Exclusivo: Justiça do Trabalho determina leilão da 'Ponta do Cururu', em Alter do Chão

Os interessados podem até mesmo dar lances parcelados em até 30 vezes com entrada mínima de 25% do valor da oferta

Ândria Almeida

Um leilão anunciado nesta quarta-feira, 28, tem chamado a atenção. Isto porque a Justiça do Trabalho determinou a venda de um imóvel na vila balneária de Alter do Chão, localizada há cerca de 37 km da zona urbana do município de Santarém, oeste do Pará, que inclui famosos pontos turísticos da região como a Ponta do Cururu, três lagos e extensa área de floresta.

A Ponta do Cururu, em Alter do Chão, é o cenário de um dos mais famosos pôr do sol paraense (Divulgação/ Dorgival Viana)

O leilão ocorre porque a Associação Cristã de Moços do Rio de Janeiro (ACM-RJ), proprietária da área, tem uma dívida trabalhista não paga e que já resultou na indisponibilidade do bem imóvel.

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O imóvel, em frente a Alter do Chão, possui área de cerca de 140 hectares ou aproximadamente 1.400.000m² (um milhão e quatrocentos mil metros quadrados) e foi vendida ainda na década de 1980 pelo governo do Estado para um grupo responsável por empreendimentos turísticos. A ACM-RJ o adquiriu em fevereiro de 2000 por R$ 96.360,00.

O local também conta com a Ponta do Tauá, os Lagos das Piranhas, do Jacaré e das Mangueiras, além de uma casa de máquinas e duas pequenas casas de madeira.

A Justiça do Trabalho avaliou o imóvel em 5 milhões de reais e, quem tiver interesse, pode arrematá-lo dando lances a partir de metade (2.5 milhões), acrescido de comissão de leiloeiro de 5%.

Os interessados podem até mesmo dar lances parcelados em até 30 vezes com entrada mínima de 25% do valor da oferta. Se o vencedor oferecer pagamento parcelado, o vencedor ainda dependerá de decisão judicial que pode ou não confirmar a venda.

Segundo leilão

Apesar de a Justiça já ter determinado a venda, a ACM-RJ também está tentando vender o imóvel em um outro leilão, promovido pela própria associação.

Em sua tentativa de venda, a associação avaliou o imóvel em quase oito vezes mais que a Justiça do Trabalho, totalizando R$ 39.000.000,00 (trinta e nove milhões) de lance mínimo, a ser acrescido de 6% de comissão ao leiloeiro.

Detalhamento do imóvel

A ACM define seu imóvel como estando “a aproximadamente 40,0 km da cidade de Santarém e de aproximadamente 5,0 km de Alter do Chão, contendo uma área total de 140ha. Possui uma área com vegetação de média densidade a alta densidade com uma mediana variedade de espécies frutíferas. A área possui um relevo variando entre 1 e 15% de inclinação contendo alguns “paredões” de terra na beira do rio Tapajós. A fauna é diversificada com vários mamíferos, répteis, peixes, pássaros, insetos e anfíbios. Existem três lagos na área denominados como lago Jacaré, lago Piranha e lago Mangueira que em determinada época do ano sofrem muita influência do nível do rio Tapajós”.

Os interessados podem até mesmo dar lances parcelados em até 30 vezes com entrada mínima de 25% do valor da oferta (Divulgação/ Dorgival Viana)

Além disso, aponta que o imóvel “possui algumas edificações em um camping, do tipo maloca, quiosques com apoio de mesa e cadeiras de concreto. Possui uma base com banheiros e chuveiro para os visitantes e moradores próximos. A água é captada por poço, visto possuir um grande volume de água no subsolo”.

Com a penhora do imóvel e a proibição de vender diretamente, no leilão proposto pela ACM-RJ o arrematante pagará 10% do valor proposto de imediato e o restante somente quando a associação quitar “qualquer dívida que impossibilite o registro do imóvel para o arrematante”.

A Ponta do Cururu, em Alter do Chão, é o cenário de um dos mais famosos pôr do sol paraense; esse paraíso é ponto turístico certo entre os guias que atuam na vila. A praia tem uma grande extensão de areia que ganha encantamento com as águas límpidas do Rio Tapajós; a beleza natural ganha mais cor com a descida do sol em dias quentes.

Assim como a ilha do amor, a Ponta do Cururu depende da chegada do verão para se revelar. O acesso é possível através de barcos particulares, ou por meio da Associação de Turismo Fluvial de Alter do Chão (ATUFA) que oferece o passeio nas lanchas.

O guia turístico, André Ferreira Pinho, da Atufa, fala da preocupação de perder esse  ponto turístico que é considerado o carro chefe dos passeios realizados pela associação. “Existe uma preocupação nossa porque ela é uma parada obrigatória de quem vem a Alter do Chão. Todo mundo vem para ver o pôr do sol de lá. Temos medo com essa possibilidade de ir a leilão e alguém arrematar e proíba o acesso dos turistas”, enfatizou.

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Pará
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