Feiras lotadas e ameaças a jornalistas: um sábado de 'lockdown' em Belém

Desrespeito ao isolamento social continua grande na capital. Feirantes ameaçaram agredir equipe de O Liberal no Ver-o-Peso.

Vito Gemaque/Thiago Gomes

No segundo sábado após ser decretado o "lockdown" em Belém e mais nove municípios da Região Metropolitana, a movimentação das ruas da capital parecia comum para um sábado, com movimentação menor do que nos dias de semana, porém ainda alta para uma cidade que já está aplicando multas para pessoas que estejam na rua sem motivo.

Na maior feira livre de Belém, o Ver-o-Peso, a movimentação era menor, mas devido a desorganização muitos vendedores de frutas se aglomeravam nas calçadas fazendo com todos andassem muito próximos uns dos outros. A equipe de reportagem de O Liberal foi ameaçada por alguns vendedores. "Sai daqui, vão embora senão a gente vai encher vocês de porrada", disse um feirante ameaçando repórter fotográfico Thiago Gomes.

Apesar do bloqueio total estabelecido no Pará desde o dia 7 deste mês, o índice de isolamento social tem caído a cada dia. Na quinta-feira, segundo a  Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup), o Pará caiu para o quarto lugar no ranking brasileiro de isolamento social, com índice de 49,11%, ficando atrás de Acre (50,59%), Ceará (50,15%) e Amapá (50,06%).

As medidas de restrição mais rígidas foram prorrogadas por mais uma semana pelo governo do estado e terminam, a princípio, no próximo dia 24 de maio. 

Somente na sexta-feira (15), a covid-19 fez mais 80 vítimas fatais no Pará. Com isso, o número de óbitos registrados no Estado subiu para 1.175. De acordo com o último boletim da Secretaria de Saúde do Estado do Pará (Sespa), divulgado às 18h40, 1.147 pacientes testaram positivo para o novo coronavírus nas últimas 24 horas, elevando o número de casos confirmados em território paraense para 12.626.

Em Belém, até a manhã deste sábado eram 5. 291 casos confirmados, com 607 vidas perdidas para a covid-19. O quadro fez o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmar que o Pará será, depois de Manaus, o novo epicentro da doença no país

A professora Regina Caldas, de 62 anos, tem evitado sair de casa e quando precisa fazer compras toma todas as medidas necessárias. Ela anda com álcool em gel no bolso para limpar sempre suas mãos. Entretanto, fica indignada ao ver pessoas desrespeitando as medidas de distanciamento social. Na feira do Ver-O-Peso era possível ver algumas pessoas andando em dupla ou até mesmo com famílias inteiras. 

A professora Regina Caldas, de 62 anos, só sai de cada para o necessário, e reclama do desrespeito ao 'lockdown' (Foto: Thiago Gomes / O Liberal)

"Isso é muito ignorância, não é possível um negócio desse. Com tanta orientação as pessoas fazendo ouvido de mercador para um problema tão sério como esse. A própria pessoa, o cidadão precisa entender que o problema é sério, de que não depende de político nenhum mas depende dele mesmo, você tem que fazer a sua parte para se proteger a si e aos outros", afirmou.

Flagrantes de uso de máscaras de maneira errada são comuns nas ruas de Belém (Foto: Thiago Gomes / O Liberal) 

A movimentação continuou apresentando disparidades. Enquanto que em uma das principais avenidas de Belém, a Visconde Doca de Souza Franco, a movimentação era fraca de pedestres com um fluxo de carros era constante, já nas avenidas nas periferias como a Independência, que liga Belém a Ananindeua, o movimento era mais intenso, tanto de pedestres, quanto de veiculos.

Apesar da fiscalização, o movimento nas ruas a cidade segue intenso (Foto: Thiago Gomes / O Liberal)

Os órgãos de segurança montaram barreiras na avenida Augusto Montenegro próximo a um shopping e na avenida Júlio César, na descida do elevado. Na Augusto Montenegro, um engarrafamento se formou devido a fiscalização.

Belém
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