Com a igreja aberta aos fiéis, restauro da Basílica de Nazaré, em Belém, entra na fase final

Essa nova fase de intervenções contempla o espaço do coro, onde está localizado o órgão da igreja, além da restauração das portas de bronze

Dilson Pimentel

Realizar uma obra de restauro em uma das igrejas mais simbólicas do Pará, sem interromper a rotina religiosa e o fluxo constante de fiéis, é um desafio que exige planejamento rigoroso, técnica especializada e sensibilidade com a dinâmica do espaço sagrado. É nesse contexto que a segunda etapa do restauro da Basílica Santuário de Nazaré, em Belém, avança para a fase final, concentrando intervenções na área externa da igreja e em pontos estratégicos da estrutura.

A previsão de término dos trabalhos é ainda no primeiro semestre deste ano. Essa nova fase de intervenções contempla o espaço do coro, onde está localizado o órgão da igreja, além da restauração das portas de bronze e de importantes elementos da área externa do edifício. Em entrevista à imprensa, na manhã desta quarta-feira (11), essas informações foram detalhadas pela coordenadora geral do projeto de restauro, Luci Azevedo, e pelo engenheiro responsável pela obra, Marcos Oliveira.

Luci Azevedo disse que esta fase do restauro caminha para a finalização do projeto. “Esse momento agora contempla a recuperação da fachada da Basílica, incluindo as duas torres, o átrio e a limpeza dos mármores. Também está prevista a construção de uma nova subestação de energia, que vai garantir mais segurança e capacidade para suportar a carga elétrica tanto da igreja quanto da cripta, que passará a ser liberada para uso e visitação do público”, explicou. Segundo ela, esta segunda etapa começou em 20 de novembro de 2025.

image A segunda etapa do restauro da Basílica avança para a fase final, concentrando intervenções na área externa da igreja e em pontos estratégicos da estrutura (Foto: Thiago Gomes | O Liberal)

Mesmo com as obras em andamento, o funcionamento da Basílica não foi interrompido. Luci Azevedo destacou que o planejamento sempre previu a manutenção do acesso dos fiéis. “Em momento algum foi interrompido o trânsito das pessoas. Tudo o que está dentro do cronograma está sendo cumprido. De forma alguma, as pessoas serão impedidas de frequentar a Basílica por conta dessa obra”, afirmou. Ela ressaltou que todas as medidas de segurança foram adotadas para garantir conforto e tranquilidade aos visitantes.

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A previsão é que a segunda fase seja concluída no primeiro semestre do próximo ano

image Coordenadora geral do projeto de restauro, Luci Azevedo: “Em momento algum foi interrompido o trânsito das pessoas. Tudo o que está dentro do cronograma está sendo cumprido" (Foto: Thiago Gomes | O Liberal)

Basílica: patrimônio histórico e cultural

A importância do restauro, segundo Luci Azevedo, vai além da preservação arquitetônica. A Basílica é um patrimônio histórico e cultural com mais de 100 anos, marcada por uma arquitetura rica em detalhes, e exerce impacto direto na economia cultural e no turismo religioso. “Ao redor da Basílica temos muitos ambulantes que sobrevivem há décadas. Há uma pessoa que trabalha aqui no entorno da Basílica e que vende seus artesanatos e lembranças do Círio e da Basílica há quase 40 anos. Então envolve economia, turismo, turismo religioso. Então é um impacto muito grande a preservação desse bem cultural e religioso para todos nós”, afirmou.

Restauro da Basílica Santuário de Nazaré entra na fase final

Engenheiro responsável pela obra, Marcos Oliveira explicou que esta etapa do restauro envolve toda a parte externa da Basílica, incluindo pintura, restauro e conservação, além da recuperação do átrio, que é a parte da entrada, parte de madeira, tanto na parte de baixo quando na de cima, onde fica o órgão. No interior da Basílica, o trabalho inclui a remoção das várias camadas de tinta acumuladas ao longo do tempo nas portas de bronze de entrada. “Estamos hidratando a porta, protegendo-a novamente, para poder ver a tonalidade que será utilizada”, explicou.

Segundo ele, o coro já foi totalmente revitalizado, com substituição de peças danificadas e recuperação do douramento, que agora já pode ser visualizado. O mesmo processo será aplicado gradualmente às estruturas de madeira com douramento. “Nesse caso, só fizemos um pequeno pedaço. Como a igreja está aberta, e funcionando, temos que fazer isso por parte para não prejudicar o fluxo de entrada e saída dos fiéis da igreja”, afirmou.

