O ônibus que caiu no Rio Itaporanga, em Barcarena, foi retirado da água pouco depois de uma hora da madrugada desta sexta-feira (17), com o auxílio de equipamentos pesados e de uma equipe de trabalhadores, informou o Departamento Municipal de Trânsito (Demutran).
O ônibus que caiu no rio do Porto São Francisco, em Barcarena, começou a ser retirado no final da tarde desta quinta-feira (16), durante uma operação que envolveu equipes de diferentes órgãos de segurança e apoio. A ação foi acompanhada pela Marinha do Brasil, Corpo de Bombeiros, Prefeitura de Barcarena, Defesa Civil, Polícia Militar e Demutran.
Mergulhadores instalaram bombonas no rio para auxiliar na flutuação do veículo. Após essa etapa, uma balsa-guindaste de uma empresa privada, contratada pela cooperativa proprietária do micro-ônibus, fez o içamento e a remoção da estrutura. Em seguida, uma retroescavadeira auxiliou no deslocamento do veículo até a margem.
De acordo com a Marinha do Brasil, o micro-ônibus que caiu dentro do rio no Porto de São Francisco, em Barcarena, estava a 18 metros de profundidade na maré alta. Já na maré baixa, está a 12 metros. No meio do rio, a profundidade chega a 22 metros.
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A diretora do Demutran, Thayse Aragão, divulgou um vídeo explicando como foi a operação de retirada do veículo e as principais dificuldades enfrentadas pelas equipes.
Segundo ela, o maior desafio foi a dependência das condições da maré. "A maior dificuldade é porque a gente acaba ficando dependendo da maré, da natureza. Como o rio tem um calado muito grande, ele apresenta uma profundidade significativa. Na maré vazante, no momento em que o ônibus foi localizado, havia cerca de 13 metros de profundidade.
Já na maré cheia, essa profundidade chegava a mais de 20 metros", explicou. Por causa disso, as manobras só podiam ser realizadas durante a maré baixa.
"As manobras eram feitas quando o rio estava com a maré baixa. Foi identificado que o ônibus estava em pé. Como foram colocadas boias para tentar fazer com que o veículo se levantasse e submergisse, durante essa manobra o ônibus acabou tombando", contou. Ela informou que, diante dessa situação, foi necessário reposicionar o veículo antes da retirada. "Então, a máquina teve que fazer a manobra de puxar e encontrou dificuldade, sendo necessário colocar o veículo novamente em pé. Depois, foi preciso esperar a maré subir para conseguir fazer a virada do veículo", disse.

Atuação dos órgãos de segurança
Thayse Aragão também detalhou a atuação do Demutran logo após o acidente. "Assim que fomos acionados, o Departamento de Trânsito, juntamente com os demais órgãos de segurança, se deslocou para o local. Enquanto departamento de trânsito, nossa principal missão era garantir o fluxo de veículos. Felizmente, não houve feridos nem vítimas fatais. Nosso maior objetivo foi liberar o trânsito e permitir que as equipes de segurança trabalhassem com tranquilidade”, explicou. Segundo ela, a retirada do ônibus começou às 16h de quinta-feira (16) e terminou com sucesso às 1h15 desta sexta-feira.
Após a retirada, o veículo passou a ficar sob responsabilidade da Polícia Civil. "Depois que foi retirado, o veículo foi encaminhado e está agora sob a tutela da Delegacia de Polícia Civil, que vai realizar as investigações para verificar o que de fato aconteceu, se houve falha mecânica ou falha humana”, afirmou. A diretora informou ainda que o delegado responsável já solicitou informações sobre as vítimas atendidas na unidade de saúde.
"O delegado entrou em contato com a UPA, conseguiu o prontuário de todos os atendimentos relacionados ao ocorrido e vai instaurar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), para que sejam adotadas as demais medidas”, informou. Ela acrescentou que o Demutran está colaborando com as investigações. "Nós, enquanto Departamento de Trânsito, estamos entregando todas as informações e documentos de forma transparente, para que possamos trabalhar com transparência junto à população e às autoridades. Esperamos que essa investigação seja concluída o mais rápido possível para que possamos voltar à rotina, reforçando as fiscalizações”, disse.
A diretora também esclareceu como funciona a fiscalização dos ônibus do transporte coletivo. "Os veículos passam por vistoria para liberação do alvará do transporte coletivo a cada seis meses. Nós não verificamos a parte mecânica. Fazemos a vistoria de acordo com as nossas competências e atribuições. A vistoria mecânica é responsabilidade da cooperativa”, contou.
MPPA apura o acidente
Paralelamente, o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) instaurou um inquérito civil para apurar as causas do acidente, ocorrido na última quarta-feira (15), no Porto São Francisco. A investigação busca esclarecer as circunstâncias da ocorrência, identificar eventuais responsabilidades e verificar as condições do serviço de transporte coletivo no município. Entre os elementos que motivaram a abertura do procedimento estão informações divulgadas pela imprensa, registros publicados nas redes sociais e relatos sobre possíveis problemas na frota utilizada no transporte urbano.

