Portas fechadas e pouco convívio com Belém motivam explosão de chikungunya

Casos triplicaram ano passado, confirma a vigilância epidemiológica da Sesma

Dilson Pimentel

A velocidade com que a chikungunya avança sobre a área metropolitana de Belém é um impacto do pouco tempo com que a população convive com a doença e também do impedimento do próprio acesso a locais onde resistem focos de mosquitos - o que potencializa o desafio imposto ao esforço de imunização: é o que afirma a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), ao comentar o recente anúncio de aumento de casos de chikungunya em relação a 2017. Eles triplicaram na capital em 2018, confirmou o último boletim epidfemiológico da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), embora as incidências da dengue e da zika tenham caído.

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Em 2017, a Sesma contabilizou 970 casos de chikungunya. Em 2018, a doença alcaçou os 3.019 registros. E os bairros com a maior incidência são Águas Lindas, Marco, Marambaia, Canudos e Paracuri. "O chikungunya é uma doença para a qual população ainda está altamente suscetível", alertou o coordenador da Divisão de Controle de Endemias da Sesma, David Rosário. "A doença entrou no município há pouco tempo. E a maioria da população ainda não foi imunizada", justifica.

GARGALOS

O mapeamento da Sesma mostra que a doença, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, está distribuída de forma pontual em vários bairros - e avança justamente onde a fiscalização municipal não consegue maiores vitórias: terrenos propícios ao acúmulo de água e dificuldades impostas à presença aos agentes de endemias, principalmente entre imóveis com focos do Aedes que permanecem fechados durante o dia todo, com  proprietários trabalhando fora.

Frente ao impedimento às visitas domiciliares, a Sesma opta pela estratégia das ações de educação e sensibilização social. "Vamos para as escolas fazer as palestras. Também reunimos lideranças comunitárias e fazemos mutirão", afirmou o coordenador da Divisão de Controle de Endemias da Sesma. 

PORTAS FECHADAS

Outro obstáculo, aponta David Rosário, é a recusa dos moradores em permitir a entrada dos agentes em suas residências. "Isso acontece mesmo quando o agente está devidamente identificado e usando crachá", afirma.

Essa recusa ocorre pelo receio das pessoas, que temem tentativas assalto. "É por insegurança, na maioria das vezes".

Ressaltando que "o poder público está tomando todas as medidas necessárias para o controle da doença", David Rosário também pede à população que ajude na prevenção e no controle. "Precisamos não deixar água parada, recipientes com água, verificar as calhas, caixas de passagem, caixas d’água, folhagens do quintal. Até uma tampinha de refrigerante pode acumular água e, lá, nascer o aedes", alertou.

A coordenação da Divisão de Controle de Endemias da Sesma diz que já está sendo feito novo levantamento das áreas prioritárias para receber as ações da Sesma. "Mediante o resultado desse levantamento que estamos realizando agora, serão traçadas as ações para esse primeiro bimestre, de janeiro a fevereiro, para que sejam iniciadas as ações focando nas áreas prioritárias", afirmou David Rosário.

AGENTES 

O combate ao mosquito Aedes aegypti é feito durante o ano todo pela Secretaria Municipal de Saúde de Belém, por meio do Departamento de Vigilância em Saúde. Atualmente, mais de 700 agentes de controle de endemias. Eles visitam diariamente os imóveis e áreas externas em busca dos focos do mosquito Aedes aegypti.

"É fundamental que a população abra a porta para o agente, que é profissional habilitado para inspecionar e possui o olhar apurado para identificar possíveis focos, fazer coleta e orientar os moradores na eliminação desses criadouros. Isso tudo queremos mostrar para população aqui no Dia D. A participação de todos é fundamental", disse Jovelino Aguiar, coordenador do Programa Municipal de Combate ao Aedes aegypti.

E, a cada dois meses, os agentes de endemias da Sesma realizam o Levantamento de Índice Rápido de Aedes aegypit (LIRAa) para medir a infestação do mosquito da dengue. Os agentes vistoriam residências, depósitos, terrenos baldios e estabelecimentos comerciais em busca de focos endêmicos. O levantamento serve para que os agentes identifiquem quais as localidades com maior índice de infestação e onde há maior presença da larva, que é o ponto de referência dentro dessa pesquisa amostral.

O LIRAa lança as informações e em seguida é feito um cálculo que dá em percentual o índice de infestação de cada bairro. "Nos bairros que apresentam maior índice de infestação fazemos ações prioritárias e entramos com uma atividade de intensificação de visitas, colocando um afetivo bem maior para o local com grande intensificação do foco", contou David.

"Para que nós possamos reduzir a infestação, fazemos o tratamento e a eliminação dos focos dentro dos imóveis", acrescentou. Os agentes também inspecionam cuidadosamente caixas d’água, calhas e telhados, realizam aplicação de larvicidas e inseticidas, caso existam focos e orientam quanto à prevenção e o tratamento de doenças infecciosas.
 

Belém