Operações contra facções resultam em 16 prisões em uma semana em Marabá
As ações também resultaram em duas intervenções policiais que terminaram com suspeitos mortos
Dezesseis prisões foram registradas em apenas uma semana durante operações realizadas na região de Marabá, no sudeste do Pará. As ações também resultaram em apreensões de armas, munições e drogas, além de duas intervenções policiais que terminaram com suspeitos mortos.
O balanço foi divulgado na manhã desta sexta-feira (6) em entrevista coletiva com o superintendente regional da Polícia Civil, delegado Antônio Mororó, e os comandantes do Batalhão de Missões Especiais (BME), tenente-coronel Aquino, e do 4º Batalhão da Polícia Militar (4º BPM), tenente-coronel Ibsen Lima.
Segundo Mororó, as operações tiveram como objetivo desarticular duas facções criminosas que atuam na região sudeste do estado. As ações envolveram diferentes forças de segurança e foram executadas de forma simultânea em várias frentes investigativas.
De acordo com o delegado, parte das operações ocorreu nos últimos dias com o cumprimento de mandados de prisão, investigação de homicídio e abordagem a um ponto armado de vigilância mantido por integrantes de uma facção.
“Nós estávamos guerreando em três frentes, numa situação de flagrante delito, simultaneamente, contra a mesma facção criminosa: numa situação de um posto elevado de observação, onde identificamos um sentinela com submetralhadora de calibre restrito e, ao mesmo tempo, no cumprimento de mandados de prisão também de faccionado”, explicou.
Entre quinta-feira (5) e sexta-feira (6), foram registradas sete prisões em Marabá e uma em Eldorado do Carajás, relacionadas a investigações recentes conduzidas pelas forças de segurança.
Uma das frentes de investigação estava ligada a um homicídio ocorrido na quinta-feira no Núcleo São Félix, em Marabá. Segundo Mororó, cinco suspeitos foram presos em flagrante.
Eldorado do Carajás
Outra ação ocorreu em Eldorado do Carajás, onde as equipes cumpriram um mandado de prisão temporária relacionado a um homicídio. “Na frente de Eldorado, também, num trabalho brilhante, tivemos êxito no cumprimento de uma prisão temporária pelo prazo de 30 dias, também pelo crime de homicídio”, afirmou o delegado.
Durante as operações, os policiais também localizaram um ponto elevado que estaria sendo utilizado como área de vigilância de uma facção criminosa, onde um homem atuava como sentinela armado com uma submetralhadora de calibre restrito.
Operação Verum Atrium
Parte das prisões ocorreu durante a operação Verum Atrium, deflagrada no dia 27 de fevereiro nos municípios de Marabá, Curionópolis e Parauapebas.
A ação cumpriu sete mandados de prisão temporária e dez mandados de busca e apreensão domiciliar.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram realizadas prisões temporárias e em flagrante, além da apreensão de armas de fogo, munições, drogas e aparelhos celulares.
Entre os presos estão Thiago Araújo Feitosa, Willian Santos Ferreira, Dhemerson Rocha Magalhães, Francisco Willian Viana de Souza e José Augusto Souza Soares. Outros dois suspeitos não tiveram os nomes divulgados.
Durante essa mesma operação, um homem investigado morreu na Folha 8 após reagir à intervenção policial.
Integração entre forças de segurança
O comandante do 4º BPM, tenente-coronel Ibsen Lima, afirmou que as operações foram intensificadas desde o período do Carnaval com base no mapeamento das áreas com maior concentração de crimes ligados a facções.
Segundo ele, as ações foram planejadas a partir da análise das regiões onde o avanço dessas organizações estava mais evidente. “São espaços onde a mancha criminal e a atuação dessas facções estavam mais intensas”, concluiu.
O tenente-coronel Aquino, comandante do BME, explicou que nesta sexta-feira novas informações repassadas pela Delegacia de Homicídios indicavam que outros integrantes da mesma facção poderiam tentar fugir após as prisões registradas no dia anterior.
A partir dessas informações, as forças de segurança organizaram uma nova ação tática para localizar os suspeitos.
Segundo o comandante, os policiais receberam informações de que os investigados utilizavam armamento considerado incomum na região, o que levou à mobilização de equipes especializadas.
“Fizemos um planejamento dinâmico juntamente com a Divisão de Homicídios. Foram identificadas as localizações e quatro equipes táticas do Batalhão de Missões Especiais realizaram o adentramento com segurança”, afirmou.
Para Aquino, os resultados das operações demonstram a importância da integração entre as instituições de segurança pública. “A resposta é essa: as forças de segurança estão unidas para combater a criminalidade e impedir o avanço dessas organizações, trazendo mais segurança para a população de Marabá e de toda a região”, declarou.
Faccionado que exibiu submetralhadora em vídeo morre após confronto com a polícia
O homem que aparece em um vídeo empunhando uma submetralhadora calibre 9 mm e afirmando o domínio de uma facção criminosa sobre uma área de Marabá morreu após trocar tiros com policiais militares na quinta-feira (5), no sudeste do Pará. O armamento, com mais de vinte munições, foi apreendido. O suspeito não foi identificado até o momento.
Nas imagens, gravadas no Núcleo Nova Marabá, o homem aparece com o rosto coberto sobre a laje de uma residência, segurando a arma e apontando para a via pública.
“Tamo de plantão hoje aqui na Folha 1. Tudo dominado aqui pela CCA (Comando Classe A). Os alemão tão tudo na mira”, diz ele no vídeo.
Em seguida, o suspeito afirma que na área não há presença do PCC (Primeiro Comando da Capital).
De acordo com a Polícia Civil, as Delegacias de Homicídios de Marabá e de Altamira monitoram a atuação do Comando Classe A (CCA) na região sudeste do Pará. A organização criminosa surgiu em Altamira e tenta expandir sua presença em municípios da região.
Durante as investigações, os policiais identificaram uma residência na Folha 1 onde homens armados utilizavam a laje como ponto de observação para monitorar a presença de policiais e de integrantes de facções rivais.
Segundo a polícia, os próprios criminosos gravavam vídeos no local exibindo armas e demonstrando o poder de fogo da organização. O material era publicado em redes sociais para intimidar facções rivais e provocar medo entre moradores.
Na tarde de quinta-feira, após a prisão de cinco suspeitos de um homicídio registrado no mesmo dia no Núcleo São Félix, policiais continuaram monitorando a área e perceberam a presença de um homem na laje da residência investigada.
Guarnições do Batalhão de Missões Especiais (BME) decidiram entrar no imóvel. De acordo com os policiais, o suspeito tentou fugir pela laje e efetuou disparos contra uma das equipes.
Os militares reagiram e atingiram o homem. Ele chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Municipal de Marabá, mas não resistiu aos ferimentos.
Durante a ação, os policiais também cumpriram um mandado de recaptura contra Jailson Sena Barbosa, localizado dentro da residência investigada.
A companheira dele, Mikaela Oliveira dos Santos, que cumpre prisão domiciliar, também foi detida no local.
Segundo a Polícia Civil, o número de telefone utilizado para publicar os vídeos nas redes sociais pertence a ela. O casal foi encaminhado à delegacia para os procedimentos cabíveis.
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