Desmatamento: Amazônia perde equivalente a 3 mil campos de futebol por dia em 2022

Maiores ocorrências foram verificadas no Pará (3.874 km²), Amazonas (2.575 km²) e Mato Grosso (1.604), com 37%, 24% e 15% de toda a derrubada na região, respectivamente. Maior desmatamento em 15 anos.

O Liberal
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O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulga, nesta quarta-feira (18), que a Região Amazônica sofreu em 2022 com o quinto recorde anual consecutivo no desmatamento, segundo o monitoramento por satélites do Instituto. "Entre janeiro e dezembro, foram devastados 10.573 km², a maior destruição em 15 anos — desde que o instituto de pesquisa começou a monitorar a região, em 2008; isso equivale à derrubada de quase 3 mil campos de futebol por dia de floresta", comunica o Imazon.

Na análise dos nove estados que compõem a Amazônia Legal, os que mais desmataram em 2022 foram Pará (3.874 km²), Amazonas (2.575 km²) e Mato Grosso (1.604), com 37%, 24% e 15% de toda a derrubada na região, respectivamente. Colocações que seguem as mesmas desde 2019, de acordo com a pesquisa do Imazon.

Redução

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) informa que houve redução de 21% no desmatamento no Estado, segundo dados do INPE, no PRODES 2022. "A redução alcançada, ou seja, 1.097km² em números absolutos, compreende 75% da área reduzida na Amazônia Legal; o Pará vem ampliando ações voltadas para uma economia de baixo carbono, através da valorização da floresta, com alternativas de uso da terra sem conversão florestal, como propõe o Plano Estadual de Bioeconomia, lançado na Conferência do Clima (COP 27) no Egito; a Semas informa ainda que fortalecerá as ações de combate ao crime ambiental com a união dos esforços futuros, entre o governo Estadual e Federal" repassa a Secretaria.

Acumulado

O desmatamento acumulado nos últimos quatro anos, entre 2019 e 2022, chegou aos 35.193 km². Uma área que supera o tamanho de dois estados: Sergipe e Alagoas, que possuem 21 e 27 mil km², respectivamente. Além de representar um aumento de quase 150% em relação ao quadriênio anterior, entre 2015 e 2018, quando foram devastados 14.424 km².

Bianca Santos, pesquisadora do Imazon, expressa a expectativa dela sobre o controle do desmatamento. “Esperamos que esse tenha sido o último recorde de desmatamento reportado pelo nosso sistema de monitoramento por satélites, já que o novo governo tem prometido dar prioridade à proteção da Amazônia; mas, para que isso aconteça, é preciso que a gestão busque a máxima efetividade nas medidas de combate à devastação, como algumas já anunciadas de volta da demarcação de terras indígenas, de reestruturação dos órgãos de fiscalização e de incentivo à geração de renda com a floresta em pé”.

Perdas

Apenas em dezembro, a Amazônia perdeu 287 km² de floresta, um aumento de 105% em relação ao mesmo mês de 2021, quando foram devastados 140 km². Foi o mês que teve a maior alta do ano na derrubada. Com isso, 2022 também teve o pior dezembro desde 2008, quando o monitoramento do Imazon começou. “No último mês do ano, houve uma corrida desenfreada para desmatar enquanto a porteira estava aberta para a boiada, para a especulação fundiária, para os garimpos ilegais e para o desmatamento em terras indígenas e unidades de conservação; isso mostra o tamanho do desafio do novo governo”, comenta Carlos Souza Júnior, coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia do instituto.

Áreas federais desmatadas são em 80%, mas as estaduais têm a maior alta

Em relação à jurisdição das áreas desmatadas em 2022, 80% era de responsabilidade do governo federal, o que equivale a 8.443 km²; nesses territórios, a devastação teve alta de 2% em relação ao ano anterior, quando foram derrubados 8.291 km². aponta o Imazon.

