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Terra desprendida encalha próximo a Afuá; tentativas de remoção serão feitas na tarde de hoje (27)

Especialista avalia o que pode ter causado o desprendimento do pedaço de terra

Camila Guimarães

A porção de terra que se desprendeu na região do Arquipélago do Marajó flutuou à deriva até encalhar próximo à cidade de Afuá, no nordeste do estado. De acordo com informações da prefeitura do município, a massa de terra e vegetação se enroscou perto de uma empresa exportadora de madeira e, mesmo após a tentativa de remoção feita ainda ontem (26), com o apoio de cinco embarcações, continua presa. No início da tarde desta quarta-feira (27), novos esforços devem ser empreendidos para mover o bloco.

Um cálculo preliminar da prefeitura, que deve ser melhor apurado também na tarde hoje, avalia que o pedaço de terra tem o tamanho de um campo e meio de futebol. O risco, segundo o secretário Municipal de Meio Ambiente, Hilder Vinícius de Souza Félix, é que a ilhota siga para o Rio Santana, que é mais estreito, e acabe obstruindo a passagem. A expectativa da nova tentativa de remoção desta tarde é mover o bloco de terra com a ajuda da maré, em direção à Calha Norte até as ilhas das Facas e dos Camaleões.

Outro risco apontado por Hilder é a possibilidade de a ilha abrigar animais perigosos, que se escondem em terras alagadas. Por isso, orienta que os curiosos não se aproximem do pedaço de terra. A advertência veio após dois caçadores irem até a ilhota em busca de animais silvestres.

Em nota, a Superintendência Regional do Serviço Geológico do Brasil (Sureg-Belém), que é responsável pelo mapeamento das áreas de risco geológico e hidrológico, diz que vai avaliar o fenômeno no município de Afuá, após pedido realizado pela Secretaria de Meio Ambiente do Município. No momento, o órgão afirma que “há necessidade de estudos mais aprofundados no local para a verificação dos fatores causadores do processo e dos riscos associados”.

 

Deslocamento deve ter causas naturais

A professora da Universidade Federal Rural da Amazônia, Vânia Neu, que é doutora em ecologia e estuda região que vai de Óbidos até Afuá, no Marajó, explica que o desprendimento de terra é um fenômeno comum, um tipo de erosão que acontece ao longo dos rios que pode ter causas naturais ou antrópicas (provocadas por ação humana).

Ela avalia que, no caso da ilhota em Afuá, a primeira opção é mais provável: “Pelo que a gente observa nas imagens, eu acredito que seja um fenômeno natural. Além disso, essa região tem muita influência do mar, influência da maré. Esse vai e vem das águas ajuda nesse processo de ruptura. Até mesmo o deslocamento de barcos que causam ondas nos rios podem levar a esse deslocamento de solo”, explica.

A especialista também diz que o período de chuvas favorece fenômenos como esse, portanto, o inverno amazônico pode ter colaborado para o desprendimento desse pedaço de terra. “É muito comum nesse período que o rio está cheio. Muitas vezes acontece após chuvas muito fortes que saturam o solo de água e a estrutura fica frágil. É nesses momentos que acontece a ruptura e formam ilhas”.

Vânia observa dois possíveis destinos para a ilhota que segue encalhada próximo à cidade de Afuá: ou ela fica presa em algum lugar e adere a um novo solo ou pode seguir o fluxo do rio até o mar. Entretanto, apenas uma avaliação técnica mais próxima pode determinar o curso mais provável da situação.

Pará
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