Cartunista paraense J. Bosco assina arte de destaque em exposição sobre Wagner Moura
Exposição destaca reconhecimento internacional do cinema brasileiro
Premiado com Globo de Ouro em 2026 e com indicação a Melhor Ator no Oscar, Wagner Moura tem sua trajetória celebrada na exposição “Wagner - Uma Carreira em Cartaz”, que reúne caricaturas de importantes cartunistas brasileiros, incluindo o paraense J. Bosco, que trabalha no Grupo Liberal. A obra dele foi escolhida para ilustrar o banner oficial da mostra dedicada ao ator baiano. A exposição pode ser visitada até o dia 31 de março, no Shopping D, na Zona Norte de São Paulo.
Com mais de dez caricaturas, a mostra reúne artistas de diferentes estilos que se uniram para traduzir, por meio do humor gráfico e do traço autoral, a admiração por um dos nomes mais falados do cinema brasileiro atualmente. No último domingo (15), o país acompanhou com expectativa as quatro indicações do filme “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, em uma das principais premiações do ramo. Apesar de não ter conquistado a estatueta, a presença brasileira na disputa foi recebida com entusiasmo pelo público, que celebrou o reconhecimento internacional da produção.
Entre os participantes da exposição estão nomes consagrados do desenho e do humor gráfico, como Maurício de Sousa, além de Alisson, Amorim, Baptistão, Carvall, Cau Gomez, Dálcio Machado, Fausto Bergocce, Fernandes, Hippertt, Izânio, Maraska, Samuca, Seri e Synnove Hilkner.
Representatividade do Norte
Representando o Norte do país, J. Bosco destaca que o desenho levada à exposição foi criado especialmente para a homenagem a Wagner. Segundo o cartunista, o convite e, posteriormente, a escolha de sua arte para o material oficial da mostra foram recebidos com entusiasmo.
“Recebi essa notícia com muito orgulho, e elogios da curadoria. Resultado de muita dedicação que participo das exposições fora do estado”, afirmou.
Ao falar sobre o processo de criação, Bosco explicou que sua relação com o cinema contribuiu diretamente para a construção da caricatura. Ele contou que acompanha a trajetória do ator e do filme desde antes das premiações. “Gosto muito de cinema, e acompanhei a trajetória do filme até chegar ao Globo de Ouro. Vi o filme antes de tudo”, disse.
A exposição também evidencia o papel histórico dos cartunistas como observadores atentos dos movimentos culturais. Para Bosco, essa característica permanece atual. Ele avalia que o profissional da área precisa estar conectado com diferentes linguagens artísticas e acontecimentos. “O cartunista vive obrigatoriamente antenado, e o cinema é a grande porta de informações para nós. Todos os gêneros são importantes para nosso engajamento”, declarou.
Valorização do desenho autoral
Outro ponto destacado pelo artista é a valorização do desenho autoral em um cenário marcado por avanços tecnológicos. Bosco ressaltou que a preservação da identidade artística é um dos pilares das exposições do gênero. “O regulamento é não usar inteligência artificial em nenhuma exposição de humor, quadrinho e caricaturas. É preciso manter a identidade de cada artista”, afirmou.
Com mais de quatro décadas de carreira, o cartunista também comentou sobre a importância de participar de circuitos culturais fora da região Norte. Ele destacou que essa presença contribui para ampliar a visibilidade de sua produção e fortalecer conexões no cenário nacional.
“Sou o único representante do norte nessas exposições em São Paulo, Recife, Minas Gerais. Essa conexão é antiga, fiz amizade com grandes artistas de humor pelo Brasil e exterior nesses 42 anos de trabalho. E ao O Liberal me deu também muita projeção”, disse.
A coordenação e curadoria da mostra são assinadas por José Alberto Lovetro, presidente da Associação dos Cartunistas do Brasil, que ressaltou a relevância da iniciativa. “Os cartunistas sempre foram os primeiros a reagir aos grandes acontecimentos culturais do país. Esta exposição é uma forma de celebrar Wagner Moura, o cinema brasileiro e a arte do desenho de autor, feita por pessoas com identidade, inteligência e emoção, algo que nenhuma inteligência artificial consegue substituir”, afirmou à CNN.
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