Comando Militar da Amazônia Oriental celebra 13 anos e reforça presença estratégica na região
A solenidade ocorreu no pátio de formatura do 2º Batalhão de Infantaria de Selva (2º BIS), em Belém
O Exército Brasileiro realizou, na noite desta terça-feira (30), a cerimônia militar em comemoração aos 13 anos do Comando Militar da Amazônia Oriental (CMAO). A solenidade ocorreu no pátio de formatura do 2º Batalhão de Infantaria de Selva (2º BIS), em Belém, reunindo autoridades civis e militares, convidados e integrantes das organizações militares subordinadas ao Comando.
A programação contou com a premiação dos vencedores do II Concurso Literário do Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva (NPOR), promovido entre alunos dos estados do Pará, Amapá e Maranhão. Neste ano, o concurso teve como tema "A importância da atuação do Exército Brasileiro e a sua integração com os povos indígenas na região amazônica".
Durante a solenidade também foi realizada a entrega do Diploma de Amigo do CMAO, distinção concedida a instituições e personalidades que se destacaram pelo apoio às atividades do Comando Militar da Amazônia Oriental.
Em entrevista após a cerimônia, o comandante militar da Amazônia Oriental, general de Exército José Ricardo Vendramin Nunes, explicou que a mudança da denominação de Comando Militar do Norte (CMN) para Comando Militar da Amazônia Oriental ocorreu para aproximar a identidade da instituição da região onde atua.
"A mudança de nome se faz em razão de que Amazônia Oriental tem tudo a ver com a nossa região. O Comando Militar do Norte era um ótimo nome, mas não traduzia bem o que nós somos: o Exército na foz do Rio Amazonas. Tem muito mais identidade com o ambiente em que operamos e também com os estados do Pará, do Amapá, do Maranhão e do norte do Tocantins, que são a nossa área de responsabilidade”, disse.
Segundo o comandante, embora o CMAO tenha sido criado há 13 anos, a presença do Exército na região é muito anterior e acompanha a própria história da capital paraense. "O Exército já está aqui desde o princípio da cidade de Belém. Foram os portugueses que fundaram a cidade, e a presença do Exército vem desde esse período”, explicou.
O general também afirmou que o Comando Militar da Amazônia Oriental continuará crescendo nos próximos anos. "Esse é um comando militar em crescimento. Nas próximas décadas, o Pará, o Amapá e o Maranhão verão novas unidades do Exército Brasileiro se instalarem aqui. Vamos trazer unidades de outras partes do país para a Amazônia Oriental, uma área tão importante e tão estratégica para o Brasil”, destacou José Ricardo Vendramin Nunes.
Atuação junto à população
Ao destacar as principais ações desenvolvidas pelo Exército no Pará, o comandante ressaltou que a atuação da instituição vai além da defesa territorial. “O Exército trabalha com aquele lema: 'Braço Forte, Mão Amiga'. Toda vez que há uma crise, somos um dos primeiros a responder, junto com o Corpo de Bombeiros Militar, as forças militares do Pará e os órgãos de segurança pública”, exemplificou.
Segundo ele, a instituição participa do combate aos incêndios florestais, presta apoio às comunidades indígenas e ribeirinhas, atua em missões de assistência humanitária durante enchentes e realiza operações de busca e salvamento quando necessário.
O comandante também destacou o trabalho desenvolvido por meio do serviço militar obrigatório. "A principal ação do Exército é receber esses jovens. São da ordem de 1.500 militares por ano aqui na nossa área. Neste ano, tivemos também 55 moças que ingressaram pela primeira vez no serviço militar do Exército. A nossa principal entrega é formar cidadãos com amor à Pátria, treiná-los para a defesa do País e oferecer habilidades que eles possam utilizar depois na vida civil”, avaliou.
Vigilância permanente das fronteiras
O general afirmou que a proteção das fronteiras da Amazônia Oriental é realizada de forma ininterrupta. "Nós fazemos operações 24 horas por dia, sete dias por semana. Neste exato momento há militares do Exército em Oiapoque, Tiriós, Vila Brasil, Três Saltos e em outras localidades da fronteira”, pontuou.
Ele ressaltou que as tropas também atuam próximas às comunidades indígenas e prestam apoio sempre que necessário. "Também somos os primeiros a responder em caso de necessidade, junto com a Funai, e em ações de proteção ambiental. Essa situação de sentinela da Amazônia é muito real", observou.
Segundo o comandante, os militares fazem rodízio constante entre Belém e as unidades localizadas na faixa de fronteira. "Soberania também é estar presente. Se fazer presente também é exercer a soberania”, declarou.
Desafios logísticos
Ao falar sobre os desafios da missão na Amazônia Oriental, José Ricardo Vendramin Nunes destacou a dimensão territorial da região e as dificuldades de deslocamento. "Os desafios logísticos são difíceis. O Pará cabe três Franças dentro dele, além do Amapá, e ainda precisamos atravessar o Rio Amazonas. Levamos balsas com carne, gêneros frigorificados, combustíveis e outros suprimentos para abastecer unidades militares distantes. Fazemos isso continuamente, mas não é fácil. A Amazônia é muito complexa e muito grande", reforçou.
Presença estratégica na Amazônia Oriental
O Comando Militar da Amazônia Oriental, denominado Comando Capitão-Mor Pedro Teixeira, possui uma área de responsabilidade de 1.721.290,1 quilômetros quadrados, correspondente a 20,22% do território nacional. Sua jurisdição abrange os estados do Pará, Amapá e Maranhão, além da porção norte do Tocantins.
Criado em 26 de junho de 2013 como Comando Militar do Norte, o órgão passou a adotar, em maio de 2026, a denominação de Comando Militar da Amazônia Oriental (CMAO), reforçando sua identidade com a região onde atua. Atualmente, reúne dezenas de organizações militares e mais de 10 mil militares, desempenhando papel estratégico na defesa da soberania nacional, na proteção das fronteiras, no apoio às populações amazônicas e na cooperação com diferentes órgãos públicos.
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