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Usuários denunciam limite de vagas e dificuldade de acesso ao Espaço Acolher em Belém

De acordo com as denúncias, quem fica fora desse limite não consegue acesso ao abrigo

Gabriel Pires

Em meio às denúncias de violência e aos problemas já relatados no Espaço Acolher, usuários também questionam a capacidade de atendimento da unidade, como relatou André da Silva ao Grupo Liberal nesta quinta-feira (4). Ele aponta que, diariamente, apenas 40 pessoas são autorizadas a pernoitar no local mediante uma lista de inscrição. Segundo ele, quem fica fora desse limite não consegue acesso ao abrigo, mesmo diante da alta demanda por acolhimento de pessoas em situação de rua em Belém.

Para ele, que não tem onde morar, o abrigo representa uma alternativa temporária de proteção, mas a insuficiência do serviço tem o obrigado a buscar outras formas de passar a noite.  "Eu tenho testemunhas de que há colchões e camas lá dentro, mas estão colocando poucas pessoas. Pelo que eu sei, desde o começo eram 60 vagas, depois passaram para 70. Aí diminuíram tudo de novo. Agora reduziram para 40, eu acho. A coordenação até está com medo de mostrar a lista para nós. A gente quer saber quantas pessoas realmente estão lá.

Depois da inauguração do abrigo, o local também passou a ser onde ele faz a alimentação dele, mas que também enfrenta dificuldades. “Estamos aqui desde a manhã tentando conseguir uma vaga. Eu não consegui nem almoçar ainda por causa disso. Fica chato uma situação dessas”, comenta. “A população em situação de rua já enfrenta muitos problemas, inclusive de saúde mental. Aí acontece o que aconteceu ontem. Eu não almocei até agora e estou aqui desde cedo esperando uma vaga”, reforça.

“No máximo, entram 40 à noite. E o que acontece? Acontece confusão. Por isso, faço um apelo ao prefeito, que consiga mais um espaço como este, de preferência aqui por perto. Nós precisamos de mais um local para evitar mais confusões, brigas e transtornos. Este abrigo ajuda muitas pessoas, mas somos muitos vivendo nas ruas e isso daqui ainda não é suficiente Precisamos de mais apoio e de pelo menos mais uma unidade de acolhimento. Acredito que existe como resolver esse problema", acrescenta André.

Alimentação também é limitada

Usuários que entram na unidade para jantar e saem em seguida podem ser suspensos por até uma semana, ficando impedidos de retornar ao abrigo durante esse período. É o que relata o usuário do local, Josafá Barbosa. "Eles criaram uma regra de suspensão para quem entra, janta e depois sai do abrigo. Só por causa disso, a pessoa recebe uma suspensão de uma semana. Eu não acho isso certo. Se a pessoa entrou, jantou e saiu, por que não pode voltar no dia seguinte? Ela fica impedida de retornar durante uma semana inteira”, comenta.

“Acho isso injusto. É preciso olhar para a realidade de quem está em situação de rua, de quem é vulnerável. Essas pessoas precisam do abrigo e não podem ser impedidas de acessar o serviço dessa forma. Estão limitando quem pode entrar aqui, e eu não concordo com isso”, pontua Josafá.

Posicionamento

Em nota, a Prefeitura de Belém informou que os guardas municipais envolvidos na situação da pessoa em situação de rua foram imediatamente afastados de suas funções, assim como já instaurou Processo Administrativo Disciplinar - PAD - para estes servidores efetivos da Guarda Municipal de Belém, seguindo todos os trâmites necessários de apuração e rigor. “A Polícia Civil foi acionada logo após o ocorrido e um boletim de ocorrência foi registrado na delegacia”, afirma. 

“A PMB informa ainda que o cidadão em situação de rua foi recebido no abrigo Espaço Acolher para pernoite, dentro das normas de instalações do equipamento. O acolhido recebeu jantar e kit de higiene pessoal, assim como vaga em um dos quartos do Espaço, local que já vinha recebendo o usuário de forma paulatina, desde sua abertura, em fevereiro de 2026”, completa o comunicado. 

A gestão ainda completa: “A Prefeitura de Belém ressalta que todo o trabalho realizado junto às pessoas em situação de rua é de extremo cuidado, escuta ativa, acolhimento e humanização e que não admite qualquer forma de violência”.

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Belém
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