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Promoção da saúde e reabilitação impulsionam procura pelo curso de fisioterapia em Belém

No vestibular da UFPA neste ano, o curso esteve entre os mais concorridos da instituição. Professores e estudantes da universidade, em Belém, relatam as potencialidades da formação nesse campo profissional

Gabriel Pires
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A promoção da saúde, a prevenção de doenças e a reabilitação de pacientes estão entre as funções que fazem da fisioterapia uma área cada vez mais valorizada por estudantes e também por quem pretende ingressar na graduação. Esse interesse também se reflete no vestibular da Universidade Federal do Pará (UFPA). No Processo Seletivo de 2026, o curso esteve entre os mais concorridos da instituição. Professores e estudantes da universidade, em Belém, relatam as potencialidades da formação nesse campo profissional.

Atualmente, o curso de fisioterapia da UFPA possui 155 alunos matriculados, como detalha a coordenadora do curso na instituição, Mellina Monteiro Jacob. Com a chegada dos calouros deste ano, o total passará para 185 estudantes. Ao todo, a graduação oferta 30 vagas por ano. Mellina ressalta que o aumento na procura pela graduação deve-se, geralmente, à expansão do mercado de trabalho. O profissional é, segundo ela, essencial no atendimento à saúde, atuando em diversas áreas, como unidades de terapia intensiva, esporte de alto rendimento, saúde da mulher e no Sistema Único de Saúde (SUS).

“O nosso curso, especificamente, tem um diferencial: a formação baseada em metodologias ativas. Ou seja, o aluno é um agente ativo do próprio processo de aprendizagem. Desde os primeiros semestres, o estudante é confrontado com situações e problemas reais e é estimulado a buscar soluções para esses desafios. Esse processo contribui para o desenvolvimento de maior autonomia e senso crítico, além de favorecer a tomada de decisões baseadas nas melhores evidências científicas”, detalha a professora.

Na UFPA, o curso é composto por 10 semestres, com duração total de cinco anos. As aulas são divididas entre momentos teóricos e práticos, sendo as atividades práticas realizadas sob a supervisão dos professores. A coordenadora do curso ainda enfatiza: “A fisioterapia é uma profissão de primeiro contato. O profissional fisioterapeuta pode atuar em diversas áreas e não somente em áreas hospitalares, mas ambulatoriais. E em unidades de saúde também. Há uma abrangência grande dessa profissão. O fisioterapeuta é um profissional que tem a possibilidade de atuar tanto na prevenção, quanto na reabilitação”.

Mellina afirma ainda que, na UFPA, o tripé ensino, pesquisa e extensão é seguido de forma a potencializar o processo de ensino-aprendizagem do estudante. Dessa forma, o aluno pode ter contato com diversas dimensões da formação acadêmica e participar de projetos de pesquisa durante a graduação.

“O aluno também tem a oportunidade de participar de projetos de pesquisa, aprendendo com professores que são pesquisadores de alto nível. Na extensão, ele tem contato direto com a comunidade. Assim, surge a possibilidade de devolver à comunidade os conhecimentos e ensinamentos que recebe durante a formação na faculdade”, reforça a coordenadora.

image Mellina Monteiro Jacob é coordenadora do curso de fisioterapia na UFPA, em Belém (Foto: Thiago Gomes | O)

Desenvolvimento de pesquisa

Na pesquisa, os alunos podem ingressar em atividades de pesquisa por meio da iniciação científica. A universidade possui programas de bolsas de iniciação científica e também de extensão, aos quais os estudantes podem concorrer. Além disso, ao longo das atividades acadêmicas de ensino, há práticas extensionistas. São ações que envolvem atendimento à comunidade. Assim, durante o curso, o aluno tem diversas oportunidades de participar dessas experiências e desenvolver essas práticas”, acrescenta Mellina.

Atuação profissional

Para o professor da Faculdade de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFPA, Maurício Magalhães, a fisioterapia, como profissão regulamentada no Brasil desde 13 de outubro de 1969, possui um pouco mais de 50 anos e teve um atrativo considerável enquanto profissão nos últimos anos. Magalhães destaca que a pesquisa também promove melhorias na funcionalidade e na qualidade de vida dos pacientes, gerando resultados satisfatórios em diversas áreas, como queixas musculoesqueléticas, cardiovasculares e neurofuncionais.

“Atualmente, existem 16 especialidades da fisioterapia que são reconhecidas pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Na UFPA, também pode-se fazer mestrado e doutorado e seguir a carreira acadêmica como docente”, frisa. “Esse crescimento da nossa profissão, devido à ciência, muito se dá pelas universidades. Isso porque é nas universidades onde nós produzimos ciência de qualidade para poder continuar comprovando a efetividade das nossas intervenções”, completa Maurício.

