Apagão no Amapá: belenenses relatam desespero pela falta de contato com familiares

Após quase três dias sem energia elétrica, sem sinal de telefone nem de internet, muitos amapaenses estão incomunicáveis 

João Thiago Dias

Por conta do apagão que se estende há quase três dias no estado do Amapá, muitos moradores estão incomunicáveis. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, 14 das 16 cidades amapaenses estão sem energia desde a noite de terça-feira (03), quando um incêndio atingiu uma subestação da capital, Macapá. E o caos se agravou com impactos de serviços essenciais, como fornecimento de internet, sinal de telefonia, abastecimento de água e perda de mercadorias que necessitam de refrigeração. Algumas pessoas chegaram a recorrer a aeroportos e shopping centers, onde há geradores, para carregar os celulares.

Nesta quinta-feira (05), belenenses relataram o desespero diante da falta de contato com familiares que moram no Amapá. O gerente comercial André Neri, 34, ficou angustiado sem notícias da filha, de dois anos, que mora com a mãe dela, em Macapá. Ele está acostumado a entrar em contato diariamente, por meio de ligação ou videochamada, mas ficou preocupado diante da falta de sinal.

"Tentei por videochamada, ligação e rede social. O coração ficou apertado e sobrou sensação de impotência. Até os preços das passagens aumentaram bastante. Os hotéis estão lotados, já que possuem geradores. Só fui conseguir hoje (quinta), após quase três dias sem contato. Por mensagem de Whatsapp, falei com a avó da minha filha, que conseguiu carregar o celular no carro. E falei com minha filha por videochamada", relatou.

Após descobrir a situação de caos no Amapá, o desespero foi inevitável. "Um amigo meu que mora lá conseguiu carregar um pouco o celular e relatou tudo em um grupo de Whatsapp. Foi quando eu fiquei mais desesperado. Difícil até de explicar como a gente fica nessas horas, sem saber se está bem, se está se alimentando bem. A avó mencionou que estão há três dias sem dormir direito, por conta do calor e até mesmo mosquitos", acrescentou André.

A advogada Larissa Duarte, 31, chegou a pedir ajuda no Twitter, por meio de hastags como #sosamapa, #amapasemenergia e #apagaonoamapa, para que alguém fosse até a casa dos pais dela, também em Macapá, em busca de notícias. Ela não conseguiu mais contato com a mãe desde a noite de quarta-feira (04) e já tinha estranhado o sumiço dos integrantes do grupo da família no Whatsapp.

"Hoje de manhã (quinta), mandei mensagem no grupo e nem chegou para eles. Vi no Twitter a gravidade da situação, com prateleiras de supermercados vazias, filas para comprar gelo por conta da ausência de água. Aí fiquei preocupada. Nasci em Belém, mas morei em Macapá até os 16 anos. Depois voltei para Belém. Meus pais, outros familiares e amigos moram lá. Dessa situação toda não sei o que é pior: ficar sem notícias ou receber as notícias ruins", disse.

Ainda nesta quinta-feira, um contato surgiu para acalmar a advogada. "Consegui falar hoje, muito rápido, com meu pai. Ele carregou o celular dele no supermercado, mas a ligação logo caiu e depois não consegui mais. Não deu tempo de perguntar pelos demais, então não sei como estão minhas tias, uma prima minha que tem bebê pequeno", lamentou. "É muita agonia, porque a gente que tá longe fica aqui sem poder fazer nada".

Na manhã desta quinta-feira, 5, a missão liderada pelo ministro das Minas e Energias, Bento Albuquerque, participou de uma reunião composta por representantes de instituições estaduais do setor (Maksuel Martins / Secom)

Missão liderada pelo MME está em Macapá acompanhando a situação

O Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, chegou a Macapá na noite da última quarta-feira, por volta das 21h, juntamente com o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica, André Pepitone; o Diretor-Geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Carlos Ciocchi, e o Secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, Rodrigo Limp.

A comitiva foi acompanhar de perto o problema e já na chegada participou de uma reunião com o governador do Estado, Waldez Góes, para analisar o caso e planejar ações. “Temos que trabalhar com o governo e companhia de energia do Estado, para priorizar, primeiramente aqueles serviços essenciais, mas naturalmente visando à atender ao máximo de pessoas possível”, destacou Rodrigo Limp.

Na manhã de hoje, o grupo esteve reunido com representantes de instituições estaduais do setor e também visitou a Subestação onde ocorreu o incêndio. Em seguida, Bento Albuquerque um sobrevoou a região para avaliar a situação.

A Casa Civil da Presidência da República também realizou uma reunião emergencial do governo federal com integrantes de diversos ministérios para adoção de medidas proativas, com o objetivo de mitigar as consequências do "apagão", com ênfase no restabelecimento da energia o mais rápido possível para todo o Estado.

A perspectiva é que um dos transformadores fosse reparado ainda hoje, o que permitiria o restabelecimento de 60% a 70% da carga do Estado do Amapá. Outra medida prevista é que, no prazo de até 30 dias, todos os transformadores necessários para a total segurança energética ao local, estejam totalmente restabelecidos.

Belém
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