Servidores da saúde de Belém protestam na Sesma e pedem abertura de mesa permanente de negociação
Entre as principais pautas apresentadas pela categoria está a implantação do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR)
Profissionais municipais da saúde de Belém realizaram, na manhã desta quarta-feira (3), um protesto pacífico em frente à Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), no bairro de São Brás, na capital paraense. A mobilização começou por volta das 8h30 e foi convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Estado do Pará (Sindsaúde-PA) em defesa do serviço público e da valorização dos trabalhadores da saúde municipal.
Entre as principais pautas apresentadas pela categoria estão a implantação do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR), a equiparação e o reajuste salarial, a retomada da gratificação AMAT, a criação de uma mesa permanente de negociação e melhorias nas condições de trabalho e na assistência prestada pelo Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores de Belém (IASB).
A categoria também explicou que o ato foi realizado em meio a um processo de mobilização iniciado há cerca de 50 dias. Segundo a entidade, os trabalhadores buscam avanços nas negociações com a Prefeitura de Belém para garantir a valorização profissional da categoria e melhores condições para o atendimento prestado à população nas unidades municipais de saúde.
Segundo Mairraule Souza, um dos coordenadores do sindicato, a manifestação reuniu um conjunto de reivindicações consideradas prioritárias pelos servidores da saúde municipal. Ele afirma que um dos principais problemas enfrentados pela categoria é a defasagem salarial, além da falta de avanços em pautas históricas dos trabalhadores. “Há muito tempo, o salário básico das pessoas que trabalham na Sesma está abaixo do salário mínimo e cada vez mais se degradando. Então, um dos pontos de pauta é esse. O outro é a implantação do PCCR, para acabar com essa agonia de todo ano a gente estar aqui na porta do prefeito, pedindo aumento, gratificações e outras melhorias”, declarou.
O dirigente sindical também citou a reivindicação pela retomada da gratificação AMAT e melhorias no IASB, responsável pela assistência e previdência dos servidores municipais. Segundo ele, a expectativa da categoria era que as negociações avançassem ainda nesta quarta-feira.
“O Sindsaúde sempre promoveu atos pacíficos. Mas não é porque nós promovemos esse ato pacífico e com pauta definida que, se endurecerem do outro lado, a gente também pode endurecer. Mas isso eu acho que não vai acontecer, porque a comissão já está lá em cima para negociar com o diretor-geral da Sesma e a gente acredita que vai dar um resultado positivo”, afirmou.
Após a mobilização, representantes do Sindsaúde-PA foram recebidos pelo secretário adjunto da Sesma, Lélio Costa, além de integrantes da Diretoria de Recursos Humanos e da área de Educação em Saúde, para discutir as demandas apresentadas pelos trabalhadores.
De acordo com o coordenador-geral de Relações de Trabalho do Sindsaúde-PA, Ribamar Santos, o encontro resultou em compromissos considerados importantes para a categoria. Entre eles está a realização de uma reunião com a secretária titular da Sesma, prevista para a próxima segunda-feira, quando deverá ser formalizada a criação da mesa permanente de negociação dos trabalhadores da saúde municipal. “Ficou acertado que na segunda-feira (8) seremos recebidos pela secretária titular, onde oficialmente iremos estabelecer a criação da mesa permanente de negociação da área da saúde. Questões relevantes como o retorno da AMAT dos servidores da Vigilância em Saúde foram tratadas e discutidas, e há o compromisso de dar celeridade para que essa gratificação retorne aos trabalhadores”, afirmou.
Segundo Ribamar, durante a reunião também foram discutidos temas como a implantação do PCCR, valorização dos servidores, combate ao assédio moral e melhorias nas condições de trabalho. “O Sindsaúde cumpriu o seu papel, juntamente com a comissão representativa da base. Conseguimos esse compromisso por parte da gestão para dar início a esta mesa permanente de negociação e fortalecer o diálogo com os trabalhadores da saúde. A luta não acabou. A luta vai continuar e só será fortalecida com a participação efetiva dos trabalhadores nos atos e movimentos organizados pelo sindicato”, declarou.
O coordenador do Sindsaúde-PA, Fernando Silva, também avaliou positivamente os encaminhamentos obtidos após a reunião com a gestão municipal. Segundo ele, os avanços são resultado da mobilização e da organização dos trabalhadores ao longo dos últimos meses. “Acabamos de ter uma reunião com um dos diretores gerais da secretaria, o Lélio, e pactuamos algumas questões fundamentais para nós, trabalhadores. Isso reflete aquilo que nós fizemos nesse período de lutas e organização. A partir disso é que temos avançado em algumas conquistas”, disse.
Fernando destacou que a criação da mesa permanente de negociação representa um marco para os trabalhadores da saúde municipal. “Ficou acertado com a Secretaria de Saúde a possibilidade de implantar oficialmente a mesa permanente de negociação, na qual vamos discutir nosso plano de cargos e todas as questões que envolvem condições de trabalho e valorização dos trabalhadores municipais da saúde. É um momento importante para nós e também histórico por conta dos avanços que vamos poder construir a partir de agora no município de Belém”, concluiu.
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