"Embora sejam responsáveis por 11% do território destruído no ano passado, o que representa 1.130 km², os governos dos estados foram os que mais deixaram a devastação crescer. Nos territórios estaduais, houve um aumento de 11% no desmatamento em relação a 2021, quando foram perdidos 1.014 km². O restante do desmatamento ocorreu em áreas sem jurisdição (1.000 km²) e municipais (0,2 km²), que tiveram percentuais de 9% e 0,002% em relação ao total desmatado, respectivamente.

Em 2022, Amazonas e Mato Grosso foram os únicos estados que tiveram aumento na destruição em relação a 2021, tanto em áreas federais quanto em estaduais, sendo os responsáveis pelo fechamento do acumulado da Amazônia em alta. 

O caso mais grave foi do Amazonas, onde a devastação cresceu 24% em comparação com o ano anterior, quando foram derrubados 2.071 km². No estado, a derrubada vem avançando principalmente na divisa com o Acre e Rondônia, na região de expansão agropecuária chamada “Amacro”. É nessa localidade que está o município campeão de desmatamento na Amazônia em 2022: Apuí, com 586 km², como indica o Imazon.

“Estamos alertando sobre o crescimento do desmatamento na Amacro pelo menos desde 2019, porém não foram adotadas políticas públicas eficientes de combate à derrubada na região, assim como em toda a Amazônia, resultando nesses altos números de destruição em 2022”, lamenta Carlos Souza Júnior.

Embora no ano passado, Pará, Rondônia, Acre e Amapá tenham apresentado queda no desmatamento em relação a 2021, na análise por jurisdição todos tiveram alta na derrubada em áreas estaduais. “Isso mostra que os governos dos estados também precisam adotar ações de proteção à floresta, principalmente em relação às áreas protegidas que estão sob suas responsabilidades”, comenta Bianca.

Já Maranhão e Roraima registraram queda no desmate tanto em florestas estaduais quanto federais em 2022, porém é preciso levar em conta o fato de que ambos apresentaram as maiores áreas destruídas das suas séries históricas em 2021. Em Tocantins o desmatamento permaneceu estável nas florestas estaduais e reduziu nas federais.

Devastação nas UCs estaduais teve aumento de 8% em 2023

Em relação às áreas protegidas, as que estiveram em situação mais crítica em 2022 foram as unidades de conservação estaduais. Nesses territórios, a devastação passou de 690 km² em 2021 para 746 km² em 2022, uma alta de 8%.

Apesar de muito pressionadas, as unidades de conservação federais e as terras indígenas registraram queda de 8% e de 21%, respectivamente, na derrubada em 2022. Porém, o desmatamento no ano passado foi o segundo maior em 10 anos nas unidades de conservação federais e o quarto maior da década nas áreas indígenas. Ou seja: a devastação seguiu em patamares altos nesses territórios.

Confira mais dados sobre o desmatamento na Amazônia:

Unidades de Conservação mais desmatada em 2022 (km²):

APA Triunfo do Xingu (PA) - 420
Flona do Jamanxim (PA) - 90
APA do Tapajós (PA) - 89
Resex Chico Mendes (AC) - 84
PES de Guajará-Mirim (RO) - 63
Flona de Altamira (PA) - 45
Esec da Terra do Meio (PA) - 43
Resex Jaci Paraná (RO) - 42
FES do Iriri (PA) - 28
Esec de Samuel (RO) - 26

Terras Indígenas mais desmatadas em 2022 (km²):

TI Apyterewa (PA) - 88
TI Karipuna (PA)- 45
TI Cachoeira Seca (PA) - 19
TI Trincheira/Bacajá (PA) - 12
TI Ituna/Itatá (PA) - 7
TI Sepoti (AM) - 5 
TI Tenharim Marmelos (AM) - 4
TI Andirá-Marau (AM/PA) - 3
TI Sete de Setembro (RO/MT) - 3
TI Kayabi (PA/MT) - 3

Municípios mais desmatados em 2022 (km²):

Apuí (AM) - 586
Altamira (PA) - 556 
Lábrea (AM) - 553 
Porto Velho (RO) - 434
São Félix do Xingu (PA) - 378
Colniza (MT) - 340
Itaituba (PA) - 288
Portel (PA) - 286
Novo Aripuanã (AM) - 269
Novo Progresso (PA) - 215

Belém
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