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Talentos paraenses ganham destaque nacional e internacionalmente na dança e na educação

A bailarina Jeeh Diana se prepara para representar o Pará em Joinville, enquanto a estudante Carolina Sisnando comemora a aprovação em uma das universidades mais prestigiadas da Ásia

Gabriel Pires
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Paraenses de trajetórias distintas, mas movidas pela mesma força de superar limites, vêm levando o nome do estado e se destacando muito além de onde nasceram e construíram a sua vida. Jeeh Diana Muniz, de 29 anos, bailarina com nanismo, se prepara para representar o Pará no Festival de Dança de Joinville 2026, após meses de treinamento ao lado da coreógrafa Kayla Meiguins. A estudante Carolina Sisnando, 18, celebra a recente aprovação na Tsinghua University, em Pequim, uma das instituições mais prestigiadas da Ásia. Em áreas tão diferentes quanto a arte e a educação, as duas representam grandes conquistas.

A decisão da bailarina de participar da competição veio em 8 de abril, quando faltavam poucos dias para o fim das inscrições. Determinada, Jeeh pediu que a coreógrafa montasse uma coreografia em apenas quatro dias: um solo que narrasse sua trajetória e superação na dança, ao som de uma música de Elis Regina. Os ensaios têm sido intensos, duas vezes por semana e por várias horas, para que ela chegue bem preparada.

Ela conta que esta é a segunda vez que participa do Festival de Dança de Joinville: a primeira foi em 2003, quando se apresentou apenas no palco aberto. Agora, pela primeira vez, competirá oficialmente. A competição será entre os dias 20 de julho e 1º de agosto, e a bailarina ficará em Joinville do dia 20 ao dia 26, quando deve se apresentar na primeira semana do evento. A expectativa já é grande para esse momento.

“Desde o início, eu já tinha certeza de que iria passar, mas sempre bate aquele medo. Uma coisa em que eu me baseio muito é a fé. Eu sempre vivo pela fé. A gente começou a coreografar no dia 8 de abril, e o vídeo deveria ser enviado até o dia 12. Porém, Deus estava conspirando tanto para que eu fosse que as inscrições foram prorrogadas até o dia 16. Então, no dia 16, às 23h45, eu enviei o vídeo. Foi gravação, edição e envio tudo no mesmo dia. No dia 12 de maio, foi aprovado”, relata.

Representatividade

Para a bailarina, a conquista é carregada de representatividade. A participação não é apenas uma simples ida à competição, mas representa ocupar espaço. “Para mim, é muito gratificante levar duas coisas que, infelizmente, ainda sofrem muito preconceito: a região Norte, levar o nome do Pará, e também ser uma pessoa PCD, uma pessoa com nanismo”, relata Diana.

“Cada dia mais a gente quebra paradigmas, a gente quebra barreiras. É muito gratificante, é surreal levar o nome do nosso estado para o maior festival de dança do mundo, o Festival de Dança de Joinville. Ali tem pessoas do mundo inteiro, então todo mundo vai saber que ela é a bailarina com nanismo do Pará. É uma felicidade muito grande”, pontua.

Pelo nanismo, um dos maiores desafios da jovem foi quando uma professora falou que ela não tinha o pé adequado para subir numa sapatilha de ponta, algo que não impediu nem limitou a bailarina. “Foi um momento que, até pouco tempo atrás, fazia eu achar que o erro era o meu corpo. Certa vez, uma professora de balé de pontas falou que o colo do meu pé é muito bonito e que o problema nunca foi meu pé: sempre foram as sapatilhas que não se adequavam ao meu pé”, relata.

“E eu sempre falo que tenho que fazer sete vezes mais do que uma pessoa alta, entre aspas, ‘normal’. Porque, se uma bailarina tem que levar a perna até 90°, eu tenho que levar até 180°. Então eu sempre tenho que fazer sete vezes mais do que as outras bailarinas. Tanto dentro da sala de aula quanto nos ensaios”, acrescenta.

Trajetória internacional

Tendo concluído o ensino médio no ano passado, a estudante Carolina Sisnando também rompeu expectativas ao decidir estudar em Pequim. Ela conta que foi aprovada na Tsinghua University entre o final de abril e o início de maio, período em que recebeu o resultado, embora não se lembre do dia exato. Na China, começará o curso “Líderes em uma Sociedade Inteligente”. Para ela, é interessante unir ciências sociais tradicionais, como economia, política, sociologia e direito, à tecnologia e à programação.

“Desde pequena eu sabia que ia estudar fora do Brasil, porque eu sempre quis trabalhar com diplomacia, que é uma área que no Brasil só tem campo para funcionário público. Mas, quando eu vi que o funcionalismo público não era para mim, larguei mão das faculdades brasileiras e fui tentar uma faculdade fora. Eu me preparei para estudar fora, só que me preparei para o padrão, que é Estados Unidos e Europa”, relata.

Ela afirma que vê em sua trajetória um papel de pioneirismo nesse processo de democratização e divulgação sobre como funciona o acesso a estudos na China, algo que considera fundamental. “Eu tenho muitos projetos para fazer na China. Quero começar a estimular a entrada de alunos brasileiros na Tsinghua, com um foco especial para as pessoas do Norte, para as paraenses”, diz.

“E isso significa uma responsabilidade, inclusive a responsabilidade de devolver para a terra que me deu tudo, seja o Pará, seja o Brasil. A gente precisa entender que também consegue entrar nesses lugares, sempre com muita humildade, fazendo o processo direito, conhecendo a legalidade, mas compreendendo que, se a gente se esforçar e tiver oportunidades, vai chegar lá. Então, para mim, o essencial é que os jovens paraenses entendam que é possível”, acrescenta a estudante.

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Belém
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