Tuberculose segue como desafio no Pará, com mais de 5 mil casos anuais
Dia 24 de março é o Dia Mundial de Combate à Tuberculose
No Dia Mundial de Combate à Tuberculose, celebrado em 24 de março, especialista e autoridades de saúde reforçam o alerta sobre a persistência da doença como um grave problema de saúde pública. No Pará, dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará revelam um cenário que exige atenção contínua, apesar de avanços no controle e tratamento.
De acordo com a Sespa, o estado registrou 5.663 novos casos de tuberculose em 2024 e 5.568 em 2025. Em 2026, até fevereiro, já foram notificados 494 casos. A doença atinge majoritariamente homens, foram 3.756 casos em 2024, 3.684 em 2025 e 330 neste ano. Entre as mulheres, os registros foram de 1.903 casos em 2024, 1.884 em 2025 e 164 em 2026. A faixa etária mais afetada concentra-se entre 15 e 64 anos.
Em relação à mortalidade, o Pará contabilizou 355 mortes em 2024, 382 em 2025 e 76 em 2026. Apesar disso, um dado considerado positivo pelas autoridades de saúde é a redução no abandono do tratamento, que passou de 677 casos em 2024 para 328 em 2025 e apenas 1 registro em 2026, indicando avanço nas estratégias de adesão.
Segundo o pneumologista Rubens Tofolo, a tuberculose é uma doença infecciosa grave e contagiosa, causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch. A transmissão ocorre pelo ar, por meio de gotículas eliminadas ao tossir ou espirrar. Embora seja uma doença antiga, ela ainda representa um desafio global e nacional. “A tuberculose atinge cerca de 80 mil pessoas por ano no Brasil e provoca milhares de mortes, sendo fortemente associada a fatores sociais, como pobreza e dificuldade de acesso ao tratamento”, explica.
Os principais sintomas incluem tosse persistente por três semanas ou mais, podendo haver presença de sangue, febre no período da tarde, sudorese noturna, perda de peso e cansaço. De acordo com o especialista, a recomendação é procurar atendimento médico ao perceber sintomas respiratórios por mais de uma semana, especialmente se houver agravamento.
Alguns grupos são considerados mais vulneráveis à doença, como pessoas que vivem com HIV, população privada de liberdade, usuários de álcool e outras drogas, além de pessoas em situação de rua, idosos e crianças. Pacientes com doenças crônicas, como diabetes e câncer, ou com problemas pulmonares, também estão mais suscetíveis.
Na região amazônica, fatores climáticos e sociais contribuem para o aumento da vulnerabilidade. “O chamado inverno amazônico favorece doenças respiratórias, que podem evoluir para quadros mais graves, como a tuberculose”, destaca Tofolo.
O diagnóstico é feito por avaliação clínica e exames laboratoriais, incluindo radiografia de tórax e testes específicos. No Pará, a rede pública de saúde oferece gratuitamente exames como baciloscopia, cultura, teste rápido molecular e exames de imagem, além de medicamentos disponibilizados pelo Ministério da Saúde.
O tratamento também é integral e gratuito pelo Sistema Único de Saúde, sendo realizado principalmente na Atenção Primária. Casos mais complexos são encaminhados para unidades de referência, como o Hospital Universitário João de Barros Barreto e o Hospital Regional de Santarém. Uma das principais estratégias para garantir a cura é o Tratamento Diretamente Observado (TDO), que fortalece o vínculo entre paciente e equipe de saúde.
A Sespa reforça que a prevenção passa pela identificação de contatos de pessoas infectadas e pelo tratamento da infecção latente, interrompendo a cadeia de transmissão. Diante de qualquer suspeita, a orientação é buscar uma unidade de saúde para diagnóstico e início imediato do tratamento.
Tuberculose no Pará
Casos
2024: 5.663
2025: 5.568
2026*: 494
Perfil
Maioria: homens
Idade: 15 a 64 anos
Óbitos
2024: 355 | 2025: 382 | 2026: 76
Palavras-chave
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