Sespa volta a negar nova onda do coronavírus no Pará

Em coletiva, representantes do governo estadual dizem que houve queda tanto no número de casos como de mortes

Eduardo Rocha

Em entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira (16), dirigentes da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), da Universidade do Estado do Para´(UEPA) e da Universidade Federal da Amazônia (UFRA), afirmaram que desde maio o Pará registra uma queda substancial nos números de casos e óbitos relacionados à covid-19, logo após o pico da pandemia no quinto mês de 2020.

“Os dados mais novos, de ontem (15) que foi o último boletim fechado, nós notamos uma diminuição de 90% no número de casos, na média móvel, comparado com 14 dias atrás, e 74% na média móvel de óbitos, também quando comparado com 14 dias atrás”, destacou Denilson Feitosa, diretor de Vigilância em Saúde da Sespa.

Esse número por dia pode variar com o envio das notificações dos municípios, gerando o cadastro de um novo óbito ou um novo caso. No entanto, mesmo se adicionando casos e óbitos verificados em dias anteriores ao processo de monitoramento da doença no Estado, não existe mudança no comportamento da curva no Pará, na avaliação da secretaria.

Hospitais particulares

A Sespa verificou junto aos hospitais particulares que não há aumento de internações por covid-19. Os técnicos observaram que neste período do ano, além dos casos de covid-19, ocorre a circulação, por exemplo, de renovírus e H1N1, que provocam síndrome gripal. Mesmo com a retomadas das aulas presenciais para as crianças, a tendência observada pela Sespa é de queda de casos.

Denilson Feitosa disse que ao tomar conhecimento de informações que não batiam os dados do monitoramento do Governo, a Sespa contatou com quase todos os hospitais privados de Belém. “Conversamos com esses hospitais no intuito de saber se haveria, de fato, um aumento no número de atendimentos, de internações nessas unidades, o que não restou comprovado pelos próprios hospitais; nós temos feito essa avaliação diariamente; inclusive, hoje uma equipe da Vigilância em Saúde percorreu vários desses hospitais, justamente para visualizar o cenário, o quadro, e coletar informações de número de internação e de atendimentos de urgência, que tiveram como base a Covid-19 ou síndrome respiratória aguda grave, e não restou comprovado qualquer tipo de mudança nesse número do que vem acontecendo, do que é esperado”.

Barros Barreto

No Hospital Barros Barreto não houve alteração na quantidade de leitos, como disse Feitosa. Ele ressaltou que a gestão da unidade decidiu diminuir a circulação de pessoas no hospital para evitar aglomerações, decisão essa não fundamentada em aumento do número de casos.

“Em relação aos hospitais privados, o que foi visto e repassado por esses hospitais é que não foi necessária nenhuma ampliação no número de leitos disponíveis para pacientes com a Covid-19 tanto clínicos quanto leitos de UTI, e nós não temos observado aumento no número de internações também”, frisou Feitosa.

A partir do inquérito epidemiológico a cargo da UEPA, como frisou Denilson Feitosa, observa-se uma taxa estável de pacientes de covid-19 no Estado. A partir desse inquérito, observa-se que a porcentagem de pessoas no Pará que tiveram contato com o coronavírus está em média em 25%, ou seja, 1 milhão e 300 mil.

Leitos

Guilherme Mesquita, diretor da Regulação do Estado e também da Auditoria. Ele disse que o Estado já teve 702 leitos de UTI operacionais e 1.519 leitos clínicos, como número máximo de leitos no decorrer da pandemia. Hoje, são 277 leitos com taxa de ocupação de 59%; então, hoje, o quantitativo de leitos de UTI é de 40% do valor total do já se teve e se trabalha com uma folga de 40% de leitos desocupados.

Nos leitos de UTI Pediátricos, hoje são 35 no total, dos quais 11 são utilizados.
“Do ponto de vista da regulação, hoje nós não temos pressão na fila comparado ao que já tivemos”, afirmou Guilherme. Ele ressaltou que hospitais antes com perfil exclusivo para pacientes de Covid-19 retomam outros serviços médicos para atendimento à população.

Sem nova onda

O portal de monitoramento da Covid-19 no Estado com seus serviços e dados à serviço dos interessados foi apresentado por Gustavo Costa, diretor de Desenvolvimento de Sistemas da Prodepa. Gustavo afirmou que se observa nas médias móveis tanto por data do sintoma quanto pela data da publicação do caso uma queda acentuada de novos casos de óbitos da Covid-19.  “Desde maio, nós temos uma queda constante de novos casos”, observou.

Jonas Castro, da UFRA, coordenador do estudo Boletim Covid-19, (que visa fazer projeções sobre o comportamento do vírus e necessidade de atendimento médico), indicou a estabilização de casos e óbitos. “Com as informações que nós temos e dispomos ao momento, nós não conseguimos visualizar indícios nem tendências de uma segunda onda”, afirmou.

Já o vice-reitor da UEPA, Clay Chagas, coordenador do estudo Evolução da Prevalência da Infecção da Covid-19 no Pará, abrangendo 52 municípios, informou que na segunda fase do trabalho foram identificadas 1,3 milhão de pessoas que tiveram contato com o vírus, sobretudo, na Grande Belém e no Nordeste do Pará. A pesquisa está em sua terceira fase e as informações preliminares sã indicam que o cenário da doença estabilizou-se, ficando semelhante ao da segunda etapa do levantamento técnico feito com teste rápido e formulário.

Pará
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