Descoberta de nova espécie de orquídea aumenta o conhecimento biológico no Parque do Utinga

"Em quatro anos de estudos, já registramos 32 espécies de orquídeas", diz pesquisador que coordena o projeto "Flora do Utinga"

Dilson Pimentel
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"A descoberta dessa espécie é muito interessante porque, cada vez mais, a gente vê a importância de aumentarmos o conhecimento biológico, não só das orquídeas, mas de todas as espécies de plantas, animais e fungos do Parque Estadual do Utinga”. A afirmação foi feita pelo pesquisador Leandro Valle Ferreira, do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), coordenador do projeto "Flora do Utinga.

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No dia 8 deste mês, pesquisadores do projeto "Flora do Utinga" encontraram um novo registro para a família das orquídeas do Parque Estadual do Utinga “Camillo Vianna''. Trata-se do gênero Octomeria sp, localizado no tronco de uma árvore que caiu recentemente no interior da Unidade de Conservação (UC), em Belém.

O Projeto é desenvolvido em parceria entre Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio) e o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), desde 2018.

Ao todo, 826 espécies de plantas e fungos já foram catalogados, reforçando a riqueza da biodiversidade das Unidades de Conservação (UCs), onde ocorre a pesquisa na Região Metropolitana de Belém (RMB), Parque Estadual do Utinga, na Área de Proteção Ambiental (APA) de Belém e no Refúgio da Vida Silvestre Metrópole da Amazônia (Revis), este último abrange os municípios de Ananindeua, Marituba, Benevides e Santa Izabel do Pará.

A espécie foi localizada pelo pesquisador e coordenador do Projeto, Leandro Valle Ferreira, do (MPEG) e identificada pelos pesquisadores Patrick Cantuária, do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnologias do Amapá (Iepa), e Felipe Barberena, da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra).

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'Em quatro anos de estudos, já estamos com 32 espécies de orquídeas', diz pesquisador

Em entrevista à Redação Integrada de O Liberal, nesta segunda-feira (17), o pesquisador Leandro Valle Ferreira falou mais sobre essa descoberta. “Para você ter uma ideia, quando começamos esse estudo, não existia nenhuma espécie de orquídea registrada no Plano de Manejo do Parque. Em quatro anos de estudos, já registramos 32 espécies de orquídeas. Algumas sendo o primeiro registro para o estado do Pará (Vanilla pompona) e outras ampliaram a distribuição geográfica da espécie na Amazônia (como é o caso da Vanilla labelopapillata)”, disse.

Essa é uma das grandes contribuições do Projeto Flora do Utinga. Ele explicou que as unidades de conservação podem ser de duas grandes categorias - as de proteção integral, onde só é permitida a visitação pública e pesquisa, e as unidades de conservação e uso sustentável, onde é permitida a exploração racional dos recursos naturais.

No Pará, por exemplo, há unidades de conservação federais e estaduais marinhas, para manejo de caranguejo e pescado. Há também as unidades de conservação na categoria de Florestas Nacionais e Estaduais, onde são permitidas a exploração de recursos madeireiros, e, ainda, unidades de conservação federais, onde é permitida a exploração mineral.

As unidades de conservação de proteção integral incluem os Parques Nacionais, Parques Estaduais, Reservas Biológicas, entre outras, onde só são  permitidas as atividades de visitação pública e a pesquisa científica.

Áreas urbanas verdes são os últimos refúgios para você ter essa conservação da biodiversidade

Ainda segundo o pesquisador Leandro Valle Ferreira, o Parque do Utinga é de extrema importância. “É uma das poucas unidades de conservação que ainda temos na região metropolitana de Belém, onde quase toda a vegetação nativa foi suprimida no passado pelo crescimento desordenado da cidade, pela exploração madeireira e outras atividades”, disse.

image O primeiro registro dessa espécie de árvore (Ruizterania belemnensis) ocorreu em 1908 pelo botânico Adolpho Ducke, no município de Santa Isabel e que depois não foi mais registrada no Estado do Pará. A equipe do "Projeto Flora do Utinga" reencontrou essa espécie no Parque do Utinga, 111 anos depois de sua descoberta original (Foto/Leandro Valle Ferreira (MPEG))

Ele acrescentou: “Para você ter uma ideia, já temos registradas no Parque mais de 830 espécies de plantas e fungos. Muitas dessas espécies têm uma distribuição bastante restrita. Por exemplo, existe uma espécie de árvore, Ruizterania belemnensis, cujo primeiro registro ocorreu em 1908 pelo botânico Adolpho Ducke, no município de Santa Isabel e que depois não foi mais registrada no Estado do Pará”.

A equipe do "Projeto Flora do Utinga" reencontrou essa espécie no Parque do Utinga, 111 anos depois de sua descoberta original. Desta forma, disse, as áreas urbanas verdes são os últimos refúgios para a conservação da biodiversidade nessa região. “Infelizmente, Belém tem poucas áreas", disse. 

"O Parque do Utinga, o Parque Zoobotânico do Museu Goeldi e o Bosque Rodrigues Alves que são áreas verdes públicas para visitar a outrora rica biodiversidade de Belém. A conservação da biodiversidade dessas áreas verdes remanescentes são a única chance de preservação da biodiversidade belenense”, afirmou.

Como criar orquídeas em casa

O pesquisador também deu dicas para cuidar de orquídeas em casa. “É relativamente fácil. Primeiro, vai ter que ter um quintal ou área interna sombreada. As orquídeas não podem pegar muito sol direto. Elas podem ser amarradas em troncos ou em galhos de árvores ou colocadas em vasos”, disse.

Também podem ser fixadas em xaxim no quintal. São plantas resistentes. Evitem colocá-las em ambientes pouco ventilados ou em salas com ar condicionado, pois a redução da umidade do ar vai prejudicar o desenvolvimento da planta. 

Mais informações sobre a Flora do Parque do Utinga?

Consulte "A importância do Parque Estadual do Utinga Camilo Viana para a conservação das espécies de plantas e fungos da região metropolitana de Belém, Pará, Brasil". Disponível em: https://doi.org/10.46357/bcnaturais.v17i1.779

 

Belém
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