Youtuber Orochinho é condenado em R$ 70 mil por ridicularizar bebê e pede anulação da sentença

O caso de Pedro Henrique Frade foi encerrado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em agosto de 2025 e, após meses, ele apresentou defesa alegando não ter recebido intimação judicial

Lívia Ximenes
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O youtuber e influenciador digital Pedro Henrique Frade, conhecido como Orochinho, foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) a pagar R$ 70 mil por ridicularizar uma bebê em um vídeo. A Justiça considerou o caso encerrado em agosto de 2025, após Orochinho não se manifestar nos autos. Meses depois, em outubro, o youtuber apresentou defesa e alegou que não recebeu a intimação judicial, solicitando anulação da sentença para se defender.

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O processo foi iniciado pela mãe de uma criança que se tornou tema de um vídeo de Orochinho, publicado no YouTube, conforme apuração do g1. Além do influenciador, o Google também foi alvo da ação. Segundo a mãe à Justiça, desde 2022, quando compartilhou um vídeo da criança recém-nascida, a menina recebeu comentários ofensivos devido à aparência e traços da bebê foram alterados para ridicularizá-la.

Repercussão do vídeo

O vídeo de Orochinho foi ao ar em 2023. Após a publicação, de acordo com a mãe, as falas negativas sobre a imagem da criança intensificaram. O material, intitulado “O tal bebê”, mostrava os impactos do tratamento que a criança recebeu nas redes sociais e alcançou mais de 300 mil visualizações.

Nos autos do processo, consta que a mãe denunciou o vídeo ao Google, que não removeu o material e informou que analisaria a situação. Segundo a mulher, ao buscar por “bebê feio” na plataforma, a foto da filha aparecia. A defesa da mãe e da criança solicitou à Justiça a proibição a Orochinho de mencionar atributos da menina, exclusão do vídeo, remoção do canal do YouTube e desvinculação do Google da imagem ao termo — além disso, a mulher cobrou indenização por danos morais e materiais a Orochinho.

A notificação, conforme os autos, chegou a Orochinho por meio de uma intimação entregue ao porteiro do prédio onde vivia. O youtuber, que não apresentou defesa na ação, teve o processo julgado à revelia, ou seja, sem manifestação do réu. O juiz responsável pelo caso é Ricardo Dal Pizzol, da 2ª Vara Cível do TJSP.

Decisão do juiz

De acordo com o magistrado, o vídeo possui “clara ofensa” à honra da bebê e da mãe e o conteúdo “serve como catalisador de ofensas”, o que gerou “uma reunião de comentários negativos relacionados exclusivamente à aparência”. Entre as pontuações de Ricardo, estão as expressões usadas para se referir à criança: “p*rra do bebê”, “bebê tem se sofrer byllying” e “ô desgraça feia”, por exemplo.

O juiz determinou que o vídeo deveria ser removido e ressaltou que o ato não é ofensa ao direito de expressão, visto que “a imagem, a intimidade e a honra também são bens jurídicos protegidos pela Constituição Federal”. O magistrado também afirmou que “houve abuso no exercício do direito de expressão, empregado sem fim legítimo e com o intuito de diminuir a personalidade das autoras, configurando ilícito de natureza civil passível de reparação”. Para Ricardo, o conteúdo não possuía valor informativo e foi veiculado apenas para ofender a mãe e a criança.

Com a determinação judicial, o Google bloqueou o vídeo e removeu a imagem dos resultados de busca por “bebês feios” ou “feio”. Apesar da solicitação da defesa da mãe, o canal do YouTube de Orochinho não foi removido, porque seria uma “medida desproporcional e que pode ensejar violação à liberdade de expressão”, considerando que não há outra menção a elas em demais conteúdos. Além disso, o juiz também negou o pedido de indenização por danos materiais, já que não houve prejuízo financeiro.

Defesa de Orochinho

A defesa de Orochinho se manifestou em outubro, dois meses após o encerramento do caso, apresentando a medida de impugnação de cumprimento de sentença — uma tentativa de anulação da determinação judicial para se defender. O youtuber afirmou que não sabia do processo, pois não recebeu a intimação, entregue a um porteio em um endereço antigo.

A advogada Isabelle Strobel, responsável pela defesa de Orochinho, disse ao g1 que o youtuber deve ter a oportunidade de se defender. “Não tenho como entrar em detalhes em razão do sigilo, mas no processo foram atribuídas a ele falas que, na realidade, consistiam em comentários feitos por terceiros - e que foram pontuados por Pedro de maneira bastante crítica inclusive”, afirmou. Segundo Isabella, houve “distorção argumentativa dos fatos” feita pela autoria do processo.

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