Furtos de celulares caem mais de 13% em um ano no Pará; veja o que fazer se for vítima
No período carnavalesco, com eventos e grandes aglomerações, é necessário ter cuidados
Os registros de furtos de celulares no Pará apresentaram uma queda de aproximadamente 13,2% entre 2024 e 2025, segundo dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup). Já os roubos de aparelhos tiveram uma redução mais discreta, de 0,33% no mesmo período. Apesar da diminuição, durante o Carnaval é necessário tomar cuidados, pois a aglomeração de pessoas aumenta a vulnerabilidade dos foliões. Especialistas orientam sobre o que fazer caso seja vítima de um desses crimes.
De acordo com a Segup, em 2024 foram registrados 23.986 furtos e 25.744 roubos de celulares em todo o estado. Em 2025, os números caíram para 20.814 furtos e 25.659 roubos. Em relação às prisões, houve 448 detenções por furto e 681 por roubo em 2024, enquanto em 2025 foram 355 prisões por furto e 574 por roubo.
Enfrentamento
A Polícia Civil também aponta resultados no enfrentamento aos crimes. Conforme o levantamento, 5.872 celulares foram recuperados em 2024 e 5.754 aparelhos em 2025. A instituição ressalta que, para que a devolução ocorra, é fundamental que as vítimas registrem o boletim de ocorrência e mantenham seus dados atualizados.
Segundo a Polícia Civil, além do registro da ocorrência, a atualização de informações de contato é essencial para que os policiais consigam localizar as vítimas quando os aparelhos são recuperados.
Conscientização
Para o especialista em segurança pública Roberto Magno Reis Netto, a redução nos números é resultado de um conjunto de fatores que envolve ações do Estado, avanços tecnológicos e mudanças de comportamento da população.
“Essa diminuição dos registros de furtos e roubos de celulares se deve não só a um conjunto de medidas realizadas pela Segup e pelos órgãos de segurança pública do Pará, mas também à própria evolução tecnológica, que trouxe mais segurança aos aparelhos, além de medidas pessoais adotadas pela população”, explicou.
Segundo Roberto Magno, uma das principais estratégias foi o redirecionamento do policiamento para áreas mais sensíveis, com base na análise de dados criminais.
“Houve uma intensificação do policiamento inteligente, que passou a observar os locais com maior concentração de roubos e furtos e redirecionar os efetivos, principalmente da Polícia Militar, de forma mais eficiente. A presença policial passou a coibir a prática desses crimes”, destacou.
O especialista também ressaltou o impacto do monitoramento por câmeras públicas e privadas. “Hoje existe um policiamento e um monitoramento muito efetivo por meio de câmeras públicas instaladas em pontos estratégicos das cidades. Em paralelo, cidadãos e empreendedores também utilizam sistemas de monitoramento, o que faz com que as cidades estejam cada vez mais vigiadas e isso auxilia diretamente as forças de segurança”, afirmou Roberto Magno.
Incidência
Sobre a permanência do celular como principal alvo, Roberto Magno explica que, apesar das dificuldades impostas pela tecnologia, o aparelho ainda desperta interesse criminoso.
“Mesmo com os bloqueios e a dificuldade de reutilização do aparelho, o celular ainda é visado pelo desmanche de peças e pelo uso temporário para aplicação de fraudes e acesso a aplicativos. Ainda existem meios de zerar o aparelho para fins de receptação, o que mantém esse tipo de crime ativo”, disse.
Ele também chamou atenção para a realocação de parte da criminalidade para o ambiente virtual. “O que a gente observa é uma migração do crime direto para práticas como fraudes e estelionatos eletrônicos. O ambiente virtual oferece uma blindagem maior ao criminoso e tem ampliado os números dessas modalidades”, avaliou Roberto Magno.
Sobre as áreas mais vulneráveis, o especialista aponta um padrão recorrente. “Locais com grande circulação de pessoas e riquezas, como centros comerciais, além de eventos temporários como shows, jogos e o Carnaval, acabam concentrando mais ocorrências, justamente pela aglomeração e pela vulnerabilidade momentânea”, explicou.
