A aposentada Maria das Dores do Carmo, 70 anos, é uma das passageiras que estavam no momento em que o ônibus caiu no Rio Itaporanga, em Barcarena, na última quarta-feira (15/7). O coletivo foi retirado das águas na madrugada desta sexta (17/7). Segundo a idosa, ela foi a última pessoa a sair do transporte e não sabe de onde tirou forças para prender o fôlego por tanto tempo no rio. De acordo com a Marinha do Brasil, oito pessoas estavam no ônibus. Todas conseguiram sobreviver.
Na data do acidente, ela tinha vindo a Belém para acompanhar o filho no tratamento de um câncer. À tarde, Maria retornou para Barcarena, até que, por volta das 18h30, o episódio aconteceu. “Assim que saí da lancha, entrei no ônibus para retornar para casa, junto com o meu marido. Vi dois rapazes sentados na frente e também uma senhora. De repente, o motorista gritou que não conseguia parar (o veículo) e todos entraram em desespero”, contou.
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Segundo ela, foi rápido o momento em que o ônibus desceu a rampa e caiu no rio. Para Maria das Dores, a tragédia poderia ser maior. Isso porque havia muitas pessoas fora do ônibus que não conseguiram entrar no coletivo.
“Meu marido tentou me puxar, mas ele não conseguiu. No sufoco, quatro pessoas saíram do ônibus, incluindo ele. No momento em que o ônibus estava afundando, consegui pegar ar para prender a respiração”, afirmou.
“Fechei os olhos e pedi para Deus não me deixar. Eu vi um clarão e era da janela. Nadei em direção à luz e foi quando saí do ônibus. Custei muito a boiar. Uma mulher viu que eu estava quase me afogando, me salvou e me colocou, junto com um homem, dentro de um barco até chegar o socorro. Graças a Deus entraram poucas pessoas, senão ninguém teria sobrevivido”, acrescentou.
A idosa foi levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e recebeu alta na manhã seguinte. Mesmo assim, os traumas não foram embora. “Não consegui dormir ainda, fico lembrando do desespero das pessoas. Meu joelho está batido. Meu ouvido do lado esquerdo inchou. Estou com dor no seio e no braço de tanto nadar", disse.
Além dos danos psicológicos e físicos, Maria das Dores teve prejuízos financeiros. “Perdi o meu celular e não consigo movimentar o meu dinheiro. Espero que o dono do ônibus tenha consciência e ajude as pessoas que estavam no veículo”, cobrou. Ela aproveitou para falar sobre as situações dos ônibus em Barcarena. “Só alguns prestam. Tem um que vai igual a uma tartaruga. Nossa situação está horrível”, destacou.
A Redação Integrada de O Liberal tenta localizar a empresa responsável pelo ônibus para obter um posicionamento do caso.
