Deputados paraenses avaliam 2025 e projetam cenário político para 2026
Parlamentares projetam análises para o ano de eleições majoritárias
Faltando 10 meses para as eleições majoritárias de 2026, deputados estaduais avaliam 2025 e reafirmam posicionamentos para o novo ano eleitoral, em que mais de 6 milhões de paraenses vão às urnas, em 4 de outubro, para escolher seis representantes: deputado federal, deputado estadual, dois senadores, governador e presidente da República.
O presidente da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), Francisco Melo Filho, do MDB, o deputado Chicão, considera o momento cedo demais para projetar análises, “ainda vai haver a convenção dos partidos, filiações em março, mudanças de partidos, as janelas abertas pela Justiça eleitoral”, listou ele, indicando que tais momentos podem mudar a cena política estadual.
Chicão enfatizou que o ano eleitoral não o preocupa com relação à presença dos deputados estaduais na Alepa. Ele disse que, nas últimas eleições, em 2024, uma única sessão foi encerrada por falta de quórum. Os parlamentares estavam na Casa, mas em seus respectivos gabinetes, e ele encerrou a sessão por falta de quórum, contudo, descontou a falta dos ausentes, e ocorrido não se repetiu.
‘Deputados são conscientes da obrigatoriedade da presença nas sessões’, diz deputado Chicão, do MDB
"Para a minha alegria, na sessão seguinte, nós tínhamos os 41 deputados presentes no plenário. “Não tem lógica, nós termos uma sessão legislativa sem os deputados, então quanto a isso eu não tenho preocupação, os deputados são conscientes da obrigatoriedade da presença nas sessões, independente de momento eleitoral ou não”.
Chicão disse inclusive que sempre que a Alepa tem uma folga no conteúdo das sessões legislativas, ele põe em pauta a apreciação de vetos de governadores bem anteriores à atual Gestão Helder Barbalho, que nunca foram votados. “Os vetos não eram apreciados por serem considerados impopulares, nós já derrubamos ou aprovamos mais de 100 vetos, dos governos Almir Gabriel, Ana Júlia e Simão Jatene. Conseguimos esvaziar essa pauta”, afirmou, em coletiva à imprensa no dia 19 de dezembro.
Para o deputado Thiago Araújo, do Republicanos, a COP 30 (30ª Conferência Mundial sobre Mudança do Clima), em novembro passado, em Belém, alçou o Pará para um melhor cenário. “Falar de 2025 e não ressaltar a importância da COP30 para o estado, e à capital, é inimaginável”, disse ele, em entrevista ao Grupo Liberal, em 10 de dezembro passado.
Thiago acredita que a conferência gerou uma mudança de paradigma no Pará: “Uma injeção de ânimo na autoestima da população”, afirmou. Ele listou, entre as obras deixadas como legado para a cidade, o Parque da Cidade, como “um complexo de lazer, esporte, gastronomia que movimenta milhares de pessoas todos os dias e faz com que famílias se reúnam, se divirtam e possam aproveitar essa beleza deixada em nossa cidade”.
‘2026 será de crescimento cada vez mais forte’, diz Thiago Araújo, do Republicanos
Thiago Araújo também mencionou as obras do Porto Futuro 2, a Nova Doca, a Nova Tamandaré e a Rua da Marinha. “Em um ano, o Pará avançou muitos anos. Em 2026, não vai ser diferente: novas obras serão entregues tanto em Belém quanto no interior, como exemplo o novo hospital materno infantil que será entregue, em breve, em Belém. 2026 vai ser um ano de muito trabalho para o crescimento de um Pará cada vez mais forte”, disse.
O deputado Eliel Faustino, líder da bancada do União Brasil, afirmou que o ano de 2025 foi um ano de vitórias para o povo paraense. Ele destacou que a COP 30 incrementou o turismo; e oportunizou a melhora da logística, com a criação de portos, como o de Outeiro, pronto para receber cruzeiros, e falou da implantação dos cinco viadutos na Grande Belém e da instalação do BRT Metropolitano.