Roberto Magno comenta que a facilidade para o registro de ocorrência garante o combate à subnotificação. “É fundamental que as pessoas registrem o boletim de ocorrência, mesmo quando o aparelho é antigo. Isso permite que o Estado tenha um retrato mais próximo da realidade e consiga agir de forma mais eficiente no combate ao crime”, enfatizou.
Direitos da vítima
A advogada criminalista Sarah Catrine de Souza Xavier explicou que a lei faz distinção clara entre furto e roubo de celulares, conforme a forma como o crime ocorre. “O furto acontece quando o celular é levado sem violência ou ameaça, muitas vezes sem que a vítima perceba. Já o roubo envolve violência ou grave ameaça, ainda que mínima, como empurrões, puxões ou intimidação verbal. Essa diferença é fundamental para o enquadramento jurídico”, esclareceu.
Ela orienta que, ao perceber o crime, a vítima deve agir rapidamente. “O primeiro passo é bloquear o aparelho, o chip e todas as contas vinculadas, como aplicativos bancários e redes sociais. Em seguida, é indispensável registrar o boletim de ocorrência, informando, se possível, o número do IMEI, pois isso é essencial para a investigação e eventual recuperação do aparelho”, afirmou.
Segundo a advogada, o boletim é indispensável para garantir direitos. “Sem o registro, não há investigação oficial. O boletim formaliza o crime, permite medidas como bloqueio do IMEI, rastreamento e responsabilização dos autores, além de ser exigido para seguros e outros procedimentos legais”, explicou.
Sarah Catrine também alertou sobre a compra de celulares de origem ilícita. “A compra, venda ou guarda de celular roubado ou furtado pode gerar responsabilização criminal, mesmo que a pessoa não tenha participado do crime. Preços muito abaixo do mercado e ausência de nota fiscal são indícios claros de irregularidade”, destacou.
Celular recuperado
A jornalista Painah Silva, de 24 anos, contou que teve o celular furtado durante o Carnaval de 2020, em um bloquinho próximo ao canal da Avenida Tamandaré, no bairro da Cidade Velha, em Belém.
“Eu estava com uma pochete na frente do corpo e, no meio da multidão, abriram a bolsa pela primeira vez. Eu vi, fechei e continuei, sem perceber que aquilo já era uma tentativa de furto. Minutos depois, abriram novamente e levaram o celular”, relatou.
Ela descreveu o susto ao perceber o furto. “Eu fiquei completamente desesperada. Nunca tinha sido furtada ou assaltada. Era muita gente, empurra-empurra, e eu não sabia o que fazer”, contou.
Segundo Painah, o aparelho chegou a ser rastreado, mas foi desligado pelo autor do crime. “Eu fiz o boletim de ocorrência online, mas continuei tentando rastrear por conta própria o aparelho. Algumas horas depois, ligaram o celular e consegui rastrear até o bairro da Pedreira. Fui à delegacia, mas disseram que não dava para fazer busca porque a localização não era exata. Foi muito frustrante”, disse.
A recuperação só ocorreu cerca de um ano depois, após o registro do boletim de ocorrência. “Um ano depois, me ligaram dizendo que tinham localizado meu celular. Ele estava com outra pessoa, que tinha comprado sem saber que era produto de furto. Consegui recuperar, graças ao boletim”, afirmou.
A situação, segundo a jornalista, deixou marcas. “Eu fiquei traumatizada. Nunca mais fui para blocos de Carnaval. Hoje evito grandes aglomerações, seguro a bolsa o tempo todo e só fico perto de pontos policiais”, finalizou.
Denúncia
Além do registro presencial, a população pode denunciar o furto ou roubo de celulares no Pará de forma rápida e segura pelos canais oficiais. O boletim de ocorrência pode ser feito online, por meio da Delegacia Virtual da Polícia Civil, disponível 24 horas por dia. Também é possível procurar qualquer Delegacia de Polícia Civil para atendimento presencial. Para denúncias anônimas sobre pontos de venda, receptação ou circulação de celulares roubados, a Segup orienta o uso do Disque-Denúncia 181, que funciona em todo o estado e garante o sigilo do denunciante. As informações repassadas ajudam a direcionar investigações e operações policiais, ampliando as chances de recuperação dos aparelhos e de responsabilização dos envolvidos.
Palavras-chave
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA