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Pontes precárias na Terra Firme preocupam moradores após queda de estrutura com caminhão

Região enfrenta dificuldades de acesso, acúmulo de lixo e risco diário para pedestres e motoristas

Dilson Pimentel
fonte

A precariedade das pontes de madeira na Terra Firme, em Belém, aumentou a preocupação dos moradores do bairro após o desabamento de uma estrutura na última segunda-feira (20), na avenida Celso Malcher, próximo ao muro da Eletronorte. Um caminhão carregado de aterro tombou após a ponte ceder. Segundo moradores, a ponte já apresentava problemas estruturais há meses.

Além do ponto onde houve o desabamento, outras áreas também enfrentam problemas críticos, como as pontes localizadas nas passagens Ligação e Dom Manoel, por onde há intenso fluxo de carros de passeio, motocicletas, ciclistas e pedestres. Na cabeceira da ponte que caiu, assim como nas demais, o acúmulo de lixo agrava ainda mais o cenário. Morador da área, o lavador de carros Raimundo Marques Silva relatou que a situação é recorrente. “Quebrou essa ponte aí. Essa já é a quarta ponte que eles fazem. O morador é que sofre”, disse. “Tem que ser ponte de concreto. A ambulância não pode mais passar por aqui”, completou ele, que não informou a idade.

Ainda segundo Raimundo, após o desabamento, o tráfego ficou ainda mais comprometido. “Carro de lixo também não passa mais aqui”, afirmou, ao contar que, na manhã desta terça-feira (28), atravessou o local de bicicleta com medo. O ambulante Renato Barbosa, de 65 anos, também apontou dificuldades de deslocamento após a queda da ponte. Com medo de acidente, ele contou que dá uma volta pela área para não passar por essa ponte na avenida Celso Malcher.

Ele também defendeu a construção de uma estrutura mais resistente. “Uma ponte de concreto porque, do jeito que está, o risco de acidente é grande”, afirmou. A empregada doméstica Vanilda da Silva Borges, de 65 anos, disse que o problema é antigo e cobra soluções definitivas. “Não tem condição. Isso já vem de muito tempo, querido. Eles só fazem ponte de madeira. O ideal é colocar uma ponte de concreto”, afirmou, referindo-se à ponte na avenida Celso Malcher com a passagem Vera Cruz.

Ela citou a falta de obras estruturantes na área, mas, nesse momento, defendeu obras emergenciais. “Aqui moram pessoas. É lixo, é cobra... Tudo tem nesse canal”, afirmou. “Cadê o dinheiro do povo? Tem que fazer (essa obra) antes das eleições. Porque a gente paga imposto, paga tudo. Mas cadê o dinheiro?”, perguntou. Outra ponte em situação crítica fica na passagem Ligação, próximo à passagem Dom Manoel. Ali trabalha o assador de frango Jorge Ribeiro, de 49 anos.

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A situação persiste há dois anos e até acidentes já aconteceram no local, segundo o morador

image A empregada doméstica Vanilda da Silva Borges, de 65 anos: “Cadê o dinheiro do povo?" (Foto: Thiago Gomes | O Liberal)

“São cinco pontes e nenhuma presta”, diz morador

Ele afirmou que o problema não se limita a uma única ponte. “Na verdade, são cinco pontes e nenhuma presta. Todas em estado precário. O poder público deveria dar uma olhada”, afirmou. Jorge destacou os riscos para a população, especialmente crianças. “Aqui tem um centro comunitário, uma creche, que as crianças passam tanto por essa como por aquela ponte”, disse. “Essa daqui (a ponte na passagem Ligação) já ‘arriou. Aquela lá (na passagem Dom Manoel) está para cair. Arrisca a gente a vida dos moradores”, disse.

Foi por essa ponte na passagem Dom Manoel que, de motocicleta, a empresária Vanessa Silva, 51 anos, passou na manhã desta terça-feira (28). “Essa ponte aqui tá caindo. Passa carro, passa moto. E ninguém faz nada”, disse. Ela atravessou a ponte com muita cautela, porque, pela ponte, também passam muitas crianças, além de carros particulares e ciclistas. Ainda segundo o assador de frango Jorge Ribeiro, o desabamento da ponte na avenida Celso Malcher agravou ainda mais a mobilidade na região.

“Outro dia caiu uma caçamba lá, interditando mais ainda a ponte. Praticamente estamos sem acesso aqui”, disse. Segundo ele, ‘a válvula de escape’’ de quem transita pela passagem Ligação é seguir pela passagem Dom Manoel - uma fica pertinho da outra -, que dá acesso, por exemplo, à Universidade Federal do Pará e à UPA da região. “E está nessa situação aqui. Infelizmente não tem como mais transitar mais”, concluiu. Mesmo em estado precário, é intenso o fluxo de carros de passeio, motos, ciclistas e pedestres por essas pontes de madeira na Terra Firme.

image Assador de frango Jorge Ribeiro, de 49 anos, trabalha na passagem Ligação. "São cinco pontes e nenhuma presta”, diz (Foto: Thiago Gomes | O Liberal)

Ações da prefeitura

Procurada para comentar o assunto, a prefeitura informou que, na manhã do dia 13 de abril deste ano, o prefeito Igor Normando esteve na Terra Firme para acompanhar o início das várias frentes de obras nas ruas do bairro, logo após assinar a ordem de serviço que marca mais uma etapa do Programa Viva Bairro. Ainda segundo a gestão municipal, o “Viva Bairro”, lançado no último dia 10, é considerado “o maior programa de transformação urbana e social já promovido pela Prefeitura de Belém”.

A iniciativa, informou, prevê o asfaltamento de 800 ruas da capital, além de levar serviços de zeladoria, segurança e regularização fundiária para áreas periféricas. O pontapé inicial foi dado na Terra Firme, um dos bairros mais populosos da cidade e historicamente marcado pela carência de saneamento. “Ao todo, 50 ruas já receberam ordem de serviço imediata, com 30 frentes de trabalho simultâneas atuando para acelerar a chegada dos benefícios aos moradores. A viabilização do Viva Bairro ocorre por meio de uma parceria entre a Prefeitura de Belém e o Governo do Estado. Do total de 800 ruas que serão asfaltadas, 400 serão executadas diretamente pelo município, com investimento de R$ 270 milhões em recursos próprios, enquanto as outras 400 ficarão sob responsabilidade do Estado”, informou.

 

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