Dia dos Namorados: casais mostram como o amor supera limites
Casais de namorados demonstram como o amor pode superar todas as barreiras
O amor consegue superar todas as limitações que encontra. Na comemoração deste Dia dos Namorados, 12 de junho, casais demonstram como o sentimento genuíno e sincero pode superar todas as barreiras impostas pela vida. O casal de namorados Patrick Luciano Galvão Valente, de 46 anos, e Ana Maria Teodósio da Silva, de 34 anos, ambos com síndrome de Down, se conheceu na escola, e a amizade se transformou em namoro.
Patrick começou a se aproximar de Ana Maria pela dança. Os dois passaram a conviver mais de perto a partir de 2012, durante as atividades da Fundação Pestalozzi do Pará, onde estudavam. O jeito brincalhão e sorridente de Patrick conquistou Ana, que tomou a iniciativa e pediu o rapaz em namoro. “Eu que pedi ele”, diz a jovem.
As mães dos dois estudantes apoiaram e incentivaram o relacionamento. A mãe de Patrick, a dona de casa Maria José Rodrigues Galvão, de 81 anos, conta que tudo ocorreu de maneira natural.
“Eles dançavam e veio o namoro dessa forma. Era essa coisa de dar passeio, os dois iam juntos com a gente. Foi bom, eles se sentiam bem juntos e pediam para a gente sair com eles acompanhando”, conta. “Para eles é um namoro, mas é dessa forma. Ela é mais entendida do que ele, se expressa melhor na fala. Ele demonstra de uma outra forma, com aliança, com carinho”, detalha Maria.
De turmas diferentes, os estudantes se encontravam nos intervalos e nas aulas de dança da professora Thais Reis, que viu o carinho especial surgir entre os jovens. “Eles sempre dançaram no grupo folclórico e no grupo de dança. Um dia eu resolvi fazer uma coreografia de casal e acabei escolhendo por acaso a Ana Maria e o Patrick para dançar uma coreografia chamada ‘Ex My Love’. Nesse tempo eles começaram a dançar juntos em todos os lugares. E essa paixão eu acredito que tenha surgido do contato dessa coreografia de contato de casal, da dança romântica e acabaram levando para vida real”, analisa.
A dona de casa Francisca Carmelita Teodósio da Silva, de 74 anos, mãe de Ana Maria, revela que a filha contou que estava gostando de Patrick. “Eles dançavam juntos. Ela dizia ‘mamãe, eu gosto do Patrick, porque ele é um menino alegre’”, relembra. A mãe incentivou a relação entre os dois. “Ficou assim, uma amizade bonita mesmo. Eu gostei muito, porque nessa amizade ela se sentia bem com ele”, revela.
Casal se conheceu no Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação
Outro casal que a dança uniu foi o cozinheiro Márcio Menezes, de 48 anos, e a pedagoga Aline Rosa, de 40 anos. Os dois são pessoas em cadeiras de rodas e participam da companhia de dança da professora Thais Reis.
Eles se conheceram há um ano no Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), onde fazem tratamento. Atualmente, a relação do casal se desenvolve na arte e no dia a dia. Ao longo de mais de um ano, eles participaram de várias apresentações artísticas e planejam dar um passo importante: morar juntos ainda neste ano.
“A gente faz tratamento lá. Ele para fazer a protetização, porque ele é amputado, e eu continuo fazendo tratamento. Eu o convidei para fazer parte da companhia no final do ano passado. Foi quando começamos a ter mais contato”, relembra Aline.
Após uma feira de arte, Aline se aproximou de Márcio e o convidou para conhecer a companhia de dança em cadeiras de rodas. Márcio compareceu aos ensaios e, aos poucos, ambos perceberam que tinham muito mais coisas em comum.
“Ele começou a fazer parte da minha vida, começou a se aproximar, criamos uma amizade. Começamos a fazer outras coisas juntos. Gosto da companhia dele, e fui gostando cada vez mais dele”, detalha.
Márcio conta que o casal descobriu ter muitas afinidades. “Fomos nos conhecendo, ela sempre gostou das coisas que eu faço, principalmente comer e cozinhar, de tudo o que eu gosto. Ela gosta também de passear, ou estar viajando por aí. Brevemente pretendemos morar juntos e casar”, adianta.
Para ele, a característica mais importante da companheira é a atenção. “Ela é muito atenciosa. Dá muita atenção, carismática, ela realmente me ouve. Eu já fui casado. A pessoa dar atenção para outra é muito importante. Não é um tratamento indiferente”, enfatiza.
Para a professora Thais Reis, a dança demonstra o poder de aproximar as pessoas. “A dança vai muito além. E ela é de fundamental importância nesse processo de socialização da pessoa com deficiência e da própria inclusão social. Ela ajuda tanto no processo da autoestima, do empoderamento, desinibição, onde eles conseguem melhorar esse contato um com o outro e até nesses relacionamentos amorosos também”, avalia.
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