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Verão amazônico não reduz risco de viroses, alerta médico infectologista; veja como se prevenir

Pará possui maior circulação de Vírus Sincicial Respiratório (VSR), Rinovírus, Adenovírus e Metapneumovírus

Ayla Ferreira
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No Pará, é comum associar as viroses, doenças causadas por vírus, ao inverno amazônico, que proporciona temperaturas amenas e chuvas frequentes. Porém, a elevação das temperaturas com a chegada do verão também pode favorecer casos de infecções virais, como explica Caio Botelho, médico infectologista e doutor em Virologia. Para evitar o calor, a população tende a procurar espaços fechados e climatizados, o que pode aumentar o risco, caso haja uma pessoa infectada no local.

Entre os vírus com maior circulação no estado, estão: Vírus Sincicial Respiratório (VSR), Rinovírus, Adenovírus e Metapneumovírus. Os dados são da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa), que mantém vigilância epidemiológica e laboratorial permanente dos vírus respiratórios em circulação no Pará, por meio da rede de monitoramento e dos exames processados pelos laboratórios de referência.

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Já a Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma) informou que os vírus mais identificados em Belém são vírus sincicial respiratório, rinovírus e Influenza A e B. Observa-se também sinais de aumento nos casos de Covid-19 no mês de junho. Em Belém, a faixa etária mais acometida são < 10 anos e > 60 anos.

“As chuvas ainda estão prevalecendo, ainda temos um período chuvoso, que faz com que as pessoas fiquem mais tempo aglomeradas e fazendo assim maior transmissão de infecções virais”, diz o médico, de Belém. Ele afirma que a transmissão viral ocorre a partir da aglomeração de pessoas. Ou seja, mesmo que uma pessoa infectada esteja assintomática, ao ficar perto de outras pessoas, ela pode transmitir uma virose.

Segundo a literatura médica, ambientes ventilados possuem menor taxa de transmissão de infecções virais respiratórias. Existem também outros tipos de infecções por vírus, como as arboviroses, que podem ser transmitidas por picadas de insetos, bem como viroses que surgem pelo contato com a água contaminada.

“A Influenza e o rinovírus são dois grandes vírus circulantes na região amazônica. Nós temos um rinovírus que ele tem algumas características de adenovírus, ou seja, ele pode ser inoculado pela via respiratória e ter sintomas gastrointestinais”, explica Caio Botelho. Isso ocorre porque os vírus podem comprometer as mucosas, gerando a associação de sintomas respiratórios e intestinais mesmo em viroses respiratórias.

De acordo com a Sespa, o Pará registrou 3.349 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) entre 1º de janeiro e 30 de maio de 2026, com 147 óbitos. A pasta realiza o monitoramento contínuo de SRAG e outros agravos respiratórios registrados no estado. Em Belém, foram 1.563 casos de SRAG e 3.163 notificações de SG, conforme gráfico enviado pela Sesma.

Em relação à influência das condições climáticas, a Sespa esclarece que fatores ambientais podem impactar o comportamento de algumas doenças respiratórias e virais, mas a ocorrência desses agravos depende de múltiplos fatores, como a circulação dos vírus, aglomerações, cobertura vacinal, condições de saúde da população e características locais de transmissão. 

Cuidados

O médico infectologista Caio Botelho destaca que é preciso se atentar aos casos de infecções transmitidas por picadas de insetos, também comuns no estado. Com a proximidade do mês de julho e das férias, muitas pessoas viajam para balneários. “Regiões onde tem água parada, tem uma multiplicação da população de mosquitos e faz com que exista transmissão por inoculação. Nem sempre é um resfriado, às vezes pode ser um quadro de uma arbovirose. Dengue, oropouche, chikungunya e zika vírus são transmitidos pela picada de inseto”, alerta.

Por isso, é importante controlar a população de insetos, além de fazer uso de roupas de proteção e repelentes. Para a proteção de infecções respiratórias, o médico infectologista Caio Botelho recomenda a lavagem das mãos ao chegar em casa e máscaras em caso de sintomas gripais, como dor de garganta, nariz entupido e moleza no corpo.

É preciso ter atenção também aos sinais de alerta. Pacientes com mais de 65 anos e menos de dois anos de idade, que estejam há mais de cinco dias com sintomas, ou então com febre alta, moleza e cansaço extremos, devem buscar atendimento médico. Caso o paciente tenha dor no peito ou nas costas, ou febre acima de 38,5º, também é necessário buscar orientação de um profissional.

Pessoas com sintomas respiratórios devem evitar frequentar ambientes coletivos sempre que possível, contribuindo para reduzir a transmissão dos vírus em circulação.   A Secretaria reforça ainda a importância da vacinação dos grupos mais vulneráveis, especialmente crianças, idosos e gestantes. 

A vacina contra a Influenza permanece disponível nos postos de vacinação dos 144 municípios paraenses até 31 de julho de 2026. Já a vacina contra a Covid-19 está disponível para crianças menores de 5 anos e para idosos, que devem receber dose de reforço a cada seis meses. Para as demais faixas etárias, os municípios podem solicitar as doses conforme a necessidade local.

Para pacientes com síndrome gripal, pessoas com sintomas leves (coriza, tosse, dor de garganta, febre baixa, dores no corpo e mal-estar sem falta de ar) a Sesma recomenda procurar, preferencialmente, uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou unidade de atenção primária para avaliação, testagem e acompanhamento.

A Sesma recomenda procurar atendimento de urgência (UPA, pronto atendimento ou hospital) quando houver sinais de agravamento, como:

  •  Falta de ar ou dificuldade para respirar.
  •  Dor ou pressão no peito.
  •  Lábios ou extremidades arroxeadas.
  •  Confusão mental, sonolência excessiva ou desmaio.
  •  Piora progressiva dos sintomas.
  •  Saturação de O2 menor ou igual a 94%.

Veja como se prevenir

  • Mantenha a vacinação em dia, especialmente contra Influenza e Covid-19
  • Higienize as mãos com água e sabão ou álcool em gel
  • Cubra nariz e boca ao tossir ou espirrar
  • Evite contato próximo com pessoas que apresentem sintomas gripais
  • Use máscara caso de sintomas gripais ou em situações de maior risco
  • Mantenha os ambientes ventialdos
  • Procure atendimento médico diante de sinais de agravamento, como falta de ar, febre persistente ou piora do estado geral

Fonte: Sespa

*Ayla Ferreira, estagiária de Jornalismo, sob supervisão de Fabiana Batista, coordenadora do Núcleo de Atualidades

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