Mãe e padrasto estupravam a filha de 9 anos: 'Normal'

Mulher nega abuso, mas padrasto confessa que estuprava a menina

Redação Integrada com informações de O Tempo

Uma criança de 9 anos vivia um pesadelo havia quatro anos. Ela era estuprada pela mãe e pelo padrasto, ambos de 39 anos. O casal foi preso e o homem deu uma declaração chocante: para ele era “normal” a situação. O crime começou a ser investigado em junho e teve desfecho neste mês.

A criança, que é surda, pediu socorro por um áudio de WhatsApp à tia paterna para acabar com o sofrimento dela. A criança era abusada havia quatro anos pela mãe e pelo padrasto, em uma casa de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Como acontece com muitas vítimas, elas se sentem responsáveis e impuras. Por isso, na gravação, a garotinha suplica à parente que não sinta nojo dela por causa dos estupros. O caso foi divulgado pela Polícia Civil na quinta-feira (2), e os suspeitos já estão presos.

O crime começou a ser investigado em junho, um dia depois de a vítima transmitir o áudio à tia. A menina vive com o pai, que também é surdo, mas passava dias com a mãe, no bairro Jardim Vera Cruz. Na mesma casa, além do casal, vivia a irmã por parte de mãe da menina de 2 anos. O medo de a caçula ser estuprada levou a vítima a denunciar o crime.

"Inicialmente, familiares da vítima nos procuraram na delegacia de Contagem contando que ela era abusada desde os 5 anos e tinha contado que era por parte da mãe e do padrasto. No áudio para a tia, a menina pedia para que acreditassem nela e que não a achassem nojenta. E a maior preocupação dela era com a irmã, o que poderia acontecer já que a vítima não mora com a mãe", explicou a delegada Mellina Clemente.

A mãe negou o estupro ao ser presa, tentando colocar a culpa em familiares paternos da criança. Mas o padrasto deu detalhes do crime. Os depoimentos foram realizados com a ajuda de um intérprete de libras da Associação de Surdos de Contagem, pois os suspeitos também são surdos.

"A mãe praticava diretamente os abusos, masturbava a criança e incentivava o companheiro a praticar os atos. Eles também mantinham relações sexuais com a criança. Foi uma das oitivas mais difíceis de se fazer até mesmo pelo que o padrasto relatava. O intérprete tem muita experiência em libras, a gente fazia a pergunta para ele, ele reportava para os investigados e depois nos dava a resposta", detalhou a policial.

O padrasto disse que como era só masturbação, sem conjunção carnal, era um ato “normal”, não seria crime. A polícia encontrou no celular do homem imagem da filha de 2 anos tomando banho, mas ele negou que tenha abusado dela.

A psicóloga e investigadora Roberta Rodrigues, que atendeu à menina, disse que abalo emocional era forte, pela coação feita pela mãe. "A gente faz o procedimento de escuta especializada até para diminuir a possível revitimização da criança que é vítima de abuso sexual. Deixamos à vontade para falar no tempo dela, e foi observado que existia uma coação por parte dos autores, principalmente por parte da mãe. Ela falava para filha que, se contasse para alguém dos abusos sexuais, se mataria, deixaria de ser mãe dela, deixaria de amá-la. Isso provoca na criança uma confusão de sentimentos. Ela não quer perder o amor da mãe, mas ao mesmo tempo é uma agressora", explicou a psicóloga.

O casal teve prisão preventiva e foi encaminhado ao sistema prisional. Eles vão responder pelos crimes de estupro de vulnerável e satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente (quando a relação sexual é praticada na frente de menores de idade). O caso ainda tem o agravante por ser mãe e padrasto da criança. A criança foi encaminhada para receber acompanhamento psicológico.

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