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Ação de assistência social leva atendimento a pessoas em situação de rua em praça de Belém

A abordagem e acolhimento ocorreu na Praça Dom Pedro II, no bairro Cidade Velha

Gabriel Pires e Dilson Pimentel
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Em mais um dia de ações voltadas à população em situação de vulnerabilidade, a Prefeitura de Belém realizou, nesta terça-feira (24), uma iniciativa de abordagem e acolhimento na Praça Dom Pedro II, no bairro Cidade Velha. A ação reuniu atendimentos direcionados a pessoas em situação de rua, com foco no encaminhamento para serviços públicos. A iniciativa contou com equipes multiprofissionais responsáveis pela identificação, escuta, orientação e encaminhamento da população em situação de rua e em uso do espaço público.

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A presidente da Fundação Papa João XXIII  (Funpapa), Edna Gomes, comentou as ações de acolhimento realizadas, neste primeiro momento, estão centradas na abordagem social e na escuta qualificada dos atendidos. De acordo com Edna, as atividades foram iniciadas na semana passada e contam com a atuação de profissionais da assistência social, psicólogos e educadores sociais.

A ação integra a rede “Belém Acolhe”, implantada recentemente, com o objetivo de ampliar o acolhimento, especialmente de pessoas em situação de rua. A iniciativa busca compreender melhor esse fenômeno, que ocorre em todo o país, mas exige estratégias específicas no contexto local. “A gente está fazendo a abordagem com os técnicos para realizar uma escuta qualificada e dar os devidos encaminhamentos”, detalha Edna

Rede socioassistencial 

Ainda segundo a presidente da Funpapa, o trabalho envolve o encaminhamento dessas pessoas à rede socioassistencial e de saúde, além da oferta de alternativas que garantam mais dignidade. “A gente precisa fazer com que essas pessoas entendam que queremos cuidar delas, identificar quem está com problemas de saúde e acionar, por exemplo, o Samu quando necessário”, destaca.

Ação

As ações também contam com a participação de profissionais da área da saúde, direitos humanos, assistência social e da Secretaria de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém (Segbel), promovendo uma atuação integrada no atendimento. Sobre o balanço inicial, Edna Gomes informou que cerca de 100 pessoas foram abordadas nos últimos dias. Desse total, entre 18 e 20 aceitaram algum tipo de encaminhamento, como atendimento de saúde ou acolhimento noturno. Ela ressaltou que nem todos os abordados aceitam participar das ações, o que exige respeito às decisões individuais.

Movimento crescente de ocupação

Edna Gomes observou ainda que há um movimento crescente de ocupação de praças e outros espaços públicos como locais de descanso e permanência. Diante desse cenário, ela reforçou a importância da escuta qualificada e da atuação conjunta entre diferentes áreas para garantir encaminhamentos adequados, respeitando as especificidades de cada pessoa atendida.

A presidente da Funpapa também destacou a diversidade do público atendido. Segundo ela, há pessoas em situação de rua sem alternativas de moradia, mas também trabalhadores informais que utilizam os espaços públicos como local de descanso. “Há casos de pessoas que trabalham com gelo, peixe e açaí e, por morarem longe, preferem dormir nesses locais durante a semana e retornar para casa apenas no fim de semana”, explica.

Oportunidade

Aos 46 anos, Jorge Muniz vive atualmente em situação de rua, mas pretende mudar a realidade em que se encontra. Morando de forma improvisada no entorno da Praça Dom Pedro II e sobrevivendo de pequenos “bicos” realizados de forma esporádica, ele tem a expectativa de melhorar de vida com a iniciativa da Funpapa, seja com o encaminhamento para o mercado de trabalho ou para espaços de acolhimento. “O que me levou a vir para a rua foi uma má escolha que eu fiz, e eu não posso culpar as pessoas pelas más escolhas que fiz na minha vida. Foi isso que me trouxe a esse lugar. Mas pretendo sair, porque isso não é vida. Pretendo voltar ao meu convívio social novamente”, relata.

“Eu trabalho fazendo bicos, como falam. Trabalho à noite, catando açaí, na feira do açaí. Agora, a oportunidade existe, mas, como eu sempre deixo bem claro, nós temos que querer abraçá-la. Não podemos deixá-la passar. É preciso reconhecer que se trata de uma oportunidade de mudança. Eu tenho refletido sobre isso e tenho agradecido, primeiramente a Deus, pelas pessoas. A convivência ainda é recente, mas o diálogo que temos mantido tem me ajudado bastante. Então, eu vou abraçar a oportunidade”, acrescenta Jorge.

Intensificação da ação

A consultora social da Funpapa, Regiane Araújo, pontuou que a ação busca identificar as necessidades da população, como documentação, acesso ao primeiro emprego e serviço de retorno para casa, quando possível, além de traçar o perfil das pessoas atendidas. “E, quando possível, já faz ali o curativo, a identificação, a entrega de medicação e a assistência nesse sentido”, detalha. 

“Então, hoje nós já temos pessoas que estarão conosco no Espaço Acolher, que é o acolhimento noturno. Já identificamos oito ou nove pessoas que têm interesse em estar conosco nesse espaço e, ali, elas recebem atendimento multidisciplinar, com assistente social, psicólogo e pedagogo, que identificam e acompanham esse caso”, acrescenta Regiane.

Ela lembrou, ainda, que há pessoas em situação de rua e pessoas que vivem na rua que, por conta do deslocamento para áreas próximas, como o Ver-o-Peso, optam por permanecer nos arredores, segundo Regiane. “Esse é um serviço que já acontece, mas, desde o último dia 18, a gente tem intensificado para identificar, por conta da quantidade de pessoas que estão aqui na praça. É importante dizer que o público migra, não fica só neste local. Ele transita por toda Belém, e a gente identifica onde há maior concentração para realizar essa triagem. O mapeamento é feito onde esse público está. E é ali que nós estaremos”, completa.

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