Dia Internacional do Estudante: histórias incríveis vão da educação infantil à EJA em Belém

Data lembra luta estudantil na Segunda Guerra Mundial; iniciativas visam aumentar protagonismo dos alunos em sala de aula

Camila Azevedo

O Dia Internacional do Estudante é comemorado nesta quinta-feira (17). A data lembra os momentos em que alunos da antiga Tchecoslováquia enfrentaram as tropas nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. E é com a proposta de aumentar este protagonismo dos discentes e a inclusão durante as aulas que o projeto ‘Technonato’, da Escola Municipal Nestor Nonato de Lima, foi criado. A iniciativa demonstra o quanto o ensino tem sido passado de forma diferente às novas gerações, enquanto muitos procuram dar os primeiros passos no mundo estudantil ao longo da vida adulta. 

Ao todo, 8 alunos fazem parte do clube de robótica da escola. A ideia inicial envolve o conhecimento sobre desenvolvimento sustentável aplicando os conceitos de reciclagem, reutilização, redução e repensamento - os 4 “Rs” -, além de entender como os tornar aliados dos processos de tecnologia. O resultado criado pelos estudantes foi o “Veículo Sustentável: uma experiência entre robótica e educação ambiental”, chamado carinhosamente de ‘Nonatinho’: um carro-robô movido a bateria recuperada de notebook, que é carregada através da energia solar

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O projeto é composto por alunos de diferentes séries do ensino fundamental. Thiago Miranda, engenheiro mecânico e um dos professores envolvidos, explica que as crianças começaram percebendo os tipos de materiais que iriam para o lixo e como conseguiriam praticar o reaproveitamento. “A gente começou por etapas: a primeira foi a questão do diálogo com os alunos para que ele pudessem dispor o que compreendiam da robótica sustentável, qual eram os materiais que eles sempre descartam e, como moram na Amazônia, quais os biomateriais que a gente pode aplicar no projeto”, diz.

Carro-robô foi construído com o uso de material reciclado e placa de captação de energia solar para garantir movimento (Filipe Bispo / O Liberal)

Os conceitos aplicados são necessários para que a mudança de pensamento deles fosse uma realidade trabalhada desde cedo, gerando consciência e pensamento crítico. Assim, o miriti foi elencado como um material de grande relevância tanto por ser abundante na região quanto pelo aspecto de leveza. Papelão, compensados de móveis e rodinhas foram, ainda, utilizados. 

Inclusão é foco do ‘Technonato’

Junto com o foco em tecnologia sustentável, a inclusão de alunos com deficiência é uma das bases do ‘Technonato’. O professor diz que “é para que eles não sejam vistos como alunos com deficiência, mas como todos os outros. A gente prioriza incluir porque sabemos que ele tem altas habilidades. Eles se sentem importantes, valorizados e percebem que fazem parte do processo, não se tornam excluídos”.

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Projeto ganha destaque em competição

Os motores - dois, no total - são recarregados por meio de uma placa solar para fazer a absorção da energia e permitir a movimentação. O gerenciamento de dados, tópico abordado no projeto, fica por conta de uma placa de arduino, que processa as informações. Com isso, o ‘Nonatinho’ já foi apresentado na Feira do Livro e recentemente conquistou uma vaga de finalista na XII Mostra de Ciência e Tecnologia do Instituto Açaí (MCTIA), uma das mais importantes do segmento na região. Os principais objetivos do projeto são as mudanças sustentáveis e a metodologia STEAM - ciência, tecnologia, engenharia e matemática -, colocando os alunos como protagonistas do conhecimento. 

Depois de conhecer o projeto, aluno sonha em ser engenheiro

Para que o carro-robô fosse desenvolvido, um processo seletivo foi feito com os alunos e o Andrew Lorran, de 11 anos, foi um dos que garantiu a chance de participar do grupo. “Eu comecei a querer ser engenheiro no futuro. Antes, eu queria ser jogador de futebol. Agora, com a robótica, eu quero fazer engenharia. Meu pai é pedreiro e ele gostou de eu querer fazer isso”, conta. 

O aluno de 11 anos Andrew Lorran passou a sonhar com a carreira de engenharia quando começou a fazer parte do projeto de robótica. Ele diz que as experiências são boas e está feliz com o que tem aprendido (Filipe Bispo / O Liberal)

Os ensinamentos e experiências que as aulas de robótica trouxeram são motivos de alegria para Andrew. “Eu comecei a pesquisar, gostei muito. Conseguimos um troféu e eu peguei gosto pela robótica. Nós viajamos, nos divertimos, a equipe toda se reúne para conversar. Eu já consigo, até, fazer um carrinho de garrafa pet e um foguetinho para brincar”, finaliza o aluno.

Vontade de estudar não envelheceu com o tempo

Cleonice Santos está aprendendo a ler e a escrever no auge dos 50 anos. Natural de Anajás, no Marajó, as oportunidades para concluir o ensino básico eram escassas e pouco estimuladas. “Mas, como eu tinha muita vontade de estudar, fui comprar a cartilha do ABC, tem tabuada. Comprei um livro que a gente escreve por cima para aprender a escrever e em casa eu pedia para alguém me ensinar”, diz.

Ela chegou a fazer dois anos em uma escola, mas sem realmente aprender. “Eu passava a limpo as coisas para o caderno, mas não sabia o que estava escrevendo… Ainda hoje eu não sei ler direito, consigo poucas coisas, quando chega em palavras mais complicadas, eu me enrolo”.

Foi por meio do convite de uma amiga que ela conheceu a Escola Municipal Cordolina Fontelles e começou a Educação de Jovens e Adultos (EJA). “Eu me animei, fui e levei mais dois amigos comigo. Estou gostando muito, é um colégio muito bom e eu estou feliz. Eu só quero aprender a ler e escrever, é muito ruim não saber. Às vezes, chega uma carta e eu tenho que pedir para alguém ler”, conclui Cleonice.

Belém
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