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Mundurukus do Pará protestam em Brasília pela regulamentação da mineração em terras indígenas

De acordo com o MPF, o grupo que se reuniu em frente à Esplanada dos Ministérios hoje é composto por uma minoria munduruku aliciada por garimpeiros ilegais

Thiago Vilarins (Da Sucursal Brasília)

 

Cerca de 50 indígenas da etnia Munduruku, do Alto Tapajós, no Pará, protestaram nesta terça-feira (20), na Praça dos Três Poderes, em Brasília, em favor do Projeto de Lei 191/20, que regulamenta a extração de minério, petróleo e gás, além da construção de hidrelétricas em reservas indígenas. A manifestação vai de encontro com as declarações do presidente Jair Bolsonaro, que desde a posse defende o aproveitamento econômico de territórios indígenas. "O índio tem o direito de explorar isso de forma racional, obviamente. O índio não pode continuar sendo pobre em cima de terra rica", disse Bolsonaro, em abril de 2019, ao encontrar representantes indígenas, que reivindicam o direito de explorar as reservas tradicionais.

Os manifestantes fizeram um grande círculo, gritaram palavras em apoio ao presidente Bolsonaro e abriram suas faixas direcionadas ao Congresso Nacional, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Palácio do Planalto. Todos eles fazem parte da Associação Indígena Pusuru - Povo Mundukuru do Alto Tapajós, que tem como bandeira o progresso e desenvolvimento através da mineração e da agricultura em seu território. Nas faixas, predominavam mensagens contra a presença de Organizações não Governamentais (ONGs) nas terras indígenas.

(Reprodução LibPlay)

"Nós queremos bem longe os ongueiros, porque eles trazem muita divisão para nós, muito conflito para nós indígenas. E a gente não quer isso. Somente uma associação representa a gente, que é a Pusuru. As outras associações, representam poucas pessoas e por isso a gente não quer os ongueiros, que fazem a cabeça dos colegas nossos e só trazem divisão", explica a indígena Marielen Apiaká, representante dos povo Munduruku do Alto Tapajós.

O antropólogo Edward Luz, um dos líderes da Missão Novas Tribos do Brasil (MNTB), se apresentou como um assessor de imprensa convidado pelos Munduruku nesta manifestação. "São várias aldeias, 147 no total, são 15 mil índios, em média, e boa parte deles pratica a mineração como atividade tradicional. A mineração é praticada desde a década de 60, por meio da garimpagem tradicional, que era permitido pelo Estatuto do Índio de 1973. Acontece que, nos últimos anos, eles foram adquirindo novas tecnologias de garimpagem, como pá retroescavadeira, o que o acabou deixando eles desprotegidos pela legislação. Então, eles foram jogados na ilegalidade por causa da inatividade do Congresso Nacional", defendeu.

"Hoje temos indígenas que não concordam com a mineração, que acham que essa mineração é destrutiva, porque tiveram a cabeça feita por ativistas ongueiros que são totalmente contrários a qualquer tipo de mineração. Mas, têm eles aqui que concordam que a mineração pode ser feita de forma mais respeitosa com a natureza. Eles esperam um debate amplo aqui no Congresso Nacional", completou.

A manifestação desta terça contrasta com os protestos de segunda-feira, Dia do Índio (19), que uniu centena de indígenas contra o PL 191/2020. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), esse grupo indígenas é uma minoria Munduruku aliciada por garimpeiros ilegais. Em nota, o MPF denuncia que "a comitiva não representa o interesse da maioria da etnia Munduruku, e sim apenas o interesse de mineradores ilegais que aliciaram e financiam o grupo minoritário".

O MPF informou que teve acesso a áudios postados em grupo de garimpeiros que revelavam a estratégia dos criminosos de levar os indígenas a Brasília para barrar operações contra a mineração ilegal e pressionar pela aprovação do PL 191.

Organizações indígenas do Alto e Médio Tapajós também se uniram em torno do movimento Munduruku Ipereg Ayu para denunciar a associação da mesma etnia que se aliou ao garimpo e viajou a Brasília. Em nota, o movimento afirma não autorizar a "associação Pusuru a representar nosso povo em nenhum assunto com o governo federal".

Pará
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