Paciente denuncia tesoura de 18 cm esquecida no abdômen após cirurgia; entenda o caso
O instrumento só foi descoberto cerca de três meses depois, após exames de imagem apontarem sua presença no organismo.
Uma paciente denunciou que uma pinça cirúrgica de cerca de 18 centímetros foi esquecida em seu abdômen após uma histerectomia (cirurgia para retirada do útero) realizada na Santa Casa de Misericórdia de Bragança Paulista (SP). O instrumento só foi descoberto cerca de três meses depois, após exames de imagem apontarem sua presença no organismo.
Identificada como Érica Cristina Bannai Von Hoonholtz, a mulher contou que passou a sentir fortes dores até ser submetida a uma cirurgia de emergência para retirar a pinça. Durante o procedimento, os médicos constataram que parte do intestino delgado havia necrosado. Desde então, ela afirma já ter passado por quatro cirurgias.
"Agora que está caindo a minha ficha de todo o risco de vida que eu tive. Estou me recuperando e tentando entender psicologicamente tudo o que aconteceu", disse Érica em entrevista ao portal g1.
Hospital oferece acompanhamento médico e psicológico
Após a descoberta da pinça, Érica afirma que representantes da Santa Casa reconheceram o ocorrido e passaram a prestar assistência médica. Segundo a paciente, como perdeu o plano de saúde, o hospital assumiu os custos do tratamento relacionado ao caso.
Ela também informou que seus três filhos passaram a receber acompanhamento psicológico oferecido pela instituição. "Tudo relacionado à tesoura eles estão me dando suporte. Qualquer dor que eu sinto, eu vou lá e eles me atendem. Meus filhos também estão passando por atendimento psicológico", relatou.
VEJA MAIS
Paciente relata tentativa de acordo
De acordo com Érica, dois dias após a cirurgia para retirada da pinça, advogados do médico responsável pelo procedimento entraram em contato para propor um acordo. As negociações, no entanto, não avançaram.
A paciente afirmou ainda que a própria Santa Casa tentou intermediar uma reunião entre as partes, mas ela optou por não dar continuidade às tratativas naquele momento.
Além da denúncia de erro cirúrgico, Érica alega que o médico teria sugerido, antes e depois da histerectomia, a realização de uma cirurgia estética para retirada do excesso de pele e gordura abdominal, mediante pagamento particular de R$ 8,5 mil. Segundo ela, durante uma nova internação, em julho, voltou a encontrar o profissional atendendo normalmente no hospital, situação que, segundo relata, causou desconforto.
Caso é investigado pela Justiça
Além do boletim de ocorrência registrado pela paciente, o caso também passou a ser investigado na esfera criminal. Conforme consulta ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), desde 28 de maio tramita um Termo Circunstanciado na Vara do Juizado Especial Cível e Criminal de Bragança Paulista. O procedimento segue em andamento.
(*Gabrielle Borges, estagiária de jornalismo sob supervisão de Felipe Saraiva, editor web de OLiberal.com)
Palavras-chave
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA