Mulheres desbravam e conquistam espaço em profissões tradicionalmente masculinas

Conheça a história de uma engenheira cartógrafa e agrimensora, pioneira em sua área; veja também como uma professora de engenharia contribui para inspirar outras mulheres

Eva Pires

No mercado de trabalho, cada vez mais, mulheres desafiam estereótipos e preconceitos, além de quebrarem barreiras ao se destacarem em áreas tradicionalmente ocupadas por homens. Conheça a história e os desafios enfrentados por Gabriela Mesquita, engenheira cartógrafa, agrimensora e a primeira mulher com formação de nível superior a exercer essas funções na Primeira Comissão Brasileira Demarcadora de Limites (PCDL). Conheça, também, a história da engenheira florestal e professora doutora da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), Paula Pinheiro.

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Gabriela Mesquita, 27 anos, é engenheira cartógrafa, formada pela Ufra, e agrimensora na Primeira Comissão Brasileira Demarcadora de Limites (PCDL), desde 2022. Ela trabalha com a aquisição, processamento, representação e análise espacial de geoinformação. Como agrimensora, sua função é determinar os limites legais das propriedades, sejam elas rurais ou urbanas. Gabriela é a primeira mulher com formação de nível superior atuando na fronteira.

"Essa seção sempre foi composta por homens. Depois que eu entrei, me repassaram que dentro da seção eu sou a primeira mulher a a atuar como técnica, como engenheira e a primeira a exercer tanto as atividades de campo, como as de escritório e processamento dos dados com a finalização dos produtos", declara.

"As mulheres sempre estiveram presente na fronteira, mas não com a finalidade de ser técnica e exercer a atividade com formação na área. Existiam mulheres que iam para parte administrativa e de suplemento, que é a parte de contabilidade das campanhas que fazemos na fronteira com os países que fazem as limítrofes com o Brasil", completa.

image O agrimensor é o profissional que determina os limites legais das propriedades, sejam elas rurais ou urbanas (Cristino Martins/O Liberal)

Na escolha da profissão, a busca pelo diferente e a pouca presença de mulheres na área foram motivadores para Gabriela. "Era algo super diferente e que quase ninguém conhecia. Sempre gostei de ir atrás de coisas diferentes e, quando fui pesquisar sobre o curso, verifiquei que quase não tinha mulher nas atividades, principalmente em atividades de campo. Essa primeira escolha ocorreu em 2011, quando decidi cursar técnico em agrimensura. Em 2017, ingressei na Ufra para cursar Engenharia Cartográfica e de Agrimensura. É o único curso na região Norte", explica.

A agrimensora sempre preferiu a área do campo, composta predominantemente por homens, em relação à área do escritório. "Foi algo que trouxe desde a universidade até o mercado de trabalho, sempre tentando estar presente, principalmente, nos lados em que quase não tem atuação feminina. Os desafios sempre existiram, mas sempre tentei levá-los como aprendizados", relata.

A mensagem de Gabriela é que mulheres podem ocupar o lugar que elas quiserem. "Ainda estou tentando me acostumar com a palavra pioneira. Eu espero realmente que o número de mulheres na profissão cresça, não só aqui no Brasil, mas também nos países limítrofes. É importante essa representatividade, nós podemos estar onde nós quisermos. Independente da profissão, do lugar, se é campo ou se é escritório. Você quer fazer, você vai fazer o que você quer", afirma.

Formação e inspiração para outras mulheres

image Paula Pinheiro é engenheira ambiental, professora doutora da Ufra e criadora de conteúdo digital (Foto: arquivo pessoal)

Paula Pinheiro é engenheira ambiental, além criadora de conteúdo digital sobre sua área acadêmica e profissional. No seu curso de formação como engenheira, Paula era uma das sete mulheres em uma turma de 50 alunos. Hoje, como professora de engenharia da Ufra, o cenário mudou.

"A engenharia em si já é um curso muito formado por homens, mas estávamos ocupando esse espaço e acredito que agora, com mais mulheres na engenharia, esse cenário mudou. Vejo muito isso hoje em dia, como professora da universidade e instrutora de novos engenheiros. A equipe já é composta metade por homens e metade por mulheres", explica.

A professora também contou sobre os desafios que enfrentou na profissão desde a faculdade. "Imaginei que a engenharia ambiental se limitava a cuidar de plantas, mas na verdade, a engenharia ambiental é pura engenharia, e precisamos passar por todos os cálculos, física e química para chegar à parte ambiental. A profissão é difícil porque trabalhamos com canteiros de obra, várias áreas, muita madeira, muita abertura de estradas, campus, licenciamento, mineração, então acabamos tendo que trabalhar muito longe de nossas cidades", afirma.

Para Paula, dar continuidade à formação de outros engenheiros, sobretudo, de outras mulheres, é uma de suas missões na vida. "Isso é muito importante porque nós, como mulheres, sabemos que podemos abrir caminho para que mais mulheres alcancem esse nível de ser engenheira. Eu queria muito contribuir para que novas mulheres pudessem chegar onde eu cheguei. A meta hoje é poder retornar para a sociedade tudo aquilo que ela contribuiu para que eu pudesse alcançar", conclui.

(Eva Pires, estagiária sob supervisão de Fabiana Batista, coordenadora do núcleo de Atualidades)

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