Delegada que perdeu 2 filhos em caso semelhante condena ataques à mãe após tragédia em Itumbiara
Após secretário Thales Naves Alves Machado matar os dois filhos e atirar contra si mesmo, Amanda Souza manifesta solidariedade à mãe das crianças e condena comentários machistas nas redes sociais
A delegada Amanda Souza se manifestou nas redes sociais após o caso ocorrido em Itumbiara, onde o secretário de Governo do município, Thales Naves Alves Machado, matou os dois filhos e atirou contra si mesmo nesta quinta-feira (12), após descobrir uma suposta traição.
Amanda viveu uma tragédia semelhante em julho de 2023, quando o ex-marido dela, Paulo César Viana, assassinou os dois filhos do casal, Letícia, de 9 anos, e Marcelo, de 12, e depois tirou a própria vida. O caso ocorreu em Cametá, no nordeste paraense.
Em vídeo, a delegada iniciou a fala prestando solidariedade à mãe das crianças mortas em Goiás e demonstrou indignação com os comentários que vêm sendo feitos nas redes sociais sobre o caso.
Amanda afirmou estar “estarrecida” ao acompanhar as reações do público, principalmente diante de manifestações que culpam a mulher pela tragédia em razão da suposta traição. Segundo Amanda, embora comentários machistas por parte de homens já sejam esperados em uma sociedade estruturalmente desigual, o que mais a indignou foram críticas feitas por outras mulheres.
A delegada destacou que mulheres seguem sendo vítimas de violência motivada por ego e sentimento de posse por parte de homens que não aceitam o fim de relacionamentos ou a recusa. Para ela, nenhum ato de infidelidade justifica violência.
Amanda também questionou a diferença de tratamento social dado a homens e mulheres em situações de traição. Segundo ela, historicamente homens traem com maior tolerância social, enquanto a mulher, quando trai, costuma ser alvo de julgamento mais severo, o que, em hipótese alguma, pode servir de justificativa para crimes.
“Traição não é liberdade para ninguém tirar a vida do outro. Quem ama de verdade não trai, e quem ama de verdade não mata”, afirmou.
Atualmente, a delegada desenvolve o projeto ALMARE, iniciativa voltada ao fortalecimento de relações de acolhimento, apoio psicológico e sororidade entre mulheres, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade emocional e vítimas de violência. A proposta, segundo ela, é criar uma rede de apoio que contribua para romper ciclos de violência e isolamento.
Ao final, a delegada reforçou o pedido por empatia e solidariedade à mãe das crianças mortas em Itumbiara e manifestou o desejo de que ela esteja amparada por uma rede de apoio neste momento de profunda dor.
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