Quebra de balanças que parou Porto de Barcarena acarreta prejuízos

Cerca de 200 caminhoneiros esperam há uma semana por CDP para descarregar

Victor Furtado

Cerca de 200 caminhoneiros estão presos no porto de Vila do Conde, em Barcarena. O local é administrado pela Companhia Docas do Pará (CDP). Segundo o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens no Estado do Pará (Sindicam), duas das três balanças de carga estão quebradas. Isso torna o atendimento e operações de descarga no porto muito mais lentas. Por isso, há um acúmulo de demanda que está sujeitando trabalhadores a uma espera que chega a uma semana. Há cargas vivas entre os muitos caminhões parados há dias.

Enquanto esperam indefinidamente, os caminhoneiros estão vulneráveis do lado de fora do porto. Não têm onde se alimentar ou fazer a higiene pessoal. As necessidades fisiológicas estão sendo feitas no mato. Se quiserem dormir, não há segurança. Tudo isso com o prejuízo de tempo e qualidade de vida. Na avaliação do presidente do Sindicam, Eurico Tadeu Miranda, essa é uma condição análoga à escravidão.

Eurico afirma que o problema atual vem sendo construído por diversas condições já denunciadas ao Ministério Público do Trabalho (MPT), Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT), Ministério dos Transportes, Ministério do Trabalho e Secretaria Nacional de Portos. Mas nada tem sido feito para conter excessos de cargas em caminhões (com notas fiscais falsas para burlar a fiscalização), horas de trabalho excessivas e sobrecargas na capacidade dos portos. E a falta de estrutura para acolher os trabalhadores também vem sendo denunciada, mas sem reposta.

"Quando chegamos para conversar com trabalhadores, na função legítima de sindicato, a CDP nos impediu de fotografar, filmar e, sem condições de receber mais caminhões, colocou vários veículos para dentro do pátio, restringindo nosso acesso. O pior é que lá de dentro, não podem sair. Foram feitos reféns. Lá dentro nem tem como se virar com alimentação por vendedores ambulantes ou necessidade fisiológicas", critica Eurico. A capacidade de atendimento e operação do porto seria de 30 a 40 caminhões. O porto tem recebido mais de 100 caminhões diariamente.

Um boletim de ocorrência foi registrado na Delegacia de Barcarena por Eurico, para relatar as condições degradantes às quais os caminhoneiros foram submetidos. O sindicalista ainda afirma que as empresas estão ameaçando trabalhadores que entrem em contato com a imprensa.

A Redação Integrada de O Liberal já entrou em contato com a CDP e aguarda posicionamento.

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