CONTINUE EM OLIBERAL.COM
X

Fé, gratidão e recomeço: capelas e igrejas acolhem histórias de saúde renovada em Belém

Em Belém, dentro do mais antigo hospital do Estado do Pará – a Santa Casa de Misericórdia – a capela histórica foi reaberta e reforçou a fé de pacientes e dos servidores

O Liberal

Com a chegada do Ano Novo, muitos fiéis transformaram a mudança de fase em um momento de silêncio, oração e gratidão. Em capelas e igrejas, as pessoas buscam renovar a fé, agradecer pela saúde própria ou de familiares e pedir força para enfrentar novos desafios. Mais do que celebrar, esse se torna um tempo de reflexão e recomeço, marcado pela esperança de dias melhores e pelo fortalecimento espiritual após períodos de dificuldade.

Em Belém, dentro do mais antigo hospital do Estado do Pará – a Santa Casa de Misericórdia – a capela histórica foi reaberta e reforçou a fé de pacientes e dos servidores. Localizada no interior do complexo centenário, a capela foi construída em 1900 (final do século XIX) e estava fechada desde os anos de 1990. Com aproximadamente 375 metros quadrados e capacidade para 80 pessoas, conta com um acervo sacro importante dos séculos XIX e XX.

Capela da Santa Casa de Misericórdia

A paciente Necilene Maria do Nascimento, de 30 anos, natural de São Domingos do Capim, da comunidade Sagrado Coração de Jesus, estava internada no hospital para se tratar de um sangramento. A reabertura da capela serviu para ter momentos de conforto nesta situação delicada. “É muito importante, nesse momento de fragilidade, estar mais próximo da fé e buscar ainda mais aproximação com Deus. Ele é o médico dos médicos, e a fé nos dá forças para seguir em frente”, destacou.

“A restauração da capela foi muito importante, pois é um espaço de fé, onde você se sente bem. É um lugar onde, ao chegar com o coração angustiado, você sai em paz. Foi assim que aconteceu comigo: fui muito angustiada, triste e abalada, mas saí de lá com o meu coração em paz”, ressaltou.

Necilene chegou à Santa Casa de Misericórdia com um sangramento muito intenso. Ao ser examinada, a equipe médica descobriu uma lesão no colo do útero. A fé ajuda a dar mais forças para a recuperação. “Eu me sinto feliz e privilegiada por ter um espaço de fé, onde há amor e onde podemos buscar a Deus nos momentos de fragilidade, tristeza e dor. Nesse lugar, você sente a presença de Deus ao seu lado, te acalmando e tirando a angústia do coração. Eu fui tão angustiada para lá e saí com o coração em paz”, complementa.

A enfermeira Luzia Ribeiro trabalha na Santa Casa há 19 anos. Atualmente, Luzia está no setor da Casa da Gestante, um espaço para acolher as gestantes, bebês é puérperas, principalmente do interior do estado que necessitam de acompanhamento de saúde e que não precisam estar ocupando um leito hospitalar. “A espiritualidade é de grande importância para a integralidade do cuidado do paciente, pois a fé é uma das dimensões da cura e inclusive a OMS [Organização Mundial da Saúde] já inseriu a espiritualidade em seu conceito de saúde”, afirmou.

“Para mim, que sou católica e membro da Pastoral da Saúde é de grande importância ter na instituição em que trabalho uma capela que estava fechada há tanto tempo, ser restaurada com tanto zelo”, agradeceu. “Ter esse espaço religioso dentro da Santa Casa, uma instituição tricentenária é como de alguma forma também poder fazer parte dessa história é uma grande honra e emoção”, destacou.

A restauração

O engenheiro Marcelo Frota, responsável pela obra de restauração da capela, reforça a importância do espaço que também é aberto para toda a população para a realização de missas. “Eu costumo dizer como falei anteriormente, a capela, que é a menina dos olhos assim tá casa, né? E era um anseio muito grande dos servidores, usuários do hospital e da própria população paraense, que conhecia esse espaço antes, poder reabrir um espaço que há 35 anos estava fechado. Um espaço onde falamos de renovação de fé, de esperança, onde a pessoa vem aqui se dedica a um momento de oração ou até mesmo para agradecer por uma graça alcançada. Isso é muito gratificante poder fazer parte desse projeto”, detalhou.

