IBGE faz apelo para que população de Marabá responda ao Censo 2022

O Censo é o principal retrato de quem são e como vivem as populações urbanas de rurais do país e serve como um banco de dados que norteia a aplicação de recursos, distribuição de projetos e criação de políticas públicas em todo o território nacional

Tay Marquioro
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A coleta de dados do Censo 2022 ainda não terminou em Marabá, sudeste do Pará, assim como em milhares de outros municípios brasileiros. O trabalho, que foi iniciado em agosto do ano passado, deveria ter sido concluído já no mês de outubro seguinte, mas encontra na resistência da população um dos maiores obstáculos para sua realização. Com as visitas domiciliares atrasadas e muitas vezes cerceadas, o prazo foi estendido para o final deste mês de janeiro de 2023.

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A coordenadora de área do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Tereza Penha, explica que o trabalho já começou com atraso, pois este Censo deveria ter sido realizado em 2020, mas precisou ser suspenso em virtude da pandemia de covid-19. “Mas mesmo no início da mobilização, nós tivemos uma carência de recenseadores, por diversos motivos. Inclusive, estamos agora com o auxílio de recenseadores de outros locais em Marabá. Há recenseadores de Belém, Parauapebas e alguns até do estado do Maranhão”, conta. “Além disso, a nossa dificuldade maior é em relação ao acesso aos domicílios, porque alguns moradores ainda desconfiam do recenseador. A gente sabe que a segurança é uma questão importante, mas o nosso recenseador está uniformizado, está credenciado e, no crachá dele, tem um QR Code, disponível para acesso pelo celular do cidadão. Por meio desse QR Code, é possível confirmar a identidade daquele recenseador.”

As fake news também têm sido um fator complicador para o trabalho do IBGE. Muitas pessoas pensam que responder às perguntas propostas nos questionários aplicados pelos recenseadores pode levar à suspensão de benefícios federais, como o Bolsa Família, antigo Auxílio Brasil, por exemplo. “Por isso, é importante que a gente esclareça à população que essas informações repassadas não vão ser utilizadas para nenhum outro fim que não sejam fins estatísticos. Então, o cidadão não é identificado, tudo o que for falado ao recenseador estará registrado no equipamento e essas informações são repassadas imediatamente aos nossos computadores centrais e, aí sim, é que se vai juntar as informações do estado, da região e do Brasil”, explica Tereza.

O Censo é o principal retrato de quem são e como vivem as populações urbanas e rurais do país e serve como um banco de dados que norteia a aplicação de recursos, distribuição de projetos e criação de políticas públicas em todo o território nacional. Não responder ao questionário pode levar a uma distorção da realidade vivida no município e implicar inclusive na redução de repasses de verba. “Para municípios com menos de 170 mil habitantes, por exemplo, isso pode ter impacto direto no repasse dos recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Para os demais municípios, é mostrar a realidade de cada região, mostrar o perfil dos seus moradores, o acesso a serviços de áreas como educação, saúde e demais serviços. O Censo também é utilizado como base para desenvolvimento de projetos realizados per capta. Então dependendo da quantidade populacional, o município pode receber mais ou menos recursos para utilizar em áreas fundamentais”, esclarece a coordenadora.

Dificuldades para acessar os imóveis

Percorrendo as ruas de Marabá desde o início da coleta de dados, o recenseador Pablo Simões é um dos bate de casa em casa todos os dias conversando e tentando aplicar os questionários do Censo 2022. Para ele, que está em campo, outra dificuldade encontrada é o desvio de finalizada dos imóveis que, principalmente nos centros com maior circulação de pessoas, são parte residências e parte estabelecimentos comerciais. “É complicado, porque nem sempre o comerciante é o proprietário do imóvel, ele é um locatário. Isso dificulta o nosso acesso a quem realmente mora no local”, relata.

Sobre as perguntas feitas aos cidadãos, Pablo conta que existem dois questionários. Um mais básico e outro com perguntas mais específicas. “Eles aparecem de forma aleatória no nosso sistema. No formulário básico, a gente preenche com o cadastro da pessoa, nome, idade, data de nascimento e alguns detalhes da moradia e da família. Quantos quartos, banheiros, se houve o falecimento de algum membro entre 2019 e 2022. Já o outro formulário, que é o de amostra, já é bem mais detalhado. Já são perguntas sobre atividade profissional, sobre escolaridade, as características físicas do indivíduo, se o indivíduo tem alguma dificuldade para enxergar, se locomover, se alimentar. Tudo isso contribui para que a gente entenda as especificidades de cada família”, explica.

Até o momento, o IBGE estima que as visitas domiciliares tenham sido realizadas em mais de 100 mil residências. Isso representa algo em torno de 70% dos lares marabaenses, tanto na zona urbana quanto na rural. Em uma dessas residências, vive a dona Regina Soares. A autônoma conta que mora há quase 40 anos no mesmo endereço na Rua Norberto Melo, na Marabá Pioneira e não vê problemas em receber os recenseadores. “Porque eu entendo que é muito importante para a nossa região e para o Brasil inteiro, não é? Para que o governo saiba como as pessoas vivem, quantos nós somos, as nossas maiores necessidades. Então eu não tenho receio de abrir a porta, já estou acostumada com as visitas deles”, afirma Regina. “Os recenseadores andam identificados, são sempre muito educados comigo, então a gente sabe que são pessoas de bem, que é seguro receber”.

Para se ter uma ideia da relevância do Censo para retratar a realidade da população, vale relembrar alguns dados levantados na última consulta feita em Marabá. Segundo dados do Censo 2010, a população estimada no município era de 233.669 pessoas. A extensão territorial era de 15.128,058 km², mas apenas 31,8% desse território contava com rede de esgotamento sanitário, por exemplo. Sobre os ganhos da população, a informação era de que 41,3% da população vivia com rendimento mensal de até meio salário mínimo.

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