Escolas privadas querem voltar e dizem que Pará tem 'imunidade de rebanho': Sespa nega esse cenário

Carreata esta manhã percorreu ruas pedindo retorno gradativo imediato às aulas, a partir de segunda-feira

Victor Furtado

Uma carreata foi às ruas na manhã desta quarta-feira (29) para pedir a volta gradativa das aulas na rede privada do Pará, a partir desta segunda-feira (3) de agosto. O ato é organizado pela União das Escolas do Pará (Unesc), entidade que representa mantenedoras de escolas particulares paraenses, e percorreu por uma hora o boulevard Castilhos França e a avenida Portugal, até a Assembleia Legislativa do Estado do Pará. Cerca de 52 veículos participaram da manifestação. Segundo a entidade, "já há imunidade de rebanho no Pará", o que permitiria o retorno. A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), porém, nega essa afirmação, dizendo que não é possível aferir esse cenário. Veja:

"Somos um grupo de mantenedores preocupados com a educação. Alguns há 35 anos nesse mercado. Entendemos que é importante esse retorno às aulas agora em agosto, de modo seguro, gradativo e responsável", diz Marcelo Ferreira, presidente da Unesc, entidade organizadora da carreata. Segundo a organização, cerca de 50 instituições privadas estiveram presentes no ato. A Unesc diz que pelo menos três escolas particulares do Pará já encerraram as atividades pela crise da pandemia de covid-19.

Concentração ocorreu esta manhã na Escadinha (Thiago Gomes / O Liberal)

Retorno seria híbrido e gradativo, pedem escolas


Segundo defende a Unesc, o retorno gradativo seria híbrido. "Ele ocorreria em 25%, depois 75% e 100%. Os alunos que não se sentirem seguros de seguir para as aulas presenciais ficarão em casa no sistema online. Os que desejarem o sistema presencial irão para os colégios", propõe Ferreira. "Hoje o aluno não tem escolha. Ele só pode ficar em casa".

Segundo também argumenta a Unesc, a entidade tenta também dar respostas a uma demanda de pais que já querem o retorno às aulas. "O pai pode ter essa escolha de retorno de forma responsável, segura e gradativa". 

Carreata percorreu trecho por uma hora, até Alepa (Thiago Gomes / O Liberal)

Na rede pública estadual retorno foi adiado


No dia 16 de julho o governador Helder Barbalho e o próprio Conselho Estadual de Educação confirmaram um recuo na retomada de aulas na rede estadual, prevista para a próxima semana.

Segundo o governo do Estado, um possível retorno na rede pública estadual só será avaliado de novo, no dia 15 de agosto, com base em protocolos definidos e a partir de informações mais robustas, baseadas na ciência.

O governo quer avaliar a retomada das aulas a partir de sondagem dos testes rápidos aplicados em todo o Estado e também no monitoramento dos cenários epidemiológicos avaliados nas diversas regiões do Pará pelo grupo de trabalho da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra). 

Sespa nega cenário apontado por escolas


Sobre a incerteza epidemiológica de um retorno previsto para agosto, uma vez que o próprio governo do Estado já recuou na retomada de aulas na rede estadual, os representantes da Unesc propõem "25% de retorno imediato, com distanciamento de um metro e meio nas salas e seguindo protocolos estabelecidos pelo Conselho Estadual de Educação". Segundo diz a Unesc o Pará "já está na imunidade de rebanho". 

Procurada pela redação integrada de O Liberal, a Divisão de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) disse que "está acompanhando diariamente os estudos em curso sobre o percentual de infectados para alcançar a imunidade de rebanho para a covid-19". Segundo diz a Sespa, até o momento, "não há estudos conclusivos para embasar qualquer afirmação".

Após a carreata, os organizadores do ato foram recebidos na Assembleia Legislativa pelos deputados Victor Dias e Gustavo Seffer. A União das Escolas do Pará diz que tem outra reunião agendada para as 17h com o prefeito Zenaldo Coutinho.

Ato foi até a Alepa, onde audiência ocorreu (Thiago Gomes / O Liberal)
Pará
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