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Volume de água desperdiçada na Grande Belém poderia abastecer 250 mil pessoas por ano

Índice de perdas chega a 70%; concessionária executa um grande plano focado em recuperar esse recurso para garantir água com regularidade nas torneiras

O Liberal

Entre as estações de tratamento e as torneiras dos moradores, as perdas de água chegam a cerca de 70% em Belém e Ananindeua, podendo alcançar 85% em Marituba. Isso significa que mais da metade da água produzida, que já deveria estar beneficiando os moradores, se perde pelo caminho. O volume desperdiçado poderia abastecer 250 mil pessoas por ano. O balanço comparativo foi divulgado pela concessionária Águas do Pará, que está executando um grande plano de recuperação do sistema de abastecimento.

Em celebração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, nesta sexta-feira (5/6), a concessionária destacou que o combate ao desperdício de água é uma urgência dentre suas ações de sustentabilidade. O objetivo principal é fazer com que cada gota recuperada cumpra o seu papel essencial, que é chegar com muito mais regularidade e qualidade às torneiras da população. Segundo a concessionária, o desafio para transformar a realidade de perdas é imenso.

“O cenário é resultado de décadas de problemas operacionais, tubulações antigas, vazamentos invisíveis e ligações irregulares. Para a concessionária, combater esse desperdício não é apenas uma forma de preservar o meio ambiente, mas, acima de tudo, a garantia de que não faltará água para as famílias”, detalhou em nota.

Investimento

Para mudar isso, a Águas do Pará está destinando mais de R$ 189 milhões apenas em 2026 para investir em Belém, Ananindeua e Marituba. Deste montante, mais de R$ 100 milhões são focados exclusivamente na capital.

"Estamos trabalhando para recuperar mais de 13 bilhões de litros d’água por ano. É água suficiente para abastecer uma cidade do porte de Marabá, com cerca de 250 mil habitantes, por um ano, por exemplo”, destaca o gerente executivo de operações, Lucas Damasceno.

A modernização do sistema inclui a substituição de equipamentos, a instalação de bombas-reserva e automação. São melhorias estruturais que não só vão reduzir as perdas como também permitir que a água chegue com mais regularidade na casa das pessoas, conforme afirmou a concessionária.

Tecnologia mapeia vazamentos invisíveis

Em paralelo às obras de infraestrutura, a tecnologia tem sido a principal aliada no mapeamento da água que está se perdendo na rede. A concessionária informou que está instalando válvulas inteligentes nos reservatórios e alguns pontos de controle da cidade, chamados de Pontos de Controle de Pressão (PCPs), que permitem acompanhar, em tempo real, o volume e a pressão da água distribuída para os bairros. Com isso, é possível identificar instabilidades de forma rápida e controlar a operação, diminuindo o estresse nas tubulações.

image Geofone ajuda a identificar vazamentos invisíveis a olho nu (Foto: Divulgação Águas do Pará)

Nas ruas, equipes especializadas realizam uma varredura detalhada. Ao todo, 3.500 quilômetros de redes, que em linha reta, representa a distância entre Belém e Buenos Aires, na Argentina - estão sendo mapeados com o uso de um equipamento chamado geofone que funciona como uma espécie de "raio x”, capaz de detectar, a partir do som, os vazamentos que ocorrem debaixo da terra e não afloram na superfície. Além disso, centenas de novos hidrômetros de monitoramento estão sendo instalados para acompanhar a distribuição.

Foco para este ano

Até dezembro deste ano, o foco da Águas do Pará será reduzir as intermitências; em seguida, melhorar a pressão (força que a água chega às torneiras); e então, garantir volume. A meta da recuperação do sistema é garantir o funcionamento 24h por dia, sem intermitências.

“Para tornar isso possível, a empresa mantém equipes operando 24 horas por dia, em regime ininterrupto, com infraestrutura de monitoramento e resposta ativa diuturnamente para atuar tanto em manutenções programadas quanto em ocorrências emergenciais, buscando reduzir o tempo de resposta e dar mais segurança à operação do sistema de abastecimento na Região Metropolitana”, reforçou a nota.

Maior investimento da história do saneamento na Amazônia Legal

A Águas do Pará vai também detalhou que vai investir no estado mais de R$ 18,7 bilhões ao longo de 40 anos de contrato, o que faz deste o maior investimento da história do saneamento na Amazônia Legal. A concessionária será responsável pelos serviços de água e esgotamento sanitário em 126 municípios, atendendo 5,5 milhões de pessoas. A meta é alcançar de forma progressiva, até 2033, 99% de cobertura de abastecimento de água nas regiões Metropolitana de Belém, Marajó, Nordeste, Sudeste, Sudoeste e Baixo Amazonas.

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