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Rondon do Pará recebe aterro sanitário ainda este ano

Objetivo é fazer a destinação correta dos resíduos sólidos produzidos no município, reduzindo danos ao meio ambiente

Camila Gusmão/ Especial para O Liberal

Em Rondon do Pará, cidade da região sudeste do Estado do Pará, a 155km de Marabá, está sendo construído um aterro sanitário. A previsão de entrega da obra é outubro deste ano, quando será instalado um centro de gestão integrada de resíduos sólidos e iniciado o processamento do lixo descartado pela população. Aquilo que não for reutilizado na reciclagem, será destinado à ‘célula’, onde ocorrerá a produção do chorume, que, com o tratamento adequado, poderá voltar para a natureza. 

Matteus Rodrigues, engenheiro civil responsável pela construção, garante que apesar dos atrasos ocasionados pela chuva, a obra está dentro do prazo previsto e deve contar com várias instalações que vão proporcionar benefícios ao meio ambiente. “O aterro é composto pelo centro de convivência, onde estão administrações, recepção e refeitório, e banheiros. Além disso serão construídos três galpões, sendo dois deles para coleta seletiva, uma para a logística reversa e outro para oficina de apoio. Fora a construção das células, que servem pra receber os resíduos que não serão utilizados. A célula de tratamento é específica para o chorume, seguido do tratamento, para ser reutilizado pela natureza”, explica Rodrigues.

Próximo ao espaço da obra, que fica há dez quilômetros do município, está localizado um lixão a céu aberto. No local, algumas pessoas ainda trabalham de forma manual, na separação e coleta do lixo. É um trabalho difícil e perigoso, que pode trazer riscos para a saúde, como explica Ivete Carvalho, que já atua há sete anos nessa atividade. Segundo a catadora, seu trabalho consiste em encontrar restos de materiais recicláveis que podem ser comercializados, como plásticos, latinhas e papel. 

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Para fazer essa separação do material reciclável, que pode ser comercializado, é necessário abrir sacos de lixo contendo objetos cortantes, animais mortos, lixo hospitalar e produtos químicos. No entanto, ela não consegue deixar esse trabalho, porque é a única forma de renda da família. Existe a esperança de que após a construção do Centro de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, vai poder ter mais segurança para trabalhar. “Com  o aterro sanitário eu espero melhorar, porque a gente vai trabalhar na sombra. Para mim é uma felicidade! É o que eu mais quero, porque aqui a gente fica no sol, se fura com agulha, com espeto de carne, com lâmina de gilete e corta o dedo, então para mim, já é uma melhora”, comenta Ivete Carvalho. 

O projeto vai ao encontro da Política Nacional de Resíduos Sólidos - PNRS, cujo objetivo é acabar com os locais de descarte irregular do lixo pelos próximos dois anos. No Brasil ainda existem cerca de três mil unidades irregulares. Conforme a Política, o objetivo é que até 2040 seja possível recuperar 48,1% dos resíduos sólidos urbanos. Hoje, apenas 2% desse material é reaproveitado.  

Rondon será referência para esta região, já que os municípios próximos ainda não têm esse projeto. No entanto, para que alcancem bons resultados é preciso empenho do poder público para implementar métodos de coleta do lixo e criar conscientização na população, já que neste município a maior parte do material é descartado de forma irregular. A prefeitura afirma que pretende iniciar a atuação já no próximo semestre, implantando estratégias nas coletas seletivas, em campanhas nas escolas, nas empresas, no comércio e na comunidade. 

Incentivo para a reciclagem

Para Thiago Barbosa, diretor do Departamento Ambiental na Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente - SECMA, o projeto é encarado como um trabalho de mudança cultural, já que as pessoas ainda não têm o hábito de separar o lixo em casa e descartar da forma correta. Portanto, existem algumas medidas de incentivo ao comércio, em que o estabelecimento que praticar a reciclagem poderá receber uma certificação ambiental e estímulos, como descontos em produtos da Prefeitura como alvará, licenciamento ambiental etc. Também deve ser feita a conscientização de porta em porta, levando os moradores que não se adaptarem às novas regras, receberem o aviso de que o lixo não será coletado, caso não esteja separado da forma correta. “É um trabalho muito árduo de mudança, porque Rondon hoje não conta com esse serviço de separação. Então a gente entende que é difícil mudar essa perspectiva em um curto espaço de tempo”, afirma o diretor.

O lixão a céu aberto de Rondon do Pará será fechado e a área deve passar por um processo de recuperação. Os catadores que atuam no local serão transferidos para uma Unidade de Cooperação e Resíduos – UTR que vai funcionar no Centro de Gestão Integrada. Atualmente, 23 trabalhadores estão cadastrados para trabalharem no local e vão receber capacitação para formalizarem a cooperativa e atuarem no mercado da reciclagem. A perspectiva é encarar esse projeto como uma mudança social, que pode mudar a vida de pessoas que estão marginalizadas e podem avançar para uma condição econômica melhor. 

Para o meio ambiente é o cenário ideal, levando em consideração a PNRS. Com o aterro será possível fazer o tratamento adequado da drenagem dos gases e do chorume, além de evitar a contaminação do lençol freático. “A gente sabe que existem outras alternativas, mas em nível nacional o aterro é a melhor opção. A partir da separação, a gente consegue diminuir a quantidade de lixo que vai para esse aterro. Então a gente aumenta a vida útil desse aterro sanitário, diminuindo o gasto público”, explica Barbosa. 

(Camila Gusmão, aluna de jornalismo da Unifesspa com supervisão de Antônio Carlos Ribeiro e Janine Bargas, docentes da Facom/Unifesspa) 

Pará
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