majoritariamente local, “Boiuna” destaca-se pelo seu realismo fantástico, que mistura ancestralidade, resistência e o protagonismo das mulheres amazônidas. O filme foi rodado em locações como Benevides, Benfica e a Ilha do Combu, na Região Metropolitana de Belém.