Renovação, reflexão e agradecimentos

A Igreja Messiânica Mundial foi fundada em 1935, no Japão, por Mokiti Okada, Meishu-Sama (Senhor da Luz, em tradução livre). Dentro da religião, a época de fim de ano se traduz em renovação, reflexão e agradecimentos pelo ano que passou, para purificar o espírito para o novo ciclo que se inicia. A pedagoga Ana Cláudia Araújo, de 48 anos, faz parte da Fé Messiânica há 17 anos e afirma que vivenciou milagres.

Durante a gravidez, Ana apresentou diversos problemas de saúde, como falta de ar, aumento da pressão arterial, perda excessiva de proteínas pelos rins e risco de vida iminente para ela e para o bebê. “Diante desse quadro, passei a morar na casa das minhas irmãs, que são messiânicas e comecei a receber johrei, apoio e cuidados da família e das missões”, conta.

image A pedagoga Ana Cláudia Araújo. (Foto: Cristino Martins | O Liberal)

O johrei é um método onde uma energia espiritual, chamada luz divina, é lançada por meio da imposição de mãos, com o objetivo de eliminar as impurezas espirituais, como máculas e pecados, e purificar o espírito pela luz de Deus. Segundo Ana Cláudia, as impurezas são causadas por pensamentos e ações negativas e são as causas dos sofrimentos, enquanto a purificação leva à saúde, prosperidade e felicidade.

"O johrei me ajudou a purificar meu espírito e a agradecer em qualquer circunstância, assim resolvendo o problema de saúde. Um milagre que salvou minha vida e a da minha filha", afirma. Depois do parto, que foi normal, a filha nasceu com 7 meses e foi para UTI, onde continuou a receber assistência de johrei. "Ela foi entubada e precisou fazer cirurgias no coração e na cabeça. Ao receber johrei diariamente, esse quadro foi se revertendo, não sendo mais necessário realizar as cirurgias, e após 24 dias recebidos alta", diz o membro da igreja.

Depois de 28 dias, Ana levou a filha para agradecer a Meishu-Sama e recebeu a Medalha da Luz Divina, que auxilia na prática do johrei e na purificação do espírito. Ela é outorgada pela cerimônia do Ohikari, ritual litúrgico pelo qual a pessoa se torna membro oficial e recebe permissão para ministrar o johrei. Desde então, ela ministra para todas as pessoas ao redor. “Passei a ajudar muitas pessoas e continuei encaminhando, outorguei mais de 80 pessoas que receberam a medalha da Luz Divina”, conta.

image A pedagoga Ana Cláudia Araújo. (Foto: Cristino Martins | O Liberal)

Na fé messiânica, os milagres são vistos como a intervenção direta de Meishu-Sama — muitas vezes para curar doenças, trazer felicidade, mudar o destino ou transformar pessoas egoístas em altruístas. “Agradecemos através das práticas messiânicas: participando dos cultos, fazendo o donativo de Gratidão, relatando experiências, dedicando-nos à prática do johrei, cuidando das pessoas e guiando-as para a fé messiânica”, explica.

Para Ana Cláudia, a fé a ajuda a entender a sua verdadeira missão no mundo, que, segundo ela, é construir o paraíso terrestre, “auxiliando e guiando as pessoas a saírem do sofrimento que elas mesmas causaram em suas vidas, através do serviço e das práticas messiânicas”, diz. A chegada do ano novo dentro da fé messiânica é celebrada com um culto, onde os membros da igreja agradecem a Meishu-Sama, a natureza e renovam o compromisso com a construção do paraíso terrestre, agradecendo pelas dificuldades superadas.

*Ayla Ferreira, estagiária de Jornalismo, sob supervisão de João Thiago Dias, coordenador do Núcleo de Atualidades

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Pará
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

RELACIONADAS EM PARÁ

MAIS LIDAS EM PARÁ