Igreja em funcionamento: complexidade

Marcos Oliveira destacou ainda a complexidade de executar uma obra de restauro desse porte com a igreja em funcionamento. “Uma obra já é difícil. Uma obra de restauro a gente multiplica por três. Uma obra de restauro com portas abertas multiplica mais ainda. Temos que nos limitar a horários, ter cuidados com os transeuntes, adaptar a linguagem dos funcionários e trabalhar sob os olhos dos nossos milhões de ‘fiscais’ que circulam pela igreja ao longo do ano”, afirmou.

Apesar da pressão natural, o engenheiro avaliou a experiência de forma positiva. “É gratificante ver as pessoas passarem, agradecerem, elogiarem. A gente absorve isso e leva para o nosso trabalho”, concluiu. 

Coro da Basílica

O coro da Basílica é um espaço de grande relevância arquitetônica e litúrgica, localizado em posição elevada e estrategicamente concebido para potencializar a acústica da igreja. É nesse ambiente que se encontra o órgão da Basílica, inaugurado em outubro de 1952, elemento de forte presença visual e estrutural, integrado ao conjunto arquitetônico do santuário. Segundo a arquiteta da obra, Ísis Ribeiro, o restauro do coro exigiu um olhar cuidadoso para a relação entre espaço, arquitetura e função. “O coro integra a estrutura litúrgica da igreja e ocupa uma posição estratégica, pensada justamente para potencializar a acústica do ambiente. Qualquer intervenção precisava respeitar essa concepção original”, explicou.

As intervenções realizadas no coro e no órgão foram exclusivamente estruturais e de conservação. Os serviços incluíram a limpeza da estrutura de madeira, a recomposição de partes deterioradas, a revitalização dos elementos ornamentais e o polimento dos metais. Não houve intervenção na parte musical ou de instrumentação do órgão. De acordo com Ísis Ribeiro, o trabalho seguiu rigorosamente os princípios da preservação patrimonial. “O órgão faz parte do conjunto arquitetônico do coro. Por isso, os cuidados adotados na restauração foram os mesmos aplicados a todos os elementos arquitetônicos e ornamentais da Basílica, sempre respeitando a integridade do conjunto”, ressalta.

image Aposentada Bernadete Bentes, 78 anos, gostou das obras. “Eu vim agradecer a Nossa Senhora de Nazaré e fiquei surpresa de ter uma obra assim. Eu saí muito feliz”, disse (Foto: Thiago Gomes | O Liberal)

Devotos elogiam restauro

Embora o restauro do coro e do órgão não estivesse previsto no projeto inicial, o espaço foi incluído posteriormente devido à sua importância dentro do conjunto arquitetônico da Basílica, reforçando o compromisso com a preservação integral da igreja e de seus ambientes históricos. Paralelamente, seguem em execução os serviços de restauração das portas de bronze da Basílica de Nazaré, com foco na preservação, valorização e recuperação de suas características originais.

As intervenções consistem em procedimentos técnicos de limpeza especializada e remoção criteriosa de materiais inadequados acumulados ao longo do tempo, como resíduos de poluição, ceras, vernizes e produtos não compatíveis com o bronze. Nesta fase do projeto, o restauro também avança na área externa da Basílica, com a pintura das paredes externas, intervenções nas duas torres da igreja, na cruz da fachada, nos mosaicos, nas colunas do átrio e em outros elementos que compõem o conjunto arquitetônico do santuário. As obras de restauração da Basílica de Nazaré e requalificação da Cripta são patrocinadas pelo Instituto Cultural Vale, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, Rouanet.

A aposentada Bernadete Bentes, 78 anos, gostou das obras. “Eu acho que é muito importante a restauração, porque isso nos alegra até, dá outra vida”, disse. “É inexplicável até, porque nunca vai existir outra igual a essa. Essa restauração vai melhorar muito. Vem tanta gente de fora, gente importante. É muito bom. É sem palavras”, afirmou. Ela foi à igreja na manhã desta quarta-feira (11). “Eu vim agradecer a Nossa Senhora de Nazaré e fiquei surpresa de ter uma obra assim. Eu saí muito feliz”, afirmou.

Devoto da padroeira dos paraenses, Juscelino Alíbio de Melo, 54 anos, vende artigos religiosos em frente à Basílica. “É muito importante para ficar bonito. Está ficando muito bom. Todo mundo está admirando”, disse. A restauração da Basílica também é boa para os vendedores. “Principalmente para nós mesmo, porque atrai muitos turistas”, disse. Juscelino contou que trabalha e, também, frequenta a igreja. “Nossa Senhora de Nazaré é muito forte. Agradeço ela todo dia”, afirmou.

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