Como parte das atividades práticas do curso na UFPA, o projeto “Assistência e Prevenção das disfunções da coluna vertebral”, desenvolvido pela faculdade de fisioterapia, realiza atendimentos à população e exemplifica como iniciativas de ensino, pesquisa e extensão podem ampliar o interesse dos candidatos. Atualmente, há seis estudantes de graduação e um de pós-graduação atuando na iniciativa, que é gratuita.

“A gente presta um tratamento gratuito e de qualidade, com foco em evidências científicas, para melhorar a qualidade de vida de pessoas que apresentam queixas na coluna vertebral. Atendemos pacientes com hérnia de disco, com ‘bico de papagaio’, como é popularmente conhecido, além de pessoas com dores crônicas na coluna e casos de escoliose”, detalha o professor.

Fisioterapia

A estudante de mestrado na UFPA, Amanda Mafra, procurou atendimento fisioterapêutico devido a uma "dor nas costas, na lombar".  Após o início do tratamento, Amanda afirma ter sentido melhora, destacando que antes tinha alguns movimentos que eu tinha bastante limitação em fazer. “A partir do momento que eu comecei a fazer aqui a fisioterapia, eu notei uma grande melhora, que eu já consigo fazer a execução dos movimentos." A estudante de Biologia, que atualmente é mestra em Ciência Animal, está perto de finalizar o ciclo inicial de atendimento: "Já tô quase finalizando. Já vai para fazer a reavaliação para ver se ainda precisa continuar ou não", explica.

Experiência de estudantes

A estudante do quarto semestre de fisioterapia, Fabiola Santiago, afirma que o curso oferece uma grande quantidade de prática clínica e teoria, o que permite aos estudantes abrangerem as inúmeras áreas de atuação da fisioterapia. Ela enfatiza que, em um projeto recente, os alunos estavam focando na prevenção e assistência relacionadas às funções da coluna vertebral, ampliando seu conhecimento. "A fisioterapia trabalha na saúde da mulher, do atleta, além de públicos como o do idoso e da criança. Então, a gente consegue abranger desde o recém-nascido até o idoso. Isso chama atenção", pontua.

"Eu sempre quis cursar fisioterapia. Faço atividade física desde os 15 anos, principalmente musculação e corrida. Por isso, a área musculoesquelética, voltada ao desenvolvimento e à reabilitação, sempre me chamou muita atenção. Quando comecei a pesquisar para prestar o Enem e ingressar no curso de fisioterapia, procurei conhecer melhor as áreas de atuação e acabei me apaixonando ainda mais pela profissão. Foi algo que eu realmente sempre quis, e estudei para estar aqui hoje", acrescenta a estudante.

Para a também estudante de fisioterapia, Ana Laura Fazzi, que está cursando o quarto período, o curso era um sonho de infância. "Desde pequena eu tive contato com a fisioterapia, porque passei por algumas dificuldades de saúde. Por isso, sempre tive interesse pela área da saúde em geral. No início, o plano não era apenas a fisioterapia. Na primeira vez que tentei o vestibular, queria medicina como primeira opção e fisioterapia como segunda. Mas depois revi minhas ideias e decidi escolher apenas fisioterapia. Entrei em 2024 já com esse pensamento, de seguir na área e me tornar fisioterapeuta no futuro", relata.

"Temos dados recentes que mostram o crescimento da procura pela área. Não apenas aqui no Pará, mas em todo o Brasil. Isso porque temos uma população muito grande e ainda formamos poucos fisioterapeutas. Mesmo com essa ampliação e modernização dos cursos de fisioterapia em todo o país, o número de profissionais formados ainda é insuficiente para atender à demanda da população", completa a graduanda.

Ela destaca, também, a atuação integrada da área, que é um grande incentivo: "Não é só o médico que avalia e que prescreve, não é só o enfermeiro que atua na saúde, não é só o técnico, nem só o fisioterapeuta. A saúde tem que ser compartilhada, ela tem que ser toda integrada".

Serviço

Projeto de Extensão Assistência e Prevenção das Disfunções na Coluna Vertebral

Atendimento: aberto à comunidade

Dias de atendimento: terça e sexta-feira

Horário: 8h às 10:30h

Local: Faculdade de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, próximo ao Hospital Bettina Ferro, no campus Guamá, com entrada pelo portão 4, da Universidade Federal do Pará (UFPA), localizado na avenida Perimetral.

Contato: atendimento.colunavertebral@gmail.com

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