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Fezes de garças tomam conta da praça Batista Campos e geram riscos, denunciam moradores

Moradores e frequentadores relatam aumento de aves na área, registros de animais debilitados e impactos na rotina

Gabriel Pires

Frequentadores e moradores do entorno da praça Batista Campos, em Belém, denunciam o agravamento de problemas causados pela superpopulação de aves, como as garças no local, incluindo o acúmulo de fezes e possíveis riscos à saúde. Na última semana, uma garça debilitada foi encontrada caída em um canteiro da praça, mas, segundo os denunciantes, não recebeu atendimento dos órgãos responsáveis.

A médica Andrea Lobato afirma que, há cerca de seis meses, tem observado um aumento significativo na população de aves na praça, que passou a se espalhar por áreas onde não costumam ficar, incluindo regiões comerciais e escolas. Segundo ela, casos de aves feridas ou debilitadas são encontrados diariamente, e o surgimento de aves no local também tem trazido riscos à saúde. “Temos a denúncia de uma moradora da região da praça, uma senhora de 40 anos, que foi diagnosticada com pneumonite, associada às fezes das aves urbanas que habitam essa região”, comenta..

"Nós acreditamos que esse problema vem em função da alimentação que ocorre pelos peixes que são colocados nesses tanques, e eles não têm o devido suporte veterinário, então adoecem, servem de alimento para as aves urbanas e aí as garças já manifestam doenças, sendo que existe uma notificação de óbito humano por criptococose, que são fungos que podem se dispersar de forma inalatória pelas fezes das aves urbanas, já aconteceu isso há cerca de três meses e é um problema de saúde pública já que está fora de controle", comenta Andrea.

Uma garça foi encontrada no último sábado (31), de acordo com a médica, e foi solicitada a presença do Batalhão de Polícia Ambiental, que teria encaminhado a situação para a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará). Segundo a médica, há registros frequentes de garças debilitadas ou caindo em diferentes pontos da área.

“Há cerca de um mês e meio, nós estamos buscando diálogo com as autoridades competentes, de forma que procuramos a Prefeitura, também o Centro de Controle de Zoonoses, o Ibama, e fizemos o trâmite correto vindo de Brasília. No dia seguinte à nossa denúncia, o Ibama de Brasília já notificou o Ibama de Belém, porém, até agora não recebemos nenhuma notificação de medidas”, observa Andrea.

Situação preocupante

Ela completa: "Denunciamos também à Adepará, em função dessa emergência que aconteceu com a garça do sábado, mas a Adepará é um órgão que só funciona de maneira que ela nos respondeu, falou que não era com ela e não deu mais nenhum retorno. E aí, por conta dessa inércia, procuramos, ontem, o Ministério Público com essa denúncia e fomos acolhidos, então, para protocolar toda essa situação de descontrole do bioma da Praça Batista Campos", diz Andrea.

Impacto na saúde

Já a assistente social Simone Thiers que frequenta a praça, relata que a filha desenvolveu problemas de saúde da filha, por conta do contato com as garças. E que se agravaram significativamente nos últimos meses. Ela afirma que a filha possui um apartamento em frente à praça e que as aves costumam permanecer nos parapeitos dos edifícios, onde também se reproduzem.

"A minha filha se trata em São Paulo e também aqui em Belém. Inclusive, um dos médicos disse para que ela não viesse aqui para a praça e que evitasse até morar próximo daqui. Porque ele tem recebido muitos pacientes doentes justamente por causa das garças. Principalmente agora, no verão, a situação vai piorar. Vai piorar porque as fezes delas se espalham. Antes, todo dia minha filha estava aqui na praça, todo dia ela tomava água de coco. Inclusive, não só ela, mas várias pessoas estão evitando", comenta.

Rotina prejudicada

O temor é com a saúde de quem frequenta o espaço, segundo Simone. "Os rapazes que vendem coco aqui na praça também estão sendo prejudicados, porque as pessoas ficam com medo. Com medo de adoecer, com medo de sair toda suja daqui. Você pode ver o entorno: os carros estão todos brancos. Mesmo os que estão apenas passando, e não estacionados, acabam se sujando", relata.

"Eu penso que tem várias formas de se resolver essa situação. Eu estava pesquisando que existem aparelhos que emitem um barulho, e esse barulho afugenta os bichos. Também colocar figuras de predadores para que as garças se afastem e saiam daqui. O problema das garças não é que elas estejam aqui, é a quantidade, que nesses últimos meses tem aumentado absurdamente.

De acordo com ela, a quantidade de garças cresceu consideravelmente no último ano, sendo possível observar do alto dos prédios a grande concentração de aves na área. “As pessoas que moram próximas ficam assustadas com essa quantidade. Quando chega ao topo das árvores, elas ficam todas brancas, principalmente no final do dia. E nascem filhotes constantemente. Os moradores aqui do entorno, com quem eu converso, dizem que nascem em torno de cinco garças por dia", observa Simone.

Caso recente

Ainda em abril deste ano, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas-PA) que abriu uma investigação sobre o caso de uma garça encontrada morta na área da Praça Batista Campos. Na época, o animal foi localizado por uma equipe de reportagem do Grupo Liberal, que passava pelo local no momento do flagrante. A presença da ave sem vida em um dos principais espaços públicos da capital paraense chamou a atenção de frequentadores da praça, conhecida pela circulação de animais e pela intensa movimentação de pessoas.

 

 

Posicionamento

Sobre o caso, a Redação Integrada de O Liberal solicitou um posicionamento sobre o caso à Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma), à Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A reportagem aguarda retorno.

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