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Dia de São Francisco de Assis; trajetória do santo inspira cuidados a animais

Espaços lutam para dar vida nova a cães e gatos abandonados em Belém

Eduardo Rocha

Não é difícil de se ver todos os dias, em horários diversos, pessoas circulando por Belém com um animal de estimação, em geral, cães e gatos. Essa relação harmoniosa contrasta com muitos casos de abandono e maus tratos de que são vítimas animais domésticos na cidade. No entanto, existe gente sensível, laboriosa que supera dificuldades para cuidar dos bichinhos, muitas delas inspiradas por São Francisco de Assis, ex-mercante de tecidos cuja morte ocorreu em 3 de outubro de 1226. O Dia de São Francisco é comemorado em 4 de outubro, também Dia dos Animais. Ele legou à Humanidade o amor pela vida a partir do Evangelho.

Esse amor pelos seres vivos é seguida por dona Dilma Lúcia Rêgo dos Santos, 59 anos. Ela é a gestora do Abrigo da Dona Dilma, com 145 animais, no Distrito de Outeiro. No local, está uma imagem de São Francisco de Assis. "Ele é o meu inspirador", ressalta Dilma, cuja mãe, Ironeide dos Santos Alcântara, foi quem fundou esse espaço para cães e gatos abandonados e vítimas de maus tratos.

Com 23 anos de funcionamento, o abrigo é onde mora dona Dilma. "Quando eu era criança, saía com a minha mãe e queria abraçar os cachorros que via na rua", revela. Para ela, "uma pessoa que faz mal para um animal nunca teve infância, nunca aprendeu a amar. Falta amor para as pessoas", enfatiza Dilma. O abrigo, mantido com doações, não recebe mais animais, por estar com sua capacidade no limite.

Pandemia fez aumentar maus tratos contra animais, aponta Polícia Civil Mas, para quem comete esse crime, a reclusão é de dois a cinco anos, como explica a Divisão Especializada em Meio Ambiente e Proteção Animal (Demapa)

Entre os voluntários no espaço está advogada Jorgeana Furtado. Ela diz que por mês o abrigo consome 600 quilos de ração para alimentar os animais. "Esses animais chegam em péssimo estado, muitos com fome, doentes, feridos mesmo. A gente fica triste quando vê essas situações. Mas, a nossa escolha é por ajudar os animais. Eles não têm voz, não têm vez", acrescenta. Há dois anos como voluntária no abrigo, Marla Pantoja, 24 anos, estudante de Medicina, diz que a experiência tem valido a pena. "Eu noto que não estou sozinha no cuidar dos animais, mas vejo que quanto mais trabalhamos mais animais maltratados chegam", observa.

"Enxugando gelo", diz cuidadora e gestora de abrigo de animais

O Abrigo AuFamily funciona há 20 anos, dos quais 13 em Outeiro. A nutricionista Ana Navas, voluntária nesse espaço, informa que são atendidos no momento 1073 animais ( cães, gatos, cavalos, jumento e porco) divididos em 7 espaços. Para que pessoas não abandonem ainda mais animais nas portas do abrigo, o endereço do espaço não costuma ser divulgado (@aufamilyabrigo).

O AuFamily se mantém 100% por meio de doações. "Antes quem era mantenedora de tudo era a Raquel Viana, mas depois que ela perdeu a empresa precisou se reinventar para não deixar o abrigo fechar as portas, e graças a Deus e aos seguidores, ela tem conseguido manter. Não existe apoio ou verba pública", pontua Ana Navas. O abrigo reúne 20 empregados que atuam na limpeza dos canis, 3 auxiliares de veterinária e 2 veterinárias. São 5 voluntarias na coordenação.

"Trabalhamos praticamente enxugando gelo. Não há vencimento quando as pessoas querem mais fazer o mal em detrimento do bem. Falta de conscientização da sociedade em geral.", enfatiza Ana. Ela exemplifica a falta de sensibilidade com os bichinhos lembrando "o massacre ocorrido em Santa Cruz do Arari, em 2013 ( amplamente divulgado na internet ), quando recebemos 123 animais em um só dia”. Outro agravante é a falta da aplicabilidade da lei, arremata.

Cães e gatos encontram em pessoas como dona Dilma um "agente de São Francisco de Assis" (Cristino Martins / O Liberal)

Mercante e seguidor do Cristo

São Francisco de Assis nasceu em 1182 e morreu em 1226, em Assis, na Itália. Era filho de rico comerciante de tecidos, e por volta dos 20 anos de idade inicia um processo de conversão religiosa a partir do encontro com um crucifixo na Igreja de São Damião e da leitura da Bíblia -- como naquele tempo não havia muitos exemplares Francisco ouvia a Palavra de Deus nas missas, como revela frei Luís Rota, 69 anos, pároco da Paróquia de São Francisco de Aassis - Capuchinhos, em São Brás.

Em 1207, ele deixou tudo, renunciou à profissão de mercante de tecidos, que exercitava com o pai, despojou de todos suas vestes, de seus bens perante os bispos de Assis. O pai não se conformava que Francisco esbanjasse o dinheiro que arrecadava dando aos pobres.  Francisco tornou-se, como frisa frei Rota, um "outro Cristo", como evangelizador, na prática da oração e na vida de pobreza, de castidade, de obediência. Fundou a Ordem dos Franciscanos.

"Essa imitação de Cristo se realizou plenamente, quando em 17 de setembro de 1224, no Monte Alverne, Cristo apareceu na forma do anjo Serafim e imprimiu no próprio corpo de Francisco sinais da Paixão, as Santas Chagas nos pés e nas mãos e no peito", destaca frei Rota. O amor dele pelos seres vivos criados por Deus foi exposto em "O Cântico das Criaturas", em que as chama de irmão, irmã, Mãe Terra, como manifestações divinas.

A Arquidiocese de Belém comemora o Dia de São Francisco de Assis nas paróquias dedicadas ao Santo. Nesta segunda, às 19h, haverá Carreata de São Francisco pelas ruas de São Brás. Em Icoaraci, na Paróquia São Francisco de Assis, também haverá carreatas.

Pará
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