Faustino contou que participou de debates na COP 30 sobre a pesca e a aquicultura, no âmbito da bioeconomia, e ressaltou que aprovou, também, a lei que concede a Belém o título de ‘Capital da fé’, considerado, por ele, como uma medida que fortalece a identidade e a relevância da cidade no contexto nacional a partir da força religiosa. Essa lei foi aprovada dias antes do Círio de Nazaré em outubro.
‘Pará avançou em infraestrutura e saneamento’, diz Eliel Faustino, do UB
Para 2026, Faustino disse que, como membro da Comissão de Finanças, da Alepa, teve “a oportunidade de ser relator de empréstimos que permitiram o aumento da nossa cobertura de saneamento dentro da região metropolitana. Hoje, nós temos o legado da COP 30. Um legado de infraestrutura, de turismo e do fundo de financiamento ambiental. Foi um ano de uma grande gestão do governo estadual”.
No balanço do ano político, a deputada Lívia Duarte, do Psol, listou a revogação da Lei 10.820/2024, que promovia alterações no Estatuto do Magistério do Estado, como o episódio mais marcante de 2025. A decisão de revogação (em fevereiro passado) resultou de intensa mobilização de comunidades e educadores. “Essa lei retirava direitos dos trabalhadores do Sistema de Organização Modular de Ensino (Some) e extinguia o Some Indígena (Somei), a Lei do Magistério e o PCCR”, afirmou a deputada.
No âmbito da Alepa, Lívia Duarte criticou o descumprimento de emendas impositivas, que são garantidas a deputados, da base aliada ou não. Também apontou o excesso de empréstimos aprovados pelo governador do estado. "Já superaram a casa dos R$ 21,7 bilhões, no acumulado das duas gestões de Helder Barbalho”, afirmou. Ela criticou, ainda, “um excesso de vetos a projetos de iniciativa de parlamentares, muitas vezes, sem embasamentos concretos, aprovados pela base de apoio, isso tira o direito básico do deputado, que é legislar”, disse a parlamentar.
‘Tenho lado, e é o lado do povo’, afirma Lívia Duarte, do Psol
Para 2026, Lívia Duarte disse que a expectativa “é continuar na luta”. Não se sabe se o governador conseguirá construir uma relação mais respeitosa com o conjunto das forças políticas do Legislativo. Mas, tenho lado e é o lado do povo, portanto, se o governo do Pará quiser abrir privatizações, como o caso vergonhoso da Cosanpa, me encontrará do outro lado da linha”.
O deputado Rogério Barra (PL) vê 2026 como um ano de crescimento das forças de direita. “Vejo um cenário claro: a direita tem espaço, tem base social e tem representação política sólida no Pará. Isso ficou evidente no desempenho eleitoral do deputado Éder Mauro, para a prefeitura de Belém em 2024”. Éder Mauro obteve 43,64% dos votos, enquanto Igor Normando, do MDB, foi eleito com 56,36%votos, em outubro do ano passado.
“A nossa expectativa é fortalecer ainda mais esse campo político, ampliar o diálogo com a sociedade e defender uma agenda de valores, de responsabilidade fiscal, segurança pública e liberdade. O PL trabalha unido para apoiar o nome que representa esse projeto no plano nacional. A candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência da República surge como oposição ao Brasil de Lula, que retrocedeu em vários aspectos, inclusive, na liberdade de expressão e na liberdade econômica”, afirmou Barra.
‘Aprovei leis com medidas objetivas’, afirma Rogério Barra, do PL
Ele destacou que aprovou, entre outros dispositivos legais, a lei de nº 10.851/2025, que proíbe o uso de verba pública em eventos que promovam à sexualização de crianças e adolescentes; e a Lei de nº 10.876/2025, que trata do controle da reprodução de cães e gatos em situação de rua. “São medidas objetivas”, afirmou ele, que também contesta os empréstimos do governo estadual. “São sucessivos, e questionáveis”, enfatizou Barra.
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