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‘Mochila Solidária’ arrecada material escolar para beneficiar 200 crianças em Viseu, no Pará

A entrega das mochilas, cadernos, lápis e outros itens está prevista para o próximo dia 1º de fevereiro

Dilson Pimentel

Pelo terceiro ano consecutivo, a campanha Mochila Solidária mobiliza doações de materiais escolares para crianças em situação de vulnerabilidade social no município de Viseu, no nordeste do Pará. A ação é conduzida, a partir de Belém, pelos amigos Áureo Santos e Ana Paula Costa, que estão em missão de arrecadação com o objetivo de beneficiar 200 crianças da comunidade do Sumaúma.

A campanha segue em fase de arrecadação até o final de janeiro, e a entrega dos materiais escolares está marcada para 1º de fevereiro. A proposta é garantir que as crianças iniciem as aulas com mochilas e materiais básicos, evitando que a falta de recursos se torne um obstáculo para a frequência escolar. Em 2026, a Mochila Solidária chega ao seu terceiro ano de realização, consolidando-se como uma das principais ações desenvolvidas por Áureo Santos, de 25 anos, fundador do projeto Leve Solidariedade, criado em 2019. A iniciativa surgiu a partir de uma experiência vivida por ele durante uma viagem ao interior do estado.

“Foi numa viagem que eu fiz para Santa Rosa (em Viseu). Lá, uma criança se aproximou de mim e perguntou: ‘Tio, o senhor poderia comprar ou me dar um caderno e um lápis?’. Eu percebi que a mãe não recebia Bolsa Família e estava sem condições. Foi a partir dali que eu dei início à Mochila Solidária”, contou. Em Santa Rosa foi a primeira edição do projeto Mochila Solidária. Segundo Áureo, a edição de 2026 quase não foi realizada em razão das dificuldades enfrentadas no ano anterior. “Esse ano eu não ia fazer, mas a Paula (Ana Paula) veio, segurou minha mão e falou para a gente seguir em frente. 2025 foi muito bem difícil para mim. Teve um momento em que eu queria desistir de tudo, principalmente de ajudar o próximo. Graças à Ana Paula, que sempre esteve comigo, a gente continuou”, contou.

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image Em 2026, o projeto Mochila Solidária completa três anos de existência (Foto: Divulgação)

Arrecadação e funcionamento da campanha

A arrecadação dos materiais ocorre principalmente por meio das redes sociais, utilizadas pelos organizadores para mobilizar doadores e divulgar as necessidades da campanha. “A gente posta nas redes sociais em busca de pessoas para ajudar. Arrecadamos material novo e também material em bom estado de uso. Essa é a única ajuda que a gente recebe. Todo o restante vem de nós dois, da nossa família, de amigos próximos ou de pessoas que veem as postagens e entram em contato”, explicou Ana Paula Costa, representante comercial de 32 anos.

Entre os itens arrecadados estão mochilas, cadernos, canetas, lápis, lápis de cor, cola e outros materiais escolares. Após o recebimento das doações, o grupo faz um levantamento do que ainda falta e compra os itens necessários para completar os kits. “Quando a gente recebe uma determinada quantidade, começamos a comprar o que falta para fechar os kits”, acrescentou. A arrecadação começou a partir do 5 deste mês. “Agora já é praticamente a última semana de arrecadação, porque a distribuição será feita em fevereiro, porque, logo após, começam as aulas”, explicou Ana Paula. “A ideia é que as crianças já iniciem o ano letivo com o material completo, sem desculpa para não ir à escola”, afirmou.

Meta e escolha da comunidade

A meta da campanha em 2026 é atender 200 crianças, número que, segundo os organizadores, costuma ser superado. No primeiro ano, foram atendidas 100 crianças; no segundo, cerca de 180. Todos os anos, uma comunidade específica é escolhida. Em 2026, a ação será realizada na comunidade do Sumaúma, em Viseu. Mas as três edições do projeto foram realizadas em Viseu. Caso haja material excedente, outras localidades também poderão ser atendidas. Se sobrar, o material será levado para outras comunidades. Além da Mochila Solidária, Áureo conduzia o projeto "Leve Solidariedade", projeto criado em 2019 que desenvolve ações contínuas de apoio a famílias em situação de vulnerabilidade no interior do estado e na Região Metropolitana de Belém.

“Eu cresci vendo a realidade de muitas famílias que não tinham condições. Meu pai é pescador e, quando faltava comida na casa de um vizinho, eu levava peixe”, lembrou. Em 2017, ele se mudou para Belém e, em 2019, criou o projeto “Leve Solidariedade”, começando a estruturar as ações, passando a atender famílias com alimentos, roupas, medicamentos e apoio no deslocamento para tratamento médico. “Minha casa se tornou uma casa de apoio. Recebo famílias do interior que chegam em busca de recursos médicos, fazer cirurgias. Eu levo essas famílias no hospital”, afirmou. “Eu e a Paula temos ajudado muitas famílias que nos procuram”, contou. São famílias de Belém e Ananindeua.

Há três anos, a trajetória de Áureo se cruzou com a de Ana Paula, que também já desenvolvia ações sociais. Criada na igreja, ela contou que o contato com comunidades em Belém e Ananindeua ampliou sua percepção sobre a realidade social. “Foi como se Deus tivesse unido duas vontades de fazer o bem”, disse. Da parceria surgiu o projeto "Amigos do Bem", responsável pelas ações em Belém e Ananindeua. Atualmente, o "Amigos do Bem" atua principalmente em situações emergenciais, como incêndios, além de atender famílias que procuram ajuda por falta de alimentos, roupas ou medicamentos. “É como seu eu fosse a ponte de Deus para alcançar essas famílias”, contou Ana Paula. "Antes, ele tinha o ‘Leve Solidariedade’ e eu, o ‘Criança Feliz’. E, assim, nasceu o 'Amigos do Bem'”, contou.

Educação como base

Para Ana Paula, o projeto Mochila Solidária tem papel central na promoção da educação. “As crianças e os jovens são o nosso futuro. O projeto foi criado para que elas não desistam da escola por falta de material”, afirmou. Segundo ela, a ação vai além da doação. “Através do projeto, conseguimos direcionar jovens para esporte, cursos e outras oportunidades”, afirmou.

Ela observou que, apesar das carências, as comunidades demonstram acolhimento e esperança. “Ver o sorriso das crianças, a felicidade ao receber o material e poder ir para a escola é o que nos move”, concluiu. Há três anos a trajetória de Áureo se cruzou com a de Ana Paula Costa, que também já desenvolvia ações sociais de forma independente. Criada na igreja, mas com uma vivência diferente da de Áureo, Ana Paula afirmou que sempre esteve envolvida em trabalhos comunitários, especialmente com crianças e jovens.

“Eu caminhava nas comunidades buscando jovens para trazer para os projetos da igreja. Foi assim que eu comecei a conhecer uma realidade que eu nem imaginava que existia, principalmente aqui em Belém e em Ananindeua”, contou. Antes da parceria com Áureo, ela realizava ações sociais, mas ainda sem um nome ou estrutura formal de projeto. “Eu já fazia ações, mas não tinha um nome. Quando a gente se conheceu, foi como se Deus tivesse unido duas vontades de fazer o bem”, afirmou.

Como ajudar:

Instagram: amigos_do_bem_oficial

Telefones:

(91) 9 8624-7665

(91) 98040-2954

 

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