No Pará, mais de 3,8 mil pacientes recebem medicação para Alzheimer
Apesar do dado expressivo, também existem subdiagnósticos, principalmente em áreas rurais, ribeirinhas e municípios distantes
No estado do Pará, mais de 3,8 mil pacientes recebem medicação especializada para a Doença de Alzheimer (DA), através da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). Já no Brasil, os casos de Alzheimer seguem avançando, e podem triplicar até o ano de 2050. Segundo Amujacy Tavares, cirurgião-dentista e coordenador do Programa Estadual de Saúde do Idoso da Sespa, o aumento é explicado pelo envelhecimento populacional, maior sobrevida da população, melhor capacidade de diagnóstico e maior busca por atendimento.
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“O Ministério da Saúde define a doença de Alzheimer como um transtorno neurodegenerativo progressivo, associado à deterioração cognitiva, perda de memória, prejuízo das atividades de vida diária e alterações comportamentais”, diz o coordenador. Além da idade, existem alguns fatores de risco importantes para o surgimento da doença, como: baixa escolaridade; hipertensão arterial; diabetes; obesidade; sedentarismo; tabagismo; depressão; isolamento social; perda auditiva; abuso de álcool; traumatismo craniano e poluição ambiental.
No Brasil, 48% dos casos de demência podem estar associados a fatores de risco modificáveis, segundo dados do Relatório Nacional sobre Demência do Ministério da Saúde, o que reforça a importância da prevenção ao longo da vida. No Pará, a quantidade de 3,8 mil pacientes que recebem medicação especializada é considerada expressiva, mas não deve ser interpretada sozinha como prevalência total da doença, segundo Amujacy.
O número representa pacientes cadastrados e com diagnóstico para recebimento de medicamentos pelo Componente Especializado da Assistência Farmacêutica nas Unidades de Dispensação de Medicamentos, com um fluxo estabelecido pela Sespa.
“Como há subdiagnóstico, especialmente em áreas rurais, ribeirinhas e municípios distantes dos serviços especializados, o número real de pessoas com Alzheimer ou outras demências pode ser maior. A identificação e o acompanhamento dos pacientes ocorrem pela rede SUS, geralmente a partir da Atenção Primária em Saúde, com encaminhamento para avaliação especializada quando há suspeita clínica”, destaca o cirurgião-dentista.
O Governo do Estado, por meio da Sespa, atua para implementar uma linha de cuidado específica. Pacientes com Alzheimer já estão sendo acompanhados em policlínicas por todo o Pará. Atendimentos por meio da telemedicina, como também pelo acolhimento e acompanhamento biopsicossocial, já são realizados, além do olhar humanizado específico para cuidadores que acompanham os pacientes.
“O tratamento específico para que o paciente tenha qualidade de vida é a grande ideia. Esses investimentos já são contínuos, eles estão identificados, as demandas já são sanadas e a gente precisa cada vez mais também trabalhar dentro da atenção primária, nos municípios, para otimizar essa identificação mais precoce”, reforça.
Acesso à medicação
Os medicamentos para tratamento de Alzheimer são orientados pelo protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para a doença determinados pelo Ministério da Saúde, segundo a Sespa. O Governo do Estado, através do Departamento de Assistência Terapêutica da Sespa e unidades dispensadoras, realiza a distribuição de 10 tipos de medicamentos para o tratamento especializado.
Por fim, a Sespa informa que a doença é acompanhada desde os sintomas iniciais na rede de atenção primária, já na rede estadual especializada o acompanhamento é feito com geriatras nas Policlínicas, Unidades de Referência Especializada (URE Doca), Hospital Jean Bitar e, ainda, hospitais universitários (gestão federal).
Para garantir o acesso aos medicamentos, o Ministério da Saúde exige critérios de Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), além de documentos como Cartão Nacional de Saúde, documento de identidade e prescrição médica. As medicações oferecidas pelo SUS para Alzheimer, conforme o Ministério da Saúde, são adquiridas pela Sespa e dispensadas na rede de saúde.
Os medicamentos são:
- Donepezila
- Galantamina
- Rivastigmina
- Rivastigmina Adesivo Transdérmico
- Memantina
O acesso ocorre de forma gratuita e entregue pela Dispensação nas Unidades Dispensadoras de Medicamentos Especializados (UDMEs), que buscam garantir integralidade do tratamento medicamentoso ambulatorial conforme protocolos oficiais. O Pará enfrenta alguns desafios para o acesso contínuo aos medicamentos e tratamento. A distância geográfica, a dificuldade de deslocamento, bem como a necessidade de consulta especializada e renovação periódica de documentos são alguns dos problemas.
“O Governo do Estado está ampliando e qualificando os serviços especializados ao cuidado integral da pessoa idosa, ampliando os serviços de diagnósticos de imagens e laboratoriais em Policlínicas, hospitais regionais, capilarização de rede de serviços por meio de Telemedicina com oferta de Neurologistas e Geriatras em consultas em localidades distantes e regiões de difícil acesso em todo o território paraense”, afirma o coordenador.
Inovações
Amujacy destaca que a Sespa vem desenhando ações e estratégias para desenvolver uma linha de cuidado para Alzheimer e outras demências, que serão implementadas no estado por meio de qualificações de equipamentos da APS, rede Especializada e Hospitais Regionais. “Como referência, o Hospital Jean Bitar, em Belém, possui atendimento em Geriatria para pessoas idosas e realiza ações educativas sobre Alzheimer; a unidade fica na Rua Cônego Jerônimo Pimentel, nº 543, Umarizal”, diz.
No interior, o Hospital Regional do Sudeste do Pará, em Marabá, também realiza ações de conscientização e é referência regional de média e alta complexidade para 22 municípios. No campo da prevenção e diagnóstico precoce, estão sendo realizadas ações de capacitação da Rede de atenção à Saúde para identificação e manejo inicial de protocolos para acompanhar os pacientes na Rede de Atenção à Saúde.
“O que já existe são ações integradas ao SUS: atenção primária, saúde da pessoa idosa, assistência farmacêutica especializada, consulta especializada nas Policlínicas e Hospitais Regionais possibilitando diagnósticos mais céleres e cuidados específicos com proposta de plano de cuidado multiprofissional. Há campanhas educativas, como Setembro Lilás e Fevereiro Roxo, atendimento especializado e ações de humanização e preocupação com os cuidadores”, avalia.
*Ayla Ferreira, estagiária de Jornalismo, sob supervisão de Fabiana Batista, coordenadora do Núcleo de Atualidades
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