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Sobrinho de homem morto asfixiado pela polícia perguntou 'por que estão fazendo isso?'

O homem negro foi morto asfixiado no porta-malas de uma viatura por agentes da Polícia Rodoviária Federal

Karoline Caldeira

O sobrinho de Genivaldo de Jesus Santos, o homem negro de 38 anos que foi morto asfixiado na tarde desta quarta-feira (25),  perguntava a todo momento "por que estão fazendo isso?" ao ver o tio sendo agredido por agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em Umbaúba (SE). De acordo com testemunhas, os familiares tentaram informar que a vítima tinha problemas cardíacos e mentais. Com informações do portal UOL.

Em entrevista, Wallison de Jesus Santos relatou que acompanhou de perto toda a ação da PRF e explicou como foi feita a abordagem momentos antes de ver o tio sendo colocado no porta-malas do carro, onde ele foi morto asfixiado por um gás que ainda não identificado pela perícia. "Presenciei toda a cena, estava a dez metros do lugar que aconteceu", diz.

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A ação dos agentes iniciou quando eles deram ordem para Genivaldo parar com a moto quando ele estava na BR-101. "Ele parou, colocou a moto no tripé e atendeu todos os comandos", disse o sobrinho. Em seguida, os policiais pediram para o homem levantasse a camisa, o que também foi obedecido. 

"Aí ele falou ao policial que estava com os remédios [para o transtorno mental] no bolso e tinha a receita médica para indicar que tinha problemas mentais", afirma Wallison. A truculência iniciou pouco tempo depois e os alertas começaram a ser feitos de que Genivaldo tinha problemas mentais. "A gente pediu para pegar leve, que ele ia atender o que eles pedissem. Mas o policial chamou reforço no microfone, e chegaram mais dois policiais em seguida", lembra.

Com a chegada dos outros dois policiais, as agressões se tornaram maiores. Com o tio já rendido e imobilizado, ele relata "Pegaram os braços deles, começaram a chutar as pernas e ele só perguntando: 'por que isso?' 'Por que estão fazendo isso comigo?", conta.

"O policial só pedia para gente se afastar, e aí começou uma sessão de tortura. Quiseram colocar algema nele, e não coube. Pegaram então uma fita lá dentro e amarraram as pernas dele. Começaram a pisar na cabeça e nas pernas dele", afirma.

Toda a ação foi gravada por testemunhas. A mãe de Genivaldo também foi ao local e apresentou os documentos dele, mas os policiais seguiram com a vítima para a viatura. "Foi aí que eles pegaram uma granada de gás, estouraram e seguraram a tampa lá com ele dentro. Informamos o tempo todo que ele tinha problemas de coração e mentais. Mas eles continuaram a tortura, mandando todo mundo se afastar", diz

A família decidiu aguardar a chegada de Genivaldo na delegacia, mas viu que algo estava errado ao perceber que a viatura seguiu para uma unidade de saúde. "A gente foi ver o que estava ocorrendo com ele, e a porta do consultório onde ele estaria estava fechada. Não deixaram a gente entrar. A mulher dele então chegou nervosa, forçou a porta e, quando abriu, vimos que tinha um policial fazendo massagem cardíaca. Ou seja, ele já estava sem vida lá dentro", conta.

Asfixia

Em comunicado, o Instituto Médico Legal (IML) apontou no laudo preliminar que a morte tem sinais de asfixia. "Foi identificado de forma preliminar que a vítima teve como causa mortis insuficiência aguda secundária a asfixia [...]. A asfixia mecânica é quando ocorre alguma obstrução ao fluxo de ar entre o meio externo e os pulmões. Essa obstrução pode se dar através de diversos fatores e nesse primeiro momento não foi possível estabelecer a causa imediata da asfixia, nem como ela ocorreu", diz.

O Ministério Público Federal (MPF) de Sergipe informou que instaurou procedimento para acompanhar as investigações e a prefeitura de Umbaúba repudiou a ação da PRF e a morte de Genivaldo e publicou nota oficial.

Já a PRF, informou que lamenta o fato e diz que foi aberto procedimento disciplinar para averiguar a conduta dos policiais envolvidos. A corporação também registou uma ocorrência junto à Polícia Judiciária e afirmou que as ações feitas foram necessárias em razão da agressividade da vítima. "Técnicas de imobilização e instrumentos de menor potencial ofensivo para sua contenção e o indivíduo foi conduzido à delegacia da polícia civil da cidade", diz.

(Estagiária Karoline Caldeira, sob supervisão da editora web de OLiberal.com, Tainá Cavalcante)

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