Buraco, lama e alagamento: moradores denunciam ruas precárias em Mosqueiro

Entre os pontos mais críticos estão a rua José Augusto Barros e a rua Luís de Camões, ambas localizadas no bairro São Francisco, onde buracos, lama e alagamentos dificultam a mobilidade

Dilson Pimentel

Além dos problemas enfrentados nas áreas da saúde e da erosão costeira, moradores da ilha de Mosqueiro, distrito administrativo de Belém e um dos destinos turísticos mais procurados do Pará, denunciam também a precariedade das vias públicas. Entre os pontos mais críticos estão a rua José Augusto Barros e a rua Luís de Camões, ambas localizadas no bairro São Francisco, onde buracos, lama e alagamentos dificultam a mobilidade da população e comprometem o acesso às praias da região.

Segundo os moradores, a rua José Augusto Barros está completamente abandonada pelo poder público. A via, que serve de acesso à praia, apresenta grandes crateras, acúmulo de água e lama, tornando o tráfego inseguro, principalmente por se tratar de uma ladeira. Os moradores afirmam que enfrentam diariamente riscos de acidentes, prejuízos financeiros e dificuldades de locomoção.

O autônomo Clayton Silva, de 44 anos, integrante do Movimento Tudo por Mosqueiro, apresentou protocolos protocolados junto à Prefeitura de Belém solicitando o asfaltamento da rua José Augusto Barros e da rua Luís de Camões. Segundo ele, os pedidos mais recentes tramitam desde outubro de 2025. “A rua José Augusto Barros vem passando, ao longo de 130 anos, que é a idade de Mosqueiro, por uma situação muito difícil, porque é um acesso de praia. E, com essa rua quase intransitável, como é que a gente vai conseguir fomentar emprego, renda e turismo, que é uma praia turística?”, questionou.

Clayton contou ainda que caminhões de abastecimento de empresas que transportam cervejas e refrigerantes enfrentam dificuldades para transitar pela via. Segundo ele, a falta de pavimentação e saneamento básico já provocou o fechamento de pelo menos dez restaurantes na área. “Por omissão do governo, que não fez pavimentação asfáltica e nem saneamento básico, fecharam dez restaurantes lá, porque não tem como se sustentar com uma rua dessa quase intransitável”, afirmou.

O morador disse ainda que existem diversos protocolos registrados junto ao gabinete do prefeito Igor Normando, além de solicitações apresentadas por vereadores. Recentemente, um novo pedido foi protocolado por meio do programa Viva Bairro. “Perguntei para a Prefeitura de Belém se precisava fazer um protocolo atual. Disseram que sim. Fizemos o protocolo e agora aguardamos que a Prefeitura venha com seus engenheiros”, explicou.

VEJA MAIS:

image Problemas na estrutura da Ponte do Cajueiro causam preocupação em Mosqueiro
Frequentadores denunciam falta de manutenção, parapeitos quebrados e sinais de deterioração nos pilares da ponte, localizada em Carananduba, na Ilha de Mosqueiro, em Belém

image Erosão avança sobre praias de Mosqueiro e moradores denunciam abandono da orla
Comerciantes relatam prejuízos econômicos, fechamento de restaurantes e risco para quem circula pela orla da ilha

image A dona de casa Jaqueline Amaral de Lima e a filha dela, Francyne, de 11 anos: a criança perde aulas por causa da situação da rua (Foto: Ivan Duarte | O Liberal)

"Tem buraco de 50 centímetros”, diz morador

Clayton mostrou ainda uma trena para demonstrar a profundidade dos buracos existentes na ladeira, com a qual mediu a profundidade da cratera. “Tem buraco de 50 centímetros. Quando chove, isso aqui vira um rio, uma cachoeira. A água desce da pista, carregando pedras, e vai desaguar lá embaixo, contaminando a praia”, afirmou, segurando, nas mãos, os documentos que protocolou na Prefeitura de Belém. “A gente vem desde 2022 com vários protocolos. Foi passado e-mail, temos todo um acervo, mas até hoje não vemos nenhuma ação do poder público”, disse Clayton Silva.

O também autônomo Francisco Coelho de Nascimento, de 65 anos, afirmou que os problemas na rua são antigos e afetam até mesmo serviços essenciais. “Aqui não desce mais carros de polícia e de ambulância. Já houve quase óbito de pessoas idosas lá para dentro porque a ambulância não consegue descer. Uber não quer entrar, só vem até aqui”, contou. Ele acrescentou que moradores fizeram uma coleta para colocar concreto em parte da via, mas a força da água tem destruído o serviço improvisado. “O poder público poderia dar uma força pra gente, mas parece que nós não existimos pra eles. Só lembram da gente na hora do voto”, criticou.

A dona de casa Jaqueline Amaral de Lima, de 36 anos, também citou os impactos causados pela situação da rua. Segundo ela, em dias de chuva, muitas vezes não consegue levar a filha à escola. “Qualquer chuvinha que dá, a rua vai toda no fundo. A gente enfrenta dificuldades no dia a dia e muitas vezes deixa de levar os filhos para a escola por causa da situação da rua”, afirmou.

Ela destacou ainda que ambulâncias, motoristas de aplicativo e outros veículos evitam entrar na área devido às crateras abertas na via. “Muitas casas estão sendo vendidas por conta das crateras que vêm abrindo na rua. Queremos uma atenção do poder público, porque há muitos anos sofremos com esse descaso aqui na ilha”, disse. A filha dela, Francyne, de 11 anos, contou que também é afetada pelos problemas. “Eu perco aula por causa dessa rua aqui. Eu quero uma atenção do poder público”, disse a aluna, que estuda em uma escola da Prefeitura de Belém. A Redação Integrada de O Liberal entrou em contato com a Prefeitura de Belém e aguarda retorno.

 

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Belém
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

ÚLTIMAS EM BELÉM

MAIS LIDAS EM BELÉM