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App criado por estudante de Belém ajuda a identificar animais peçonhentos

Com o auxílio do aplicativo, após identificação da espécie, a partir de uma foto, a plataforma fornece as informações necessárias para as pessoas atacadas - para o caso de emergência

Gabriel Pires e Camila Guimarães

Ser picado por um animal peçonhento, como uma cobra, por exemplo, é um acidente possível mesmo em áreas urbanas e o tratamento imediato, em geral, depende da identificação da espécie do animal para a aplicação do soro correto. Identificar e reconhecer a espécie de animal específica durante esses acidentes costuma ser uma tarefa difícil, o que pode prejudicar o socorro adequado. Pensando em solucionar o problema, um estudante de mestrado da Universidade Federal do Pará (UFPA), Henrick Nogueira, 24, criou um aplicativo de celular capaz de identificar animais peçonhentos apenas por meio de uma foto.

Com o auxílio do aplicativo, após identificação da espécie, a plataforma fornece as informações necessárias para as pessoas atacadas - para o caso de emergência. A tecnologia, além de potencialmente ajudar a salvar vidas, garante a preservação ambiental. Henrick explica que a plataforma ainda está em fase de desenvolvimento, mas que já é funcional - mesmo não estando disponível aos usuários. A ideia também é ampliar para identificar outros animais, como aranhas, escorpiões, cnidários, entre outros. O desenvolvimento do aplicativo também contou com o apoio do orientador dele, o doutorando Michel Montenegro.

“A pessoa vai tirar uma foto do animal e, a partir do momento que ela tiver internet no celular, ela irá enviar essa imagem ao servidor [do aplicativo]. A foto, a partir de então, será enviada por uma rede neural, que vai fazer a classificação desse animal. E o retorno já vai ser qual é o animal, quais os tipos de acidentes que esse animal pode gerar na pessoa, quais os tipos de sintomas que a mordida pode trazer, os tratamentos e os exames laboratoriais necessários para fazer a identificação [da espécie]”, explica o mestrando.

image Henrick junto ao professor Michel Montenegro, orientador dele no projeto (Wagner Santana / O Liberal)

Henrick detalha que o app é baseado em “redes neurais convolucionais [tipo de sistema de IA que ajuda computadores a reconhecerem e entenderem imagens] e outras técnicas de IA para identificação do animal e prescrição dos exames laboratoriais, tratamentos e sintomas que esse animal pode gerar na pessoa após a mordida dele”. Agora, ele está sendo apenas um produto piloto, estamos fazendo apenas análise de serpentes, mas a ideia é que a gente coloque a identificação de todos os animais. A rede neural que eu criei tem uma taxa de acerto de 93%. Isso é um nível bem alto”, detalha Henrick. 

Alcance

Após a finalização do app, a expectativa de Henrick é que a plataforma seja disponibilizada nas lojas de aplicativos. Além disso, outro objetivo é que o aplicativo possa ser utilizado de forma off-line - sem a necessidade de conexão à internet. “A ideia principal é a gente deixar [o aplicativo acessível] para as pessoas de baixa renda, pessoas do meio rural, que têm um celular menos modesto, para que elas possam tirar fotos desse animal. Assim, qualquer pessoa que tiver um celular que tire fotos vai conseguir fazer a identificação do animal, peçonhento e de forma gratuita”, afirma.

“Posteriormente, depois de termos finalizado totalmente esse projeto, a ideia é ofertá-lo [o aplicativo] para a área de saúde, para outros órgãos governamentais para que façam o uso. Ou se nem for isso, nós mesmo vamos fazer a publicação dele em lojas virtuais para que as pessoas possam baixar o aplicativo e fazer a classificação desse animal. Esse app pode salvar vidas. E o jeito mais eficaz da gente salvar essas vidas é por meio de informação. Se essas pessoas tiverem formação para não se ferir tentando pegar esse animal ou feri-lo, a gente consegue salvar duas vidas ao mesmo tempo”, analisa Henrick. 

Acidentes

Quanto ao número de resgates de acidentados por animais peçonhentos, dados do Sistema de Registro de Ocorrências (SISCOB) do Corpo de Bombeiros Militar do Pará (CBMPA) e Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (CEDEC) apontam que o Pará teve uma diminuição de 62% de 2022 para 2023. Foram 50 resgates em 2022 e 19 em 2023. Em 2024, até abril, foram 11 resgates em todo o Pará.

Serpentes

O animal peçonhento mais recorrente em acidentes com seres humanos é do tipo cobras/serpentes, como apontam dados do Corpo de Bombeiros: foram registradas 1.225 ocorrências com esses animais em 2022, 1.267 em 2023 e, em 2024, até abril, 589 casos. A bióloga da Universidade Federal do Pará (UFPA), Maria Cristina Costa afirma que, entre as serpentes mais comuns na região, as que mais costumam se envolver em acidentes com pessoas são as jararacas (Bothrops atrox), uma vez que elas se adaptam melhor ao meio urbano.

"Ela se alimenta principalmente de roedores. A presença de lixo e entulho, comum em Belém, são atrativos para ratos e, consequentemente, as serpentes vão atrás dessas presas. Uma das primeiras prevenções que devemos ter é a limpeza dos ambientes de utilidade comum”, explica a especialista.

Maria Cristina também informa que o envenenamento pela picada de jararaca pode causar edema, inchaço, muita dor local, podendo aparecer bolhas e gerar necrose, além de alterar o tempo de coagulação do organismo e provocar hemorragias. “A principal atividade que deve ser feita é buscar imediatamente um hospital ou posto de saúde que tenha soro antiofídico imediatamente”.

Além disso, a especialista alerta: “Serpentes não atacam deliberadamente. As pessoas que invadem o ambiente delas”, por isso, preservar espaços naturais e o equilíbrio ambiental são necessários para uma boa convivência entre as espécies.

A Sespa informa, ainda, que UPAs e Prontos-Socorros podem atender casos sem gravidade que não necessitem de cirurgia, no entanto a referência para o atendimento dos casos mais graves é o Hospital Barros Barreto, em Belém.

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