Milhares de quelônios são soltos no rio Tocantins, em Marabá

Desde 2017, o Projeto Quelônios realiza o manejo dessas espécies, com o objetivo de contribuir para a preservação e manutenção desses animais no seu habitat natural

Tay Marquioro
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O Projeto Quelônios de Marabá realizou na manhã do último domingo (15), a soltura de milhares de filhotes tartarugas-da-Amazônia (Podocnemis expansa) e tracajás (Podocnemis unifilis) no rio Tocantins, um dos que banham a cidade de Marabá, no sudeste do Estado. A soltura foi realizada às 8 horas, na Praia do Tucunaré, principal cartão postal do município.

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O projeto Quelônios da Amazônia é uma iniciativa da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) e a soltura ocorre em parceria com o Conselho Municipal de Meio Ambiente de Marabá, Secretaria Municipal de Meio Ambiente e recursos do Fundo Municipal de Meio Ambiente de Marabá pelo Núcleo de Estudos em Educação Ambiental (NEAm), da Unifesspa.

Desde 2017, o Projeto Quelônios realiza o manejo dessas espécies, com o objetivo de contribuir para a preservação e manutenção desses animais no seu habitat natural. "Esta é uma atitude que marca o esforço coletivo para conter a extinção destas espécies em nossos rios em área de elevada antropização", diz o convite emitido pela Unifesspa e estendido a toda a sociedade. "Ao longo destes anos, já foram devolvidos mais de 140 mil filhotes no Rio Tocantins com a ajuda de diversos apoiadores", complementa a instituição.

Antes de serem integrados à natureza, esses filhotes passaram por um longo período de preparação e cuidados. A coleta dos ovos começa a ser feita com meses de antecedência, logo após o período de montagens dos ninhos pelos animais adultos. Os ovos necessitam de cerca de 65 dias em incubação. Após essa etapa, os ovos eclodem e os filhotes são colocados em pequenos tanques feitos com lonas, onde recebem todos os cuidados necessários até serem soltos. Durante a estadia nos berçários, os animais são alimentados com vegetação retirada do próprio rio Tocantins, além de receberem suplemento proteico, como ração balanceada.

image Tartaruga-da-Amazônia é colocada em seu habitat natural (Divulgação/ Ascom Unifesspa)

Sobre as características gerais desses animais, a tartaruga-da-Amazônia é considerada o maior quelônio aquático de água doce da América do Sul. Essa espécie já figurou entre os animais ameaçados de extinção e, por isso, sua preservação é tão importante. Sua fase reprodutiva inicia quando o animal atinge 25 quilos e cada fêmea põe, em média, 70 ovos por ninho. Já o tracajá é bem menor e possui características diferentes de acordo com a onde vive região. Na Amazônia, um tracajá tem oito quilos, em média, mas aqui na região os exemplares encontrados não passam de quatro quilos. Em relação a sua reprodução, esse quelônio normalmente põe 16 ovos a cada ninhada.

Aos interessados em participar da ação de soltura dos animais, a orientação é que a concentração ocorra a partir das 7 horas, na orla da cidade, para a travessia até a Praia do Tucunaré.

Sobre o NEAm

O Núcleo de Estudos em Educação Ambiental é coordenado pelo prof. José Pedro de Azevedo Martins, e tem como principal objetivo desenvolver programas de educação ambiental crítica, com projetos centrados na educação formal e informal, abordando o contexto político, econômico, ambiental e cultural. Nos últimos anos, o NEAm tem sido responsável pelo desenvolvimento de dois grandes projetos: Propesca e Quelônios do Tocantins. Esses projetos se integram às ações de educação ambiental escolar e popular, contando com a parceria de um conjunto de pesquisadores, tendo como eixo aglutinador a dinâmica socioambiental